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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Estourotes de São João

Dedaleiras - belas e letais

São flores singelas, garridas,  que como pequenas campânulas, vão trepando em altos caules. 



Surgem no início do verão, por altura dos santos populares e  talvez por isso o seu nome esteja associado a um deles.



São plantas medicinais muito fáceis de encontrar, de preferência junto a muros ou vedações, ornato natural, inofensivo na aparência, mas altamente tóxico.


Iniciadas pelos mais velhos, as crianças cedo aprendiam a divertir-se com estas flores, em forma de dedal.


Arrancadas cuidadosamente, pressionando ligeiramente a parte superior, para reter o ar, faziam-se estoirar numa mão, num braço, na testa de um companheiro de brincadeiras.



Era tudo o que se fazia com os estourotes de São João. Nem o nome científico - Digitalis purpurea L. - nem os seus malefícios eram conhecidos. São flores sem perfume  que as abelhas ignoram. São bonitas, isso lhes basta.

Texto: Mariana


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O meu pé de girassol



Habituado  a ver  girassóis em certos quintais  de Travancas e achando que a planta florida era um bonito elemento decorativo exterior da casa, semeei algumas a título experimental.  Germinou uma, que só se desenvolveu e floriu, quando comecei a regá-la com regularidade.






Van Gogh,  pintor holandês que aprecio,  é o autor de várias versões do quadro  Jarra de Girassóis, reproduzido  por jovens e talentosos pintores. Como não me passa pela cabeça de sonhar possuir um original, há anos atrás, numa rua de São Petersburgo, quis comprar uma bonita reprodução.  O negócio não se concretizou, porque quando voltei atrás para comprá-lo pelo preço que inicialmente recusara, o pintor pediu um valor mais elevado.





Desconhecedor da estrutura da planta de girassol, não estranhei ver o caule ramificar-se e na extremidade de cada ramo brotar uma flor amarela que, aberta, atingia um grande diâmetro. Só quando notei que as pétalas eram diferentes e que no centro da corola não se viam sementes acastanhadas, é que me interroguei se seria mesmo um girassol. Como não há nada que uma pesquisa na internet não esclareça, fui ao Google.



Embora diferente da variedade que há em quintais de Travancas - uniflor com haste única e uma flor terminal, a minha planta é também um girassol  - Helianthus annuus - dobrado, multiflor. Penso que a semente, da qual se extrai óleo de girassol, é utilizada, na aldeia, na alimentação de gado e de pássaros em cativeiro.


Há lendas que associam o girassol com fama, riqueza e sorte. Bem jeito dava, se não dava!


quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Merendeiras


As merendeiras são flores cor-de-rosa, rasteiras, perfumadas.
O nome desta flor do campo é um regionalismo que não aparece no Houaiss, o dicionário mais completo da Língua Portuguesa.
Embora já as tenha visto na aldeia, fui encontrá-las em grande quantidade num passeio à Cota de Mairos e ao Santiago, numa destas bonitas tardes ensolaradas de início de Outono.












A floração das merendeiras tem início em Maio, quando os dias são maiores e noutros tempos principiavam as merendas para quem trabalhava no campo.






Alegria na convalescença
-Tanta merendeira! Há quanto tempo não as via!










Flores …












“Quem em Maio não merenda, aos Finados se encomenda”, diz o povo.





A merendeira é uma espécie de açafrão-bravo cujo nome científico é Crocus serotinus.







Em Setembro, no final de Setembro, com os dias mais curtos e o fim das colheitas, acabam as merendas e as merendeiras.
Mesa merendeira na Cota de Mairos






Ai flores, ai flores de verde ramo, Se saberes novas de meu amado? Ai, Deus, e u é? Dom Dinis, Rei Trovador