terça-feira, 14 de abril de 2009

Ainda há Pastores







Apascentando o rebanho
Nas encostas do planalto que vai da Bolideira à raia persiste a ancestral prática do pastoreio em regime extensivo. Dadim, Roriz, Mairos, Travancas e São Vicente são algumas das freguesias onde a presença de pastores é visível a quem circula na estrada.

Pastora de ovelhas
Excepção à regra, numa profissão tradicionalmente reservada ao sexo masculino.

Neste planalto, rico em pastagens, predomina o gado ovino.

Porém, as frequentes nevadas caídas no Inverno privaram os animais de pastagens, obrigando os pastores a deixar os rebanhos nas lojas e a suportar os custos da alimentação do gado.






Na freguesia de Travancas, segundo estimativas de um pastor, há cerca de 2 500 ovelhas, distribuídas por quatro rebanhos em São Cornélio, outros quatro em Argemil e um na sede da freguesia.





No entanto, para quem apascenta o rebanho na zona da raia deixou de ser rentável ter gado desde que os espanhóis começaram a deitar herbicida nas pastagens. Envenenado, o gado morre e os prejuízos são muitos.



O leite produzido é escoado, não há produção local de queijo.




Madredeus - O Pastor

Clicar em pastor para ouvir a música

Ai que ninguém volta

Ao que já deixou

Ninguém larga a grande roda

Ninguém sabe onde que andou

Ai que ninguém lembra

Nem o que sonhou

E aquele menino canta

A cantiga do pastor

Com as Cabras na Neve

terça-feira, 7 de abril de 2009

Domingo de Ramos

A tradição ainda é o que era





Reencontro com os “heróis” de vídeos que fiz sobre as nevadas em Travancas e São Cornélio.






A visão de crianças segurando ramos de oliveira, loureiro e alecrim, enfeitados com bolachas e rebuçados, trouxe-me à memória o Domingo de Ramos passado na aldeia onde nasci.
Felizes, eu e os irmãos, íamos, rua abaixo, à Casa Grande, levar o ramo à madrinha e receber, em troca, uma prenda.








Embora a tradição das crianças levarem o ramo à madrinha se vá perdendo, permanece o bonito costume de enfeitá-lo.

















Em Travancas, a bênção dos ramos, seguida de procissão e missa, é uma festa religiosa que junta a comunidade das três aldeias da freguesia: Argemil, São Cornélio e Travancas.


No largo, junto ao lar dos idosos, juntou-se muito povo à espera do senhor padre Delmino para a bênção dos ramos.


















Na tradição católica o Domingo de Ramos marca o fim da Quaresma e o início da Semana Santa. A festa celebra a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, onde ia passar a Páscoa judaica com os discípulos.




Jesus entrou na cidade montado num burro, aclamado pela população como o Messias, o Rei de Israel.









"Hossana ao filho de David”, salva-nos filho de David, gritava o povo sofrido à passagem de Jesus!










Bênção dos ramos pelo senhor padre Delmino












À cerimónia da bênção assistem idosos do Lar do Senhor dos Aflitos.











Procissão rumo à igreja

Celebração da missa na igreja matriz de São Bartolomeu






"Estamos reunidos em comunhão, em nome do Senhor."










"Saudai-vos uns aos outros e fazei-o de todo o coração."




Final da missa:
"Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe."





Ramo de oliveira benzido






Há quem o pendure, quem o guarde pelos diferentes cantos da casa ...



As manifestações religiosas, vistas como um fenómeno social, fazem parte do património humano de uma comunidade local e, como tal, devem ser preservadas, sob pena de, perante a globalização, a comunidade perder a sua identidade cultural.





terça-feira, 31 de março de 2009

Sonho de Emigrante à Venda



Deus Quer,
O Homem Sonha e a Obra Nasce
Fernando Pessoa





Deus quer que o mundo seja melhor e o Homem há muito que sonha com esse mundo.




Para quem emigra, os primeiros sonhos são os que antecedem a partida.


Há uma grande expectativa sobre as novas terras, as pessoas que se vai encontrar, os costumes e a dificuldade com a língua do país de acolhimento. Mas tudo se supera com o espírito guerreiro de conquistar uma vida melhor e a vontade de vencer.




O sonho de muitos emigrantes é voltar à terra para casar, regressar de vez, voltar a viver nessas casas, naqueles cafés, naquelas ruas, naquelas esquinas, naquelas paìsagens...


Foi assim com António*. Decidiu deixar a terra em busca do seu sonho.





Sonhou e a obra nasceu.




Porém, "Para fazer uma obra de arte ... é preciso também viver um grande amor". (Mozart)



Sem constituir família em bases sólidas, o sonho do emigrante morreu. A "maison" ficou inacabada, outros projectos de vida surgiram...












Vende-se






Bem situada no planalto, à saída de São Cornélio ...



A casa de sonho tem largas vistas sobre a Cota de Mairos, Travancas, Castelo de Monforte e as serras do Larouco e do Barroso.




* O nome é ficção, assim como a história. O único facto não imaginado é a localização da casa, por acabar, posta à venda.