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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Pai Natal vai às cerejas

Para espantar pardais

Hoje colhi as cerejas.  Das cerdeiras do quintal só uma é que carregou bem.
 
 
 
No mercado de Chaves já as há à venda  desde há mais de um mês mas em Travancas, por a primavera começar mais tarde, as cerejas só amaduram em finais de junho, princípio de julho.
 
 
 
Para os pássaros foi um fartote durante a maturação das cerejas. Numa manhã de sol descobri que as debicavam mal começavam a pintar.
 
 
 
Em anos anteriores, quando telefonava ao Tó  e ele me dizia que os pardais tinham comido as cerejas, encolhia os ombros pensando que seria  um exagero. Este ano, contudo, vi o estrago que faziam num abrir e fechar de olhos!
 
  
 
Entretanto, ao passar na estrada, vi uma cerejeira com sacos usados para ensacar batatas. Parei o carro e desci para perceber. A dona Teresa explicou-me  então que esta era uma forma de salvaguardar as cerejas da  ação predadora da passarada.
 
 
 
Identificou pardais, melros, estorninhos e corvos como sendo os  principais predadores das cerejas. 
 
 
 
 
Além de se cobrirem as cerejas com sacos de batatas, também se penduram CDs nos galhos. O reflexo do disco "cega" os pássaros, mantendo-os afastados da árvore.
 
 
 
Já o David optou por cobrir a cerdeira com uma rede! Mas há quem ponha música com altifalantes!
 
 
 
Com tais exemplos, porque não por o boneco do Pai Natal, guardado na loja,  a fazer o papel de espantalho? Foi remédio santo! Diverti-me, a observar a reação dos pássaros. Chegavam lampeiros, em voo rasante, para debicar as cerejas mas, ao se aproximarem, batiam asas, levantavam voo e iam pousar na nogueira.  A maior parte das cerejas ficou salva!
 
 

 
A produção desta cerejeira, a primeira,  não chegou a duas cestas de batatas.  São de boa qualidade mas não são doces como as de Mirandela, compradas na feira de Chaves.
 
 

A cerejeira branca também deu uma mão cheia de cerejas! Curioso que a estas os pássaros não lhes chegavam!
 
 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

As cerejas do senhor Ramiro

E o prazer de partilhar

Vive no Lar de Travancas mas é natural de Segirei, freguesia de São Vicente da Raia, onde tem familiares e cerejeiras.  O senhor Ramiro foi protagonista, há pouco tempo, de uma  bonita história de amor entre idosos, sem Happy End.
 

 
 
Mas a história de hoje é sobre o despojamento deste homem, que diz não ter medo de morrer. Há uma semana atrás, quando as cerejas de Travancas ainda não pintavam, ele, franzino mas rijo e lúcido, apareceu ao pé de mim dizendo:  -, abra a porta! 
 
 

Fiz o que disse e abri o portão do muro que separa o linhar da rua. Entregou-me então, num saco de plástico. mais de dois quilogramas de cerejas de Segirei, aldeia aconchegada num vale e  em cujo solo brotam águas termais.  "-São para si e a sua esposa. Diga-lhe que me lembro bem dela; tinha dois anos, quando trabalhava para a avó.
 
 
 
 
Nas mãos segurava mais sacos de cerejas, para presentear os demais vizinhos do bairro Além do Rigueiro. Penso que deve ter percorrido o povo, feliz, a fazer a distribuição, casa a casa, sem se esquecer dos companheiros residentes no Lar.
 
 
 
 
 
O gesto do senhor Ramiro, de partilhar as cerejas com os vizinhos,  lamentando que se percam aquelas que não são apanhadas, é revelador de uma louvável beleza de caráter que contrasta com o egoísmo e a ganância de outros.