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quarta-feira, 26 de junho de 2013

As cerejas do senhor Ramiro

E o prazer de partilhar

Vive no Lar de Travancas mas é natural de Segirei, freguesia de São Vicente da Raia, onde tem familiares e cerejeiras.  O senhor Ramiro foi protagonista, há pouco tempo, de uma  bonita história de amor entre idosos, sem Happy End.
 

 
 
Mas a história de hoje é sobre o despojamento deste homem, que diz não ter medo de morrer. Há uma semana atrás, quando as cerejas de Travancas ainda não pintavam, ele, franzino mas rijo e lúcido, apareceu ao pé de mim dizendo:  -, abra a porta! 
 
 

Fiz o que disse e abri o portão do muro que separa o linhar da rua. Entregou-me então, num saco de plástico. mais de dois quilogramas de cerejas de Segirei, aldeia aconchegada num vale e  em cujo solo brotam águas termais.  "-São para si e a sua esposa. Diga-lhe que me lembro bem dela; tinha dois anos, quando trabalhava para a avó.
 
 
 
 
Nas mãos segurava mais sacos de cerejas, para presentear os demais vizinhos do bairro Além do Rigueiro. Penso que deve ter percorrido o povo, feliz, a fazer a distribuição, casa a casa, sem se esquecer dos companheiros residentes no Lar.
 
 
 
 
 
O gesto do senhor Ramiro, de partilhar as cerejas com os vizinhos,  lamentando que se percam aquelas que não são apanhadas, é revelador de uma louvável beleza de caráter que contrasta com o egoísmo e a ganância de outros.
 
 
 
 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Uma Mulher de Garra

Rostos de Travancas

Senhora dona Joaquina
Mulher destemida e determinada.


Frágil na aparência, mulher de força.


Forte, nos seus oitenta e tal anos, a picar a lenha.


Mulher de  tímida candura, nos sulcos da face, no olhar,  na voz...
´Mulher três vezes santa: na dor, no sofrimento e na alegria´.
Cecília Meireles


Homem da casa, depois de ter sido esposa, mãe e avó de entes ausentes.


Cargo pesado para mulher só, nem soberba nem humilde, mulher com dignidade.


Frases e poemas de Cecília Meireles
Poetisa brasileira



Pus-me a cantar minha pena
Com uma palavra tão doce
De maneira tão serena
Que até Deus pensou
Que fosse felicidade e não pena




Viajo sozinha com o meu coração.







Levo o meu rumo na minha mão








És precária e veloz, Felicidade.
Custas a vir e, quando vens, não te demoras.



Ils viendront!
Eles virão!


sábado, 1 de novembro de 2008

Os Velhos Homens de Travancas

Los antiguos hombres de la aldea



Ano, atrás de ano, viram as estações sucederem-se mais ou menos rigorosas, marcadas por sementeiras e colheitas, por festas e funerais.






Hoje ainda lembram Invernos de neve grossa que deixava as crias nas lojas e os cristãos bem acomodados, ao redor das brasas, com boa pinga e um salpicão no borralho…




Nesses dias, só os mais afoitos se aventuravam pelos campos, rasos de brancura, para caçar algum caçapo descuidado ou passar algum taleigo para Arçádegos, Flor de Rei, Terroso ...




A vida era dura e áspera a terra. Não poucas vezes a batata e o centeio mal davam para cobrir as dívidas de todo o ano. O pão era escasso e muitas as bocas. Por isso partiram, para terras de França. A salto, a maioria.



Económicos e trabalhadores, voltavam no Verão, aparentando outras posses. Tijolo a tijolo, ergueram as casas sonhadas. Animaram feiras e arraiais, cumpriram promessas com sincera devoção.
 


Regressaram de vez, com o coração dividido, porque os filhos ficaram longe. Então, tornavam-se grandes as casas novas … Com o passar do tempo, a ausência e a morte foram-lhes cerrando as portas e as janelas ... Mas outras se abriram, levando conforto e carinho a quem foi ficando só.







Envelheceram. As pernas um tanto perras não lhes obedecem como dantes.


Por isso ficam sentados na tarde soalhenta, numa sueca animada. E há um, de lado, quebrando as regras, que faz suspender o jogo a destempo: “Vós lembrais-vos duma ocasião em que os guardas prenderam uns treleiros com uns sacos de café, na Ribeira?”




Lúcidos, desfiam memórias e cortam vasas com gestos convictos.














Fotos : Euroluso
Texto: Mariana




quinta-feira, 23 de novembro de 2006

domingo, 19 de novembro de 2006