quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Mariage au village

Casamento de emigrantes na aldeia

Aos 12 de agosto do ano de 2010, da era de Cristo, uniram-se pelo matrimónio, na igreja de São Bartolomeu de Travancas, os noivos David e Jennifer, residentes na região de Paris.
Le 12 Août 2010, se sont unis par le mariage, dans l'église de Saint-Barthélemy de Travancas, le couple David et Jennifer, résidents dans la région parisienne.


Segunda geração preserva a tradição de casar na terra de origem.
La deuxième génération maintient la tradition de se marier dans leur pays natal.


Valoriza e identifica-se com a cultura tradicional.
Apprécie et s'identifie à la culture traditionnelle.


Inova
Innove


O dia é de festa na aldeia.
C'est la fête au village.



Esperando a noiva...
Tandis que la mariée n´arrive pas


Já podemos entrar, esperá-la no altar!
Ça y est, elle arrive!



A rapariga dos pés calçados.
Que c'est jolie!



Princesinha
Que c'est mignonne!


Pai e mãe felizes
Papa et maman heureux!













Padre Delmino Fontoura -Em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo, eu vos declaro marido e mulher!
Monsieur le prêtre -Au nom du Père, du Fils et du Saint-Esprit, je vous déclare mari et femme




Viva os noivos!
                       Vive les mariés!


























E como nos contos de fada...Et comme dans les contes de fées ...
Casaram, ils se sont mariés,
tiveram muitos filhos  ont eu beaucoup d'enfants
e viveram felizes para sempre! Et ils ont vécu heureux à tout jamais!



sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Tempo das segadas

Ceifas de hoje na Capital da Batata


Nas terras "da montanha", como se diz em Chaves, o verde da rama das batatas e o dourado das searas de centeio estendem-se a perder de vista.



Na capital da batata, a produção de centeio ocupa à volta de 80% da área cultivada e a batata os restantes 20%. Há 15 anos atrás, a área de produção das duas culturas ainda se igualava. Hoje, também há uma grande área de poulo ou coberta de giestas.



A cultura cerealífera assenta essencialmente na produção de centeio. Há uma ou outra seara de trigo, mas não passa disso mesmo, de uma cultura residual. O centeio, pelo contrário, dá-se bem em climas frios e solos secos, pobres em nutrientes e ligeiramente ácidos.



As ceifas começam, quando os grãos ficam maduros e as espigas secas. A duração está dependente do clima, durando, em média, duas a três semanas. Quando o tempo está de chuva, não se pode ceifar. Já houve um ano, inclusive, bastante chuvoso, em que a palha ficou negra e por altura da festa do Senhor dos Aflitos, ainda se ceifava. As ceifas deste ano começaram dia 20 de julho e devem terminar por volta do dia 10 de agosto.



Há dias, numa tarde de muito calor, quando me apercebi da movimentação de segadeiras, fui de bicicleta até aos cruzamentos para São Cornélio e Roriz, com o intuito de fotografar as ceifas. A segada manual, essa acabou, há aproximadamente 40 anos. Nesse tempo, os segadores vinham de outras aldeias, formando cinco a seis ranchos, de oito a dez segadores cada um, comandados por um capataz. De Travancas também iam homens para outras terras segar, incluindo para A Gudiña, na Galiza.



Acompanhei a ceifa de uma seara, junto à oficina do Zé Pinto. Ao todo, em Travancas, há seis ceifeiras a trabalhar. Uma vem do concelho de Valpaços, outra da freguesia de Casas de Monforte, duas de São Cornélio e uma de Argemil. Curiosamente, em Travancas não há quem tenha ceifeira, desde que a família Maldonado deixou de ter uma, que debulhava e ensacava. Há três anos o Berto também comprou uma ceifeira, que ainda trabalha em São Cornélio.



Uma ceifeira-debulhadora, dependendo do terreno, ceifa, em hora e meia, mais ou menos, um hectare, tanto como seis ceifeiros, empunhando foices, segavam de sol a sol. A mecanização foi, aliás, entre outros, um fator de emigração.



Num hectare de terra - dez mil metros quadrados - são semeados à volta de quinze alqueires de centeio, ou seja, cento e oitenta quilos, enquanto a produção média por hectare ronda os três mil. É pouco? muito? São fiáveis os dados sobre a produção que uma fonte de informação me indicou? Pretendendo estabelecer comparações, pesquisei na internet e encontrei previsões do INE apontando para uma produtividade média de 990 kg/ha, em 2009, em Portugal continental.



A ceifeira-debulhadora corta o caule do centeio e debulha, separando os grãos da espiga, trabalho este, outrora efetuado nas eiras pelos malhadores. A ceifeira da foto também ensaca.




Mal terminou a ceifa da seara, um trator, puxando um atrelado, foi colocado ao lado da ceifeira, para o grão ser despejado em sacos, segurados por vários homens, enquanto um quinto os atava. 


Na aldeia há cerca de vinte produtores. A produção total, apesar de ter vindo a diminuir, é de vinte e cinco vagões, de dez toneladas cada um! Muito centeio! Há 25 anos, antes da EPAC ser extinta, a cooperativa agrícola comprava o centeio a 50 escudos o quilo, agora paga-o, a doze cêntimos na aldeia, e a treze se o agricultor o entregar em Chaves.



Apesar de apenas ter sido observador da ceifa, feita debaixo de calor escaldante que fazia suar por todos os poros, aceitei a oferta de molhar a garganta seca com uma refrescante cerveja.



Noutros tempos, no final da segada, havia festa. O rancho de segadores cantava e levava o ramo a casa do patrão, pendurando-o na varanda, como sinal de fartura. Agora a festa é outra; os homens, quais Ulisses no fim de uma suada batalha, saciam a sede no local de trabalho, em cima do atrelado, irmanados na camaradagem.



Sensivelmente à mesma hora, sobre o restolho de outra seara, perto do cruzamento para Roriz, uma enfardadeira arrebanhava a palha do centeio para fazer fardos.



O senhor Luis Batista, de Valpaços, com dois dos seus empregados, a reparar a enfardadeira.  "Há trinta anos é que era bom!" - lamenta-se, por as horas de trabalho já não serem tantas e só ao fim de dez anos o custo da máquina ficar amortizado. Os agricultores, por seu turno, queixam-se do aumento dos custos da segadeira e da enfardadeira. Antigamente, pagavam vinte euros à hora pelas máquinas, hoje pagam oitenta. Um saco de herbicida custava entre trezentos a quinhentos escudos, hoje custa 16 a 17 euros.



Cada fardo pesa à volta de doze a quinze quilos. Este ano, como há menos palha, já se venderam fardos a 1,50 €, quando no ano anterior, cada um foi vendido a oitenta cêntimos.



Tempo da ceifa a chegar ao fim, com a recolha dos fardos, num ciclo produtivo iniciado com as sementeiras, nos meses de outono.



Nem toda a palha é vendida. Quem tem vacaria guarda-a, para alimentar o gado, ou para produzir estrume, no caso daqueles que criam recos e coelhos.



No tempo das segadas e das malhadas, a palha, em palheiros com a forma de teta, ficava na eira. Hoje não há eiras; a palha é enfardada no local da ceifa e os fardos são transportados para armazens ou cobertos com plásticos pretos, para proteger os proteger da chuva, do nevoeiro e da neve.


Fonte da informação
Os dados contidos na postagem resultam de uma entrevista ao Tó Ribeiro, a quem agradeço a disponibilidade para responder às minhas perguntas.




quarta-feira, 28 de julho de 2010

Emigrantes já cá estão de férias

Bem-vindos!


Um regresso temporário a Travancas para descansar, recuperar energias para mais um ano de trabalho, matar saudades da terra, da família e dos amigos. Todos os anos, no verão, é assim - repete-se o ritual de chegadas e partidas! No final das férias, quais aves migratórias, retomam o caminho inverso, rumo a França, Bélgica, Alemanha, Suiça, Espanha e Luxemburgo, principais destinos de acolhimento dos emigrantes da freguesia na Europa.



O Café Central - não há outro em Travancas - é o espaço social de eleição dos emigrantes para estabelecer relações de convivialidade e ficarem a par da vida na aldeia nos últimos tempos. Quando lá fui ver a final do campeonato do mundo de futebol, já lá estavam alguns. Com a aldeia a encher-se, até os bancos da igreja, ao domingo, ficam mais bem compostos de gente mais jovem, e a esplanada do Café Central, principalmente à hora do almoço, torna-se pequena para amenas cavaqueiras.




Foi lá que travei conhecimento com o senhor Hermínio Guedes e a  dona Isabel, emigrantes em Valais, Suiça francesa, tendo ficado combinado que nos voltaríamos a encontrar, para uma entrevista.




O casal tem uma bonita casa em Travancas, com a particularidade de as grades do muro e o portão de entrada serem feitos com autênticas rodas de ferro, das carroças. Todavia, nenhum é natural da aldeia. Ele é de Chaves e ela, de Boticas, região do Barroso. A construção da casa, em Travancas, tornou-se realidade quando a família não deixou escapar a oportunidade de comprar, em condições favoráveis, um terreno na aldeia.



Outra coisa que chama a atenção é a bonita latada no terreno anexo. Travancas não é terra de vinho mas as videiras, algumas das castas moscatel e dona maria, estão carregadas de cachos de uvas. O senhor Hermínio garante que sim senhor, que são de boa qualidade e são vindimadas. A ver, vamos!




O percurso de vida deste emigrante, transmontano dos quatro costados, é similar ao de muitos outros. Partiu para a Suiça em 1987, onde conheceu a Isabel e por lá casou civilmente, dois anos mais tarde.  O casamento religioso, de maior significado no domínio dos afetos,  realizou-se na   igreja da Madalena, em Chaves. O senhor Hermínio sofre da nostalgia da terra.  Cá, "sinto-me melhor que lá fora", diz ele; até as constantes dores lhe passam!


Fui encontrá-lo na latada a carregar umas sobras de mosaicos com que mandou fazer o chão da cozinha. De resto, além das idas a Chaves, ao Café Central para conversar com amigos e ir a uma ou outra romaria, entretem-se a cortar relva e silvas.




Com os netos e quatro filhos, todos homens, dispersos por França, Suiça e Espanha, a dona Isabel não sente a mesma vontade que o marido de passar férias em Portugal. O coração de mãe fala mais alto. "Prefiro estar lá" diz, sem hesitar. Enquanto dona-de-casa, cá espera-a o cabo dos trabalhos, a fazer compras, cozinhar, lavar, passar, limpar móveis e vidros de janelas cobertos de pó. Assim a quem apetece vir passar férias destas?



Micael e a bonita avó paterna, dona Felizmina.
Tem 16 anos o filho mais novo dos Guedes. Viveu em Travancas e em Chaves até aos doze, onde deixou os amigos que revê nas férias. Apesar de gostar mais da Suiça, onde os ordenados são três vezes superiores, justifica, acompanha os pais "de boa vontade" e por vêzes é ele que os estimula a virem. Em Sion está a tirar um curso profissional. Aliás, é porque as aulas recomeçam dia 8 de agosto que os pais tiram férias mais cedo e não ficam para o a festa do Senhor dos Aflitos.

Se Deus quiser, para o ano estarão de volta!