sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Neve em Argemil da Raia

Bairro das Poulinhas de branco




Dia 10 de Fevereiro de 2010 voltou a cair uma grande nevada no Planalto que vai da Bolideira a Travancas - a "montanha", como dizem em Chaves. Nessa tarde estive em São Cornélio e Travancas, não tendo tido tempo de ir a Argemil, a outra aldeia da freguesia.


No dia seguinte, pela manhã, sob um sol radiante mas com temperaturas negativas, fui a Argemil, onde estive algumas horas a fotografar paisagens que se perderão quando a neve derreter.


Comecei pelo bairro das Poulinhas. No alto da rua encontrei o senhor Gumezindo, Zindo para os amigos. Ao vê-lo lembrei-me da figura do Obelix, personagem gaulês, companheiro de Asterix, que se divertia a atacar as legiões romanas, em defesa da Gália, e a comer javalis assados.
Gumezindo é um nome invulgar. Será de origem germânica? Uma breve pesquisa na internet não me esclareceu mas não é improvavel que seja, uma vez que os Suevos terão estado na origem de Argemil. Esta tribo germânica, fixada em Trás-os-Montes, Minho e Galiza, fundou em Braga, no século V, o Reino Suevo, primeiro reino fundado por bárbaros na Península Ibérica, após a queda do Império Romano do Ocidente.


No alto das Poulinhas, apesar do frio intenso, encontrei diversos moradores a trabalhar ao ar livre.


Senhor Manuel Carvalhal a terminar de rachar lenha. Ao fundo vê-se o posto de vigia florestal.


Os irmãos Gaspar e Márcia a colocar uma rede de vedação no muro. Receio dos lobos? Gaspar é um nome que me faz retroceder à infância, quando aprendi como se chamavam os reis magos, e quando chorei por a professora me ter posto a interpretar o papel de Gaspar, um rapaz mau para com os passarinhos. Na verdade até subia às árvores à procura de ninhos e devo ter partido ovinhos de algum, mas na peça de teatro não gostava de ser mau!


Pedro, marido da Márcia, a reparar a motoserra.
Já tinha indícios - número de alunos a frequentar escola primária - de que a população de Argemil não é tão envelhecida como a de Travancas. A ronda pelo bairro das Poulinhas reforçou essa ideia. O Pedro e a Márcia são pais jovens. Será que não pensam ter mais filhos? Ainda gostava de reportar o nascimento de uma criança, festa de reprodução da família e de revitalidade da comunidade aldeã. Já que o governo central não tem uma política de apoio à natalidade, porque não a Câmara ou a Junta de Freguesia estimularem o nascimento de crianças dando cinco mil euros no nascimento do bébé, aos pais residentes, e mil euros no aniversário, durante os primeiros cinco anos?


Dona Nuri, esposa do ...


...Senhor Máximo


A dona "Ana, do Carlos". Encontrei-a à saída do bairro. Como já nos conhecêssemos, cumprimentámo-nos. A dona Ana é exceção que confirma a regra de que os homens são mais acessíveis do que as mulheres a deixarem fotografar-se por desconhecido.

O Bairro da Igreja


Escola primária fechada. No edficio apenas funciona o jardim de infância. A partir do presente ano lectivo de 2009-2010 os alunos passaram a ir às aulas a Mairos. Terá sido uma medida acertada as crianças irem tão longe à escola, especialnente as da freguesia de São Vicente da Raia?


Poulinhas e cancelo vistos da estrada.


A caminho...

...da igreja de São Miguel.


São Miguel Arcanjo é o padroeiro, patrono ou orago que, fora da igreja, protege a povoação de Argemil.


E a caminho do cemitério e de São Vicente da Raia!

Neva em Travancas

Planalto da Bolideira coberto de branco















































quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Neva em São Cornélio

Planalto da Bolideira coberto de branco

A neve, durante a tarde de 10 de fevereiro de 2010, voltou a cobrir de branco o planalto que se estende da Bolideira a Travancas. Quando fui para Chaves, à feira, apesar do intenso frio, nada me fazia prever que nevasse. Na cidade, pelo meio-dia, começou a chover e alguém disse que nevava em Vila Pouca e Vila Real.


No regresso da feira, pelas 15 horas, a chuva, a partir de Curral de Vacas para cima, dava lugar à queda de neve. Fiquei tão radiante que não resisti em partilhar, pelo moche, a minha alegria com a Princesa e a mãe.


Parei em São Cornélio, freguesia de Travancas. O aspeto da aldeia era aquele que as imagens transmitem.


Bem, as fotos por mais bonitas que sejam não transmitem toda a beleza captada pelo olhar e pelo tato.













domingo, 24 de janeiro de 2010

Modesto's Farm

La Ferme de Mr. Modesto
Para esta postagem tive dificuldade em encontrar um título, em português, que me agradasse, porque nas aldeias de Trás-os-Montes, onde o povoamento é concentrado, usa-se a palavra "casal" em vez de "quinta" para designar uma casa de lavoura, com animais e linhares.


Encontrei casualmente o senhor Modesto, agente reformado da GNR, na nevada de Natal, quando andava a fotografar a aldeia coberta de branco. O seu carro foi o primeiro a vir de Chaves para Travancas, rebocado por um trator, a partir de Mairos. Quando me viu, veio ter comigo e disse-me "-Venha ali ver os meus porquinhos!", e eu fui, agradado oom o convite.


Quando se entra pelo quintal é difícil não reparar nos vários carros abandonados que por lá se encontram. Faz-me pena, porque se ficassem num armazém, conservar-se-iam e dentro de algumas décadas seriam raridades. Assim, o destino provável dos carros é a sucata!


Não sabia quantos nem que animais tinha o senhor Modesto mas encontrei alguns. O primeiro que vi foi o gatinho, assustado por eu o querer fotografar.


Depois, foi o seu fiel amigo. Não me ladrou, talvez por estar a acompanhar o dono. Todavia não me recordo de me ter ladrado, quando anteriormente, andei a rondar o quintal, à procura de um ângulo ideal, para uma foto bonita.


Dentro de um dos dois armazéns, onde me levou, para me mostrar a sua criação de porcos, tinha, abrigadas da neve, três ovelhas.

Sempre comunicativo e afável, deixou-as andar um pouco no manto de brancura para eu as fotografar. A bruma e a neve propiciavam um ambiente de grande beleza, saciando os sentidos e deixando a alma radiante de alegria.


Além de animais também tem um viveiro de castanheiros. No ano anterior, quando andei a plantá-los, fui ter com ele para me vender alguns mas já os tinha prometido a alguém.


O senhor Modesto, dizia a minha sogra, ajudou-a algumas vezes, trazendo-lhe medicamentos de Chaves e a pensão da guarda-fiscal.


Ovelha à procura do pasto que não encontra.


Mas a ocupação principal deste vizinho é a sua diversificada criação de porcos, resultante de cruzamento de porco-bravo com pata negra e bísaro.


Num dos armazéns, alem de alfaias agrícolas, lenha e fardos de palha, tem abundante reserva de alimentos para os recos.


Rabas grandes ...


e abóboras...


...alimentam as cevas que hão de transformar-se em presuntos, salpicões e noutro fumeiro, apreciado por amantes da boa cozinha tradicional transmontana.


A rainha da pocilga...


Porca de raça preta com as crias nascidas dez dias antes.


Os requinhos procuram ficar debaixo da lâmpada emissora de calor para se protegerem do intenso frio. São o orgulho do dono.


Segundo o senhor Modesto, os suinos são cruzamento de javali com porcos de raças negra e bísara, os mais afamados para fabrico de fumeiro de superior qualidade.


Se tivesse tido disponibilidade, mais haveria a descobrir nesta abastada casa de lavoura, à conversa com o senhor Modesto, aproveitando a oportunidade que me deu de entrar na sua exploração agrícola. Ficou o amargo de boca de não ter presenciado a matança das suas cevas, no final do ano e em janeiro.