quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Natal com Neve

Que saudades, Deus meu!

- Como eram as nevadas na sua meninice,  senhora Palmira?
- Bô!!!
Lúcida, quase centenária, a mulher mais velha de Travancas, desfia memórias de uma vida inteira. Tem nos lábios o sorriso dos justos e, nos olhos guichos, a sabedoria da ancestralidade.



Mesmo sem a intensidade e a frequência das nevadas de antigamente, a neve volta todos os anos à montanha, cobrindo-a com um manto de brancura. Este ano, porém, tardou a chegar.



Como prenda enviada do céu, veio na véspera do nascimento de Jesus, quando as famílias se preparavam para a ceia de Consoada. Silenciosa, continuou a cair durante o dia de Natal, rejubilando corações e enchendo as gentes de orgulho, pela dádiva da Natureza à aldeia.




Recolhidos do frio, à lareira, peço à avó que me conte a história do pastor... da "Lã e a Neve". Em segredo, ouso pedir-lhe:
- Avó, põe as tuas mãos na minha fronte e dá-me a tua benção.
Sentindo a testa vitalizada por mãos ternas, calejadas do trabalho, caio nos braços de Morfeu.



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