quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Magusto do Lar

No dia de São Martinho


O Lar do Senhor dos Aflitos organizou hoje, dia 11 de novembro, um magusto, aberto a familiares e amigos dos residentes  no lar.



Quando cheguei, perto das 15h30, já os utentes, sentados, aguardavam pelos bilhós, numa sala com mesas postas, e decorada para a festa. Nem todos são da freguesia.

No forno do povo, entretanto, a azáfama era grande.


Nele e num grelhador, assavam-se bifanas, costelinhas, salsichas frescas, sardinhas e castanhas - metidas em tabuleiros e empurradas, com um rodo, para dentro do forno, pelo senhor Gustavo de Argemil .




A fazer bilhós - descascar as castanhas assadas


Distribuindo os bilhós.

Impressionou-me a calma que se respirava no lar.

Dona Ofélia alimentando uma utente

Senhor Alexandre, da Aveleda


Dona Teresa Pires, de Calvão


Senhor José Manuel Videira, de Dadim, abraçando carinhosamente a esposa, dona Socialina dos Anjos.  Veio visitá-la ao lar.

Dona Francina de Argemil, membro da direção do lar. Há quinze dias, quando andava a apanhar castanhas, caiu e partiu o braço.

Dona Luisa, de Argemil e dona Hermínia, de Travancas. Esta senhora tem também duas irmãs, mais velhas,  no lar.

Senhor Cassiano e esposa, dona Adozinda, de Travancas


Senhor Miguel, de Tronco. "Cantoneiro em Lebução durante trinta anos".

Dona Celeste da Conceição de Melo Trinta, de Santa Cruz da Castanheira. Bem disposta, cantou no final do magusto.


"Meninas jeitosas e bonitas", Cristina e Susana, animadoras, naturais de Paradela e Casas de Monforte. Uma delas está a fazer estágio no lar.

David com a animadora



Anúncio de cabaz de Natal. O sorteio será realizado dia 23 de dezembro.



Apesar de haver muita comida em variedade e quantidade...

 ...houve visitantes, como a Dona Natércia, que levaram doces feitos em casa.


À mesa, comendo saboroso caldo  verde,  com os senhores Gustavo, capitão e... 


Aniversário do Senhor Padre Delmino


Na última missa dominical achei graça o senhor padre comentar, a propósito da obrigatoriedade dos bispos resignarem aos 75 anos, que a lei canónica também deveria abranger os padres. Resignando, que alternativas se vislumbram à continuação regular da prática religiosa comunitária nas suas paróquias?


A direção do lar homenageou o senhor padre, no dia do seu 74º aniversário.


Parabéns, senhor padre Delmino, nesta data querida...


Muitas felicidades, muitos anos de vida.


Cumprimentos, beijinhos e abraços.


Depois, antes da despedida, o senhor padre cortou o bolo e bebeu-se espumante, bem bom. 


Já tinha entrado anteriormente no lar mas nunca, como desta vez, me senti à vontade para meter conversa com os residentes. Descobri que alguns gostam de conversar e ficariam mais tempo a falar comigo, se estivesse disponível para os ouvir e me dar a conhecer. Em 2011, Ano Europeu do Voluntariado, quem sabe se não volto, com mais disponibilidade, para estar com quem tem sede de viver!

Gato abandonado, adotado pelo lar

Histórias
Quem gosta de se sentir abandonado?

Antes do meu tio António morrer, aos 93 anos, viúvo e sem filhos, quando viajava entre Travancas e Lisboa, costumava visitá-lo, em sua casa, na Mealhada e depois, no lar, na Figueira da Foz. Esse desvio de rota era aproveitado para saborear o leitão à Bairrada na churrasqueira Rocha. Apesar de serem visitas de médico, recordo que ele, de tão satisfeito que ficava, dizia aos vizinhos, aos utentes e funcionários do lar que o sobrinho o tinha visitado. A minha visita ou a de amigos que conheceu no Lobito deixavam-no feliz.  Alimentava a sua auto-estima dando a conhecer aos outros que tinha família e amigos que o procuravam.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Felizes os Mortos

Que morrem no Senhor
Aleluia! Aleluia!

2 de novembro, Dia de Finados


Em Travancas é costume, depois da missa dos fiéis defuntos, haver uma romagem de saudade ao cemitério. A separação de sexos na igreja, sem ser rígida, mantem-se na procissão. No grupo de homens, à frente, não há nenhuma mulher,  embora  no grupo das mulheres, atrás, haja alguns homens, tal como nas missas.


Pelo caminho vai-se rezando o terço


Nós te rogamos Senhor
Pelos irmãos que morreram
E à procura do Teu rosto
À Tua porta bateram


Depois da breve cerimónia religiosa, cumprimentam-se os amigos  que há tempos não se viam. Dão-se notícias, despedem-se até à próxima.


A  morte não escolhe idades

Sabemos que estamos de passagem na vida; não sabemos é quando e como partiremos. 










O ritual das flores e das velas

No mundo ocidental é costume oferecer flores a quem gostamos e, por extensão, depô-las nas campas de familiares e amigos quando os visitamos no cemitério.  Apesar de haver menos procura, o preço das flores continua extremamente caro, se o compararmos com o praticado noutros estados da União Europeia.

Pequeno arranjo floral a sete euros, no mercado de Chaves.


Vaso de crisântemos amarelos  vendido a dez euros


Solução alternativa, carreta com flores, para várias campas!


Bonito arranjo feito com flores do quintal


O simbolismo da luz patente nas velas acesas

Há velas chinesas a vários preços. As mais baratas custam cinquenta cêntimos.



Romagem  e flores no Dia de Todos os Santos

Para os cristãos da freguesia, à semelhança do que acontece em todo o país, o dia 1 de Novembro é dia de ir aos cemitérios  de Travancas, Argemil e São Cornélio, enfeitar as campas e rezar pelas almas dos seus mortos.  Na oração, o caminho para aliviar a saudade. Vários são os filhos da terra, residentes nos centros urbanos e no estrangeiro, que demandam as aldeias da freguesia, para homenagear os seus mortos, embelezando campas, participando na missa dos fieis defuntos e na romagem ao cemitério.




Lavar, limpar, varrer, substituir as flores murchas ou de plástico por umas novas. Colocar os vasos ou arranjos nas posições mais adequadas.  Acender as velas...

Há quem faça esse ritual em duas ou mais sepulturas.


Há quem, de São Cornélio, vá ao cemitério velho e ao novo...


Para os de Argemil, com familiares sepultados nos dois cemitérios,  a romagem é dupla também


Para todos, o mesmo objetivo: ter a campa dos seus mortos enfeitada, estar com eles, matar saudades, pedir para que descansem em paz e que o Senhor os acompanhe. A fé dá força anímica a quem acredita na vida para além da morte.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Renascer

                         Ave Gabriel, mensageiro de Deus

Cruz da vida






Olhámo-nos, como num reencontro.
Sorrimos, e a alegria desvaneceu a dor.



Aqui jaz Pedro, amado filho, amado irmão


Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris
Lembra-te de que do pó viestes e ao pó hás de retornar


Bendito é o fruto da semente deixada






Esperança renascida




Com pernas para andar


 
Obrigado Senhor.


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Doçuras de Outono

Que rica marmelada!

Por estes dias de outono as senhoras de Travancas  andam atarefadas a fazer compotas, doce de abóbora e marmelada. O saber fazer doces é uma técnica que transmitem umas às outras e aperfeiçoam ano após ano.


Uma delas, a dona Juraci, cozinha muito bem. Das suas mãos saem saborosos folares e fumeiro.  Hoje trouxe cá a casa estes bonitos marmelos e uma marmelada feita por ela. Não resisti à gulodice e cometi o pecado mortal de comer logo uma fatia com pão. Soube-me tão bem!



À sobremesa do almoço repeti a dose mas em vez de pão comi a marmelada com queijo, como é habitual em Trás-os-Montes.



De tarde...  bom, de tarde ajudei a minha mulher a cortar os marmelos oferecidos pela nossa vizinha. Sendo rijos não é fácil cortá-los mas, a dois, foi rápido.
Como se faz a marmelada? Ficou-me no ouvido que se põe a mesma quantidade de açúcar e de marmelo e, para a cozedura ser mais rápida, se passa a fruta na varinha mágica.



A marmelada caseira ficou com esta cor. Quando perguntei  porque razão não ficou amarela como a da dona Juraci, a explicação que a minha mulher me deu é que pôs água a mais, levando, por isso, mais tempo a evaporar. Mas deve estar saborosa, com certeza!



A minha mãe também punha a marmelada em malgas e, tapadas com um papel, guardava-as numa tábua pendurada no teto da sala para os ratos não chegarem lá.

Certa vez, porém, descobriu que numa das malgas, por baixo do papel, não havia marmelada porque o "rato" do meu irmão, descobriu-se depois, tinha feito das dele.



Flor de marmeleiro




 A minha mulher guardou três dos marmelos. No dia seguinte,  cortou-os ao meio e levou-os a assar no forno. Antes, cobriu-os com açúcar e embebeu a cova da polpa com moscatel de Favaios. 


Mmmnh... mmmnh!!!  Que doçura de sobremesa ao almoço!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O meu pé de girassol



Habituado  a ver  girassóis em certos quintais  de Travancas e achando que a planta florida era um bonito elemento decorativo exterior da casa, semeei algumas a título experimental.  Germinou uma, que só se desenvolveu e floriu, quando comecei a regá-la com regularidade.






Van Gogh,  pintor holandês que aprecio,  é o autor de várias versões do quadro  Jarra de Girassóis, reproduzido  por jovens e talentosos pintores. Como não me passa pela cabeça de sonhar possuir um original, há anos atrás, numa rua de São Petersburgo, quis comprar uma bonita reprodução.  O negócio não se concretizou, porque quando voltei atrás para comprá-lo pelo preço que inicialmente recusara, o pintor pediu um valor mais elevado.





Desconhecedor da estrutura da planta de girassol, não estranhei ver o caule ramificar-se e na extremidade de cada ramo brotar uma flor amarela que, aberta, atingia um grande diâmetro. Só quando notei que as pétalas eram diferentes e que no centro da corola não se viam sementes acastanhadas, é que me interroguei se seria mesmo um girassol. Como não há nada que uma pesquisa na internet não esclareça, fui ao Google.



Embora diferente da variedade que há em quintais de Travancas - uniflor com haste única e uma flor terminal, a minha planta é também um girassol  - Helianthus annuus - dobrado, multiflor. Penso que a semente, da qual se extrai óleo de girassol, é utilizada, na aldeia, na alimentação de gado e de pássaros em cativeiro.


Há lendas que associam o girassol com fama, riqueza e sorte. Bem jeito dava, se não dava!