quinta-feira, 3 de abril de 2008

Aleluia! Aleluia!

A Páscoa chega pela Primavera
e celebra o renascer da vida



Jacinto de cor púrpura, cor da quaresma.
Em Travancas ouve-se o tradicional tocar dos sinos a anunciar a Aleluia



O renascer da vida nas flores Neve na Sanábria (Espanha), Primavera em Travancas

Tu darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo que hoje, antes que o galo cante, três vezes me negarás. Palavras de Jesus a Pedro.
Grelos floridos no linhar
A tradição trasmontana no seu melhor. Folar de carne da Dona Juraci. Perfeito! Bom em tudo - sal, tempero, cozedura ...



Cores primaveris
Mimosas no Largo de São Bartolomeu




Primavera, o desabrochar de tudo o que é belo…







Farrapos de neve no Inverno, flores na Primavera!

Carros à volta da igreja durante a missa da Páscoa.

Longe parece o tempo em que os de Argemil e São Cornélio iam a pé à missa a Travancas.
"É Domingo! Xuntos na misa, ledos (alegres) na esperanza". Igreja de vizinha Arzádegos na Páscoa.
Galaico-português, a mesma língua, separada por fronteiras desde a Idade Média

Poucos minutos após o fim da missa pascal a rua volta a ficar vazia. O frio é intenso.














La vie en jaune









O tempo roda.




Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades ...








Vela da Ressurreição,
Renascimento da Vida em Cristo ...

segunda-feira, 31 de março de 2008

Vale Grande na Páscoa




Domingo de tarde, dia de Páscoa, subi de Travancas até ao Vale Grande, ao encontro da anunciada queda de neve nas terras altas de Trás-os-Montes. Estava frio e o sol brilhava.







A caminho do Vale Grande dei comigo a interrogar-me sobre a razão do nome dado ao mais alto monte da Serra de Mairos.


Deixei o carro estacionado junto às casas desabitadas que noutros tempos dariam guarida a lavradores, comerciantes e contrabandistas. Por entre as ruínas encontra-se um pombal ainda em bom estado de conservação. Seriam as pombas fonte de alimento de moradores isolados no alto da serra?











A partir das casas em ruínas fiz o resto do caminho a pé até aos três aerogeradores situados no lado português da fronteira com a Galiza.



Próximo do mais alto dos aerogeradores passa a fronteira, aprovada nos reinados de D. Luis, rei de Portugal e de Dona Isabel II, de Espanha, por tratado de rectificação das fronteiras, assinado em 29 de Setembro de 1864 e ratificado em 4 de Novembro de 1866.





O ponto mais alto, 1088 metros, assinalado pelo marco geodésico, fica a 300 metros da linha da fronteira, em território espanhol. No marco pode ler-se, a letras vermelhas, grandes, “Na Espanha e Portugal falamos igual”. Será? Obra de nacionalista galego? De iberista?







Quando me encontrava no alto do Vale Grande, o Sol deixou de brilhar e repentinamente começou a nevar, com grande intensidade. A alegria apossou-se de mim.





Bastaram 30 minutos para que a paisagem do Vale Grande se transformasse num manto de brancura.







Mas o Sol regressou pouco depois e em pouco tempo derreteu o sonho de uma Páscoa nevada.
O município de Vilardevós, Galiza, criou um roteiro turístico e sinalizou o itinerário, denominado Ruta do Contrabando, abrangendo as aldeias galegas de Arzádegos, Vilarello, Florderrei, Terroso e Soutochao, situadas ao longo da fronteira. A iniciativa, bastante interessante, deveria merecer o apoio da Câmara e dos serviços de turismo flavienses, pois é sabido que Travancas e outras aldeias da raia ficavam na rota do contrabando.


Placa na fronteira, sinalizando o caminho do contrabando, destruída por incêndio. Que faz a cruz da Ordem do Hospital de São João ou Ordem de Malta, importante na história de Portugal, no brasão de Vilardevós? No concelho há um mosteiro, em tempos ligado à Ordem de Malta, que dava acolhimento aos peregrinos de Santiago de Compostela oriundos de Portugal por caminhos secundários. Pode ser essa a razão.




Aldeia de Travancas, à esquerda, vista a partir do Vale Grande. Em primeiro plano, as ruínas das casas que em tempos existiram no Vale Grande.

Sol e sombras. Cota de Mairos e Vale Grande vistos a partir da estrada de Feces de Cima (Galiza).







Serra de Mairos, aerogeradores e Vale Grande vistos a partir de São Cornélio, freguesia de Travancas. Uma estrada aberta nos últimos anos permite aos automobilistas deslocarem-se de Mairos à cota.
Anoitecer no Vale Grande no dia de Páscoa.



domingo, 30 de dezembro de 2007

Terra Fria, Geadas e Borralho










Travancas, situada num planalto, a 900 metros de altitude, fica sujeita, entre Novembro e Abril, a nevões e arrefecimentos nocturnos, atingindo a temperatura mínima valores negativos.





Nesses dias, em que o frio é intenso, é à volta da lareira que se fica aconchegado.


Assando castanhas
Numa terra produtora de castanhas sabe bem comê-las – quentes e boas – nos dias em que o mau tempo aconselha que se fique em casa.
A formação de geadas é favorecida pela secura do ar e pelo arrefecimento da superfície causado pelas massas de ar frio.



Depois de morto o reco e se ter posto o fumeiro a secar, é altura de saborear alheiras e chouriças assadas nas brasas. O tempo frio e seco ajuda o processo de cura.

Quando Está Frio
Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável
Porque para o meu ser adequado à existência das cousas
O natural é o agradável só por ser natural.
Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

O tempo seco e as geadas são prejudiciais à agricultura.



As entranhas do tronco cavernoso todas moldadas em castanho … Queimam as folhas das plantas e atrasam a floração.







Entrada de Travancas, chegando de Chaves

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Dia dos Fieis Defuntos

Em Travancas, tal como acontece por todo lado, em Trás-os-Montes, vai-se ao cemitério no Dia de Todos os Santos para arranjar as campas dos parentes com flores e velas.

O cemitério é uma montra da comunidade e da evolução dos costumes. Apesar da diáspora emigratória, vizinhos e amigos poem flores em campas aparentemente abandonadas.
No Dia de Finados, depois da missa, foi-se em procissão, ao cemitério.

Pelo caminho foi rezado o terço.

Além do muito povo presente, das três aldeias da freguesia: São Cornélio, Argemil e Travancas, estiveram presentes alguns daqueles que residem fora, deslocados neste dia expressamente à aldeia para visitar o cemitério.


A procissão, reflexo da população residente envelhecida, é um mar de idosos. Alguns, caminham com mais dificuldade



A procissão atravessa o centro da aldeia





O tempo quente e seco, mau em termos agrícolas, contribuiu para tornar menos penosa a caminhada.


No cemitério rezaram-se responsos pelas almas dos que ali estão enterrados.











Mas o local não é apenas espaço onde se reza para que os mortos estejam no eterno descanso.



É também espaço de relações interpessoais onde os vivos encontram amigos e vizinhos que há muito não viam.
Dão-se as novidades, pergunta-se pelos que não estão, fala-se de tudo. No final, a convivialidade reforça os laços identitários de pertença à comunidade.
Parte-se com o sentimento do dever cumprido.