quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Rica Marmelada!

Biológica

Fiquei radiante, quando descobri marmelos, num dos dois marmeleiros que plantei no linhar, há dois anos.


Eram enormes!  O fruto parece adaptar-se bem ao clima de Travancas.


Mas só colhi os marmelos depois do senhor Aniceto, há dias, me dizer que estavam maduros.


Não eram muitos, couberam todos numa cesta.  


A minha mulher  descascou-os.


Partiu-os e meteu-os em  dois tachos, juntamente com açúcar.


No dia seguinte, cozeu-os, no sumo que haviam libertado durante a noite.


E voilà, malgas de marmelada para saborear nas manhãs frias de outono. A marmelada mais escura ficou mais tempo ao lume.


Como é doce viver no campo!



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Fieis Defuntos


Romagem ao Cemitério

Como de costume, os dias que antecedem o Dia de Finados, são de romagem ao cemitério para limpar as campas, embelezá-las com flores e acender velas pela alma dos familiares mortos.



O Dia de Todos os Santos é no entanto o de maior movimento.



Campa da Guida, recentemente falecida.


Apesar de Argemil e São Cornélio terem cemitério próprio, desde há alguns anos, ainda são muitos os moradores dessas duas aldeias que se deslocam ao cemitério de Travancas, onde estão sepultados familiares.











Finados


Este ano não se realizou, devido ao temporal, a tradicional procissão ao cemitério, após a missa.


No entanto, mesmo chovendo intensamente, foram muitos os que quiseram, neste dia, visitar a campa de familiares falecidos e orar por eles.



O  senhor padre Delmino fez uma breve oração.


 
Depois... foi o regresso a casa.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Uma Mulher de Garra

Rostos de Travancas

Senhora dona Joaquina
Mulher destemida e determinada.


Frágil na aparência, mulher de força.


Forte, nos seus oitenta e tal anos, a picar a lenha.


Mulher de  tímida candura, nos sulcos da face, no olhar,  na voz...
´Mulher três vezes santa: na dor, no sofrimento e na alegria´.
Cecília Meireles


Homem da casa, depois de ter sido esposa, mãe e avó de entes ausentes.


Cargo pesado para mulher só, nem soberba nem humilde, mulher com dignidade.


Frases e poemas de Cecília Meireles
Poetisa brasileira



Pus-me a cantar minha pena
Com uma palavra tão doce
De maneira tão serena
Que até Deus pensou
Que fosse felicidade e não pena




Viajo sozinha com o meu coração.







Levo o meu rumo na minha mão








És precária e veloz, Felicidade.
Custas a vir e, quando vens, não te demoras.



Ils viendront!
Eles virão!


domingo, 16 de outubro de 2011

Guida da Libânia partiu

Mar de gente no funeral

"Dos teus pais", Libânia e Manuel Gonçalves


Realizou-se hoje no cemitério de Travancas o funeral de Guida Alexandre de Jesus Gonçalves, jovem de 24 anos, vítima de doença prolongada. 


Numa última e comovente homenagem, colegas da faculdade, à saída da igreja, onde foi rezada missa de corpo presente, estendem as capas de estudante à passagem dos restos mortais da amiga.


Aos familiares, amigos e vizinhos juntou-se, na dor, muito povo vindo da cidade de Chaves, das aldeias ao redor e da Galiza.  


Foram centenas, algo nunca visto em Travancas, aqueles que participaram na cerimónia fúnebre. Quando o carro funerário chegou à entrada do cemitério ainda a Rua 5 de Outubro estava cheia. Com tanta gente a vir a Travancas também os carros inundaram ruas, praças e a estrada.


Flores, muitas coroas e ramos de flores, para quem partiu para junto de Deus na flor da idade.

Mas Guida estará sempre viva no coração daqueles que com ela partilharam alegrias e tristezas.

Aos pais e irmão, sentidos sentimentos.




segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O Pintor de Argemil

Autodidata

Chama-se Luís
Luís Carlos Batista, 24 anos

Começou a desenhar na escola primária. Quando regressavam dos passeios fazia 'desenhos que ficavam sempre na parede'.


Na primária descobriu 'que gostava de desenhar. Ao princípio era com lápis de cor e depois com carvão, na telescola' - 5º  e 6º anos - em São Vicente.

Nesse tempo ´Copiava desenhos animados que via na TV'.

'No 6º ano, o professor fez um concurso para ver quem desenhava melhor. No fim ganhei eu'.
O Luis vive, com os pais e a irmã, em Argemil da Raia, freguesia de Travancas. Às vezes, como na campanha da maçã, na Galiza, faz jeiras para ajudar a família.






No verão passado, trabalhou como empregado de mesa no Café Geraldes em Chaves, onde teve quadros expostos, ao lado do quadro de Mário Lino, pintor flaviense. Não o conhece mas gosta das cores do artista.


 
 
 
 
 
 
 
No ensino unificado - 7º , 8º e 9º anos - estudou em Chaves, na Escola Dr. António Granjo. Nessa altura fazia desenhos a carvão e com tinta.




Tinha sempre a nota máxima a Educação Visual e a Tecnologia. 'O professor não me dava mais porque não podia', recorda, embevecido, os tempos em que o professor o ajudou a fazer uma exposição individual, na escola.

O Luís não fez o ensino secundário - 10º, 11º e 12º anos, porque o curso de Desenho Gráfco, que pretendia seguir, só existia no Porto e em Lisboa e a família não dispunha de meios económicos, para o mandar estudar.  Ficou na aldeia, de onde emigrou para Madrid e por lá permaneceu alguns anos.



Sensibilidade artística
 
 
O Luís é um rapaz sociável, dando-se bem com os moços e moças da terra, como aliás acontecera na escola, onde teve bom relacionamento com os professores.

 
No dia a dia, concilia um visual moderno, com a preservação de valores tradicionais como a família, a amizade e a prática religiosa. Em 2008, foi padrinho de crisma de um amigo.


A pintura do jovem artista está carregada de erotismo. Retrata nús femininos que evidenciam graciosidade e  leveza.
 
 
Gosta de pintar flores, especialmente jarros brancos e antúrios vermelhos, flores que no plano simbólico aparecem associadas à pureza e à paixão.


A própria forma das flores sugere uma cópula vaginal.

Potro, garanhão




É na tela da palete do atelier improvisado, na lareira da casa paterna, que Luis  retrata emoções,  sentimentos, ideias e visões de um mundo real ou imaginário.


'Gosto de pintar paisagens', segreda-me.


Paisagem ao luar

 Por-do-sol tropical



A sua obra reflete também a cultura transmontana em que está inserido.



Apesar da sua juventude, Luís já tem uma vasta obra feita que ultrapassa centenas de pinturas. No entanto nenhuma é a óleo. Sem dar explicações, diz-me apenas 'Não pinto a óleo, já pintei'.




Pinta grandes superfícies, como a parede exterior desta casa de Argemil.
A parede interior de um salão de cabeleireiro.


A decoração de um quarto de criança.


O jovem pintor faz trabalhos por encomenda. Faz de tudo. Tem divulgado a sua obra, num café de Argemil, no Geraldes de Chaves e na feira mensal de Travancas. Tudo começou no entanto em Madrid, no café onde trabalhou, graças ao patrão que o deixava expôr. Foi aliás, na capital espanhola que começou  a comprar pincéis, tintas, telas e a pintar lojas.




Projetos
Dadas as dificuldades que enfrenta, não faz parte dos projetos do pintor autodidata, retomar os estudos de artes gráficas.  No seu horizonte está a eventual realização de uma exposição conjunta com um pintor de Vila Real. O que o preocupa, como a todos os jovens, é obtenção de meios económicos que lhe permitam sobreviver sem a ajuda dos pais. Para isso, o seu objetivo passa por 'tentar ficar mais conhecido, ir à TV apresentar o trabalho'.
Quanto a mim, desejo que algum "olheiro" da pintura o descubra e que, além de o incentivar a conhecer grandes mestres da pintura universal: Picasso, Van Gogh, Michelangelo, ou transmontanos como Graça Morais, Nadir Afonso e Mário Lino, lhe dê a oportunidade de mostrar  o que vale.


Contato do pintor

telemóvel 93 467 99 17