sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Decorações de Natal

Pai Natal made in China chegou à raia

Estandarte de Natal

Passando por Mairos nesta época, é difícil não dar conta das bonitas iluminações de Natal nas residências e até nos quintais. A comparação com a freguesia de Travancas, em cujas aldeias esse costume não está vulgarizado, torna-se inevitável.



Travancas

Pai Natal escalando até à chaminé, para por ela descer e entregar as prendas. Antes, era o Menino Jesus que fazia a entrega, no Dia de Reis, a 6 de Janeiro.

O velhinho bonacheirão, de barbas brancas e vestes vermelhas, que anda num trenó puxado por renas voadoras, é uma figura criada pela Coca Cola na América do Norte. Aí se popularizou e tornou símbolo da comercialização do Natal. Hoje está presente em todo o mundo, incluindo em Portugal, graças à globalização da cultura de massas.



 Família decora residência com estandarte do Menino Jesus e com o Pai Natal de fabrico chinês, aproximando símbolos de conotações culturais diferentes, tal como há décadas se juntou, nos lares cristãos, o pinheiro pagão ao tradicional presépio.  


Desde 2009 que muitas das varandas e janelas de Portugal, seguindo o exemplo de Espanha, passaram a estar decoradas com estandartes de pano, de cor grená, com a imagem de um Menino Jesus barroco, de braços abertos. Para os cristãos que assim procedem, este é o verdadeiro símbolo do Natal, em vez das luzes e do Pai Natal. 


Presépio e árvore de Natal no Lar do Senhor dos Aflitos, onde, terça-feira, decorreu a festa de Natal. Milhões de famílias cristãs agem de igual modo, num processo de assimilação cultural, fazendo o presépio e enfeitando o pinheiro.



Argemil

Em Argemil encontrei duas residências iluminadas com os símbolos disseminados pela sociedade de consumo - as luzes, o pinheiro e o Pai Natal.




São Cornélio

Desloquei-me à aldeia num dia de névoa, mas não vi nada que estivesse relacionado com decorações natalícias. No entanto é possível que as haja e sejam visíveis à noite.




De qualquer modo, o Menino Jesus, o Pai Natal, o pinheiro e as luzes marcam uma data única no ano - O Natal  - tempo de amor e de paz em que a comemoração do nascimento de Jesus se vem progressivamente diluindo numa, mais abrangente, festa da família.






2 comentários:

Anónimo disse...

QUEIRA O SRº SABER QUE NA ALDEIA DE TRAVANCAS OS ESTANDARTES DE NATAL Não sao de origem chinesa, mas sim vindo da diocese de BRAGA.Embora a aldeia seja pobre a sempre algumas economias para comprar produtos nacionais.

euroluso disse...

Vejo que ficou melindrado com o texto. Lamento, não é caso para tanto. Se ler com atenção, verá que me refiro ao Pai Natal made in China e não aos estandartes. Há no entanto,algum mal serem chineses? Eu próprio comprei um, porque era barato, há alguns anos, e já o expus na parede exterior de minha casa na época natalícia.
Como católico sei que os estandartes são vendidos nas paróquias, como na de Nossa Senhora da Purificação, em Oeiras. Porém, inicialmente, vinham de Espanha. É possível que no futuro sejam também feitos na China, tal como já o são muitas das imagens de Nossa Senhora de Fátima, vendidas aos peregrinos que se deslocam ao santuário.
Também gostaria de comprar só produtods nacionais e no Leclerc de Chaves já tenho protestado por não terem leite açoriano da marca Terra Nostra à disposição dos consumidores. Contudo, verdade seja dita, os preços dos laticínios estrangeiros são imbatíveis. Vá lá, compare e decida, entre estrangeiro e nacional, o que achar melhor para a si.
Quanto à referência que faz, de a aldeia ser pobre, apenas concordo parcialmente consigo, pelo facto de muitos filhos da terra serem obrigados a emigrar para melhorarem de nível de vida. Mas a melhor riqueza de Travancas é o capital humano, o povo. A aldeia é rica na entre-ajuda de vizinhos, nos trabalhos agrícolas e domésticos. É abastada em gente solidária, capaz de partilhar batatas e couves com quem não tem, sem que haja mendicância, como nos centros urbanos, ditos desenvolvidos. O conceito de pobreza, como vê, é relativo. Travancas é rica ou é pobre?
Agradeço-lhe ter escrito o comentário, pois só assim fico alertado para eventuais problemas de interpretação de terminologia usada. Volte sempre.