sábado, 8 de maio de 2010

Um São Miguel com chuva



O povo diz que pelo São Miguel costuma chover. Este ano foi assim. Mas felizmente, a chuva só começou a cair, depois de terminada a procissão.



Cheguei a Argemil um pouco antes da procissão começar. À porta do forno do povo, no bairro de igreja, encontrei um senhor a quem pedi licença para entrar. Afável, disse-me o que era o tendal, a borralheira e mostrou-me os cordeiros no espeto que estava a assar, para festejar em família a festa do São Miguel.



Depois, fui pela rua abaixo, em direção à capela. Pelo caminho vi este rebanho de ovelhas e não resisti a clicar no botão da máquina fotográfica, para guardar este lindíssimo quadro bucólico. Deus fez tudo tão belo e o homem, feito à imagem e semelhança do Criador,  prossegue a Sua obra, humanizando a natureza.




Cão pastor transmontano
Cão de raça autóctene,  reconhecida pelo Clube Português de Canicultura, possui patas grossas e é possante em adulto. Estes dois são o Puddy e a Lilly, de dois meses. O seu proprietário, dono do rebanho, também,  diz que  estes cães de guarda são meigos e afeiçoados ao dono.


A Princesa já me pediu um cão pastor transmontano mas, com pena minha, não lho posso oferecer porque sendo um cão  independente, habituado aos espaços livres, iria sofrer com uma trela e tornar-se agressivo,  se colocado num apartamento, na cidade.



Passei pelo largo onde há um belo e imponente bebedouro em granito, construído no tempo do Estado Novo, nos anos sessenta, do século XX.



No largo, alguns dos moradores já estavam à espera da passagem da procissão, para se lhe juntarem.


Outros, porém, continuaram rua abaixo, até à capela.



Descer ao núcleo urbano e antigo de Argemil, é como entrar na profundeza de um mundo  rural, ainda vivo. Esta vaca, deitada nas palhas, de olhar doce, não parece a vaquinha que colocamos nos presépios?


Garabelho em porta carral
Quando as portas não tinham chaves, era o trinco de pau que mantinha as casas franquiáveis. A grandiosidade da porta deixa advinhar ter servido de entrada e saída dos carros de bois, em casa de lavoura.


Perú, outro sinal de ruralidade



Capela de São Miguel Arcanjo, de onde saiu a procissão.


Reencontro no interior da capela. Serão amigas, vizinhas, por ventura parentes, não importa; a fé juntou-as, neste espaço singelo.


Povo e banda musical esperando a chegada do senhor padre Delmino.

Juventude, sempre informal, mesmo quando trajada a rigor.


Banda Musical de Vila Verde da Raia preparando-se para abrilhantar a procissão.  Vi esta associação musical, na  última Feira do Lázaro, em Verim, na Galiza, impedida de atuar, por causa da chuva. No São Miguel de Argemil teve mais sorte.



Saída da procissão. Velha imagem do andor de Nossa Senhora do Rosário de Fátima levada ao colo, julgo que por se ter partido, à saída da capela.



A procissão é encabeçada pela cruz, ladeada por duas lanternas, seguida da bandeira de São Miguel, padroeiro de Argemil.



A exemplo de anos anteriores, partiram da capela para a igreja os andores de São Miguel e de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, levados aos ombros por familiares e amigos de quem cumpria promessa.



Na estrada, a caminho da igreja.


Este ano, houve menos gente na procissão que no ano anterior. Será que foi por se realizar num sábado, dia em que alguns ainda trabalham no campo? Será por ter ameaçado chover? Ou haverá outras razões?



Chegada da procissão à igreja de São Miguel.



Andores dão a volta à igreja, no momento em que começou a chover. Não dá gosto ver o anjo guerreiro ser carregado por jovens?
À procissão seguiu-se a missa, tendo o padre que fez a homilia dado uma brilhante lição sobre os anjos Rafael, Gabriel e Miguel. A banda musical de Vila Verde da Raia, por sua vez, tocou diversas músicas religiosas. Gostei especialmente da interpretação da  Ave Maria de Schubert, tendo dado os parabéns, por esse fato, ao jovem maestro.


A festa cristã terminou. De tarde e à noite, teve lugar a 'festa da rua'.


À tarde atuou a banda musical de Vila Verde da Raia. O mesmo não pôde fazer, devido à chuva, o grupo musical SOMTEX, de Macedo de Cavaleiros, cancelando também a atuação noturna. Este grupo, contudo, só cobrou a deslocação, ao contrário de outro que, em circunstâncias semelhantes, na Festa do Senhor dos Aflitos de há dois anos, cobrou como se tivesse tocado.
Quando me desloquei a Argemil, pelas 22h30, debaixo de nevoeiro, encontrei a dançar um grupo de jovens, constituído por uns dez pares, desafiando o frio, a chuva e o vento. No café, em frente, a animação era outra!

Para ver a festa do São Miguel em anos anteriores clicar em 2008 e 2009

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Tanto aquece o sol como o borralho

... a três de maio

Cumpriu-se o ditado!
A observação da instabilidade do tempo nesta altura do ano, em que tanto pode haver dias de calor,  como geadas ou queda de neve,  deu origem ao conhecido provérbio. Hoje, 3 de maio,  esteve um dia de sol mas o tempo não aqueceu como em dias anteriores.



Pelo contrário, a temperatura baixou  nas terras da montanha, sem chegar, no entanto, à formação de geada. Com  o frio que se fez sentir,  não apeteceu andar na rua. O melhor, à noite, foi voltar a acender a lareira para aquecer ao calor do borralho. Temo, porém, o pior; que o frio, se persistir, queime os frutos em formação.



Os receios confirmaram-se. Houve zonas da freguesia em que a geada queimou rebentos e frutos. Pessoalmente dei conta de alguns estragos em nogueiras jovens e em ameixeiras.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ovídeo, enxertador










quinta-feira, 15 de abril de 2010

Feira do primeiro domingo do mês

No Largo de São Bartolomeu


Sabia que em Travancas se realiza uma feira mensal mas nunca tinha ido a nenhuma.













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terça-feira, 30 de março de 2010

Domingo de Ramos

Benção de Ramos e missa

O Domingo de Ramos, na liturgia católica, evoca a entrada de Jesus em Jerusalém, onde uma multidão o saúda com ramos de palmeira e o aclama dizendo: "Hosana! Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor, o rei de Israel!"


Em Travancas, desde há alguns anos que a benção dos ramos é feita no largo ao lado do Lar do Senhor dos Aflitos, para possibilitar a participação dos idosos a viver no lar.


Apesar de na cerimónia participarem paroquianos de Argemil, São Cornélio e Travancas...





Apesar de não chover, não fazer demasiado frio e de a hora de início da cerimónia, 10h45, ser boa para os menos madrugadores, fiquei com a ideia que este ano havia menos povo no largo, na procissão e dentro da igreja.


Os de Paradela bem pedem ao senhor padre para mudar a hora da missa de Ramos para mais tarde mas os de Travancas não parecem inclinados a fazer-lhes o jeito, alternando com eles a hora.


Encontrei o meu amiguinho!
O menino, agora no ciclo, veio ter comigo a dizer-me, satisfeito, que lhe tinham mostrado a foto do avô materno no blogue de Travancas da Raia. Entretido a tirar fotos não lhe dei muita atenção - nem lhe perguntei sequer como iam os seus estudos - mas fiquei agradado com a oferta do rebuçado que tirou do ramo.
Ainda gostava de saber como se enraíza entre nós a tradição de levar o ramo aos padrinhos e como este costume se relaciona com o Domingo de Ramos.

Boa disposição no final do dever cristão cumprido!

Os ramos benzidos são guardados para proteger a casa, uma mistura de prática cristã com superstição pagã.


São várias as crianças que carregam os ramos, sempre bem enfeitados.  Elas são a garantia de que as novas gerações vão render as mais velhas na manutenção da tradição.


Bonito ramo enfeitado com rebuçados e euros de chocolate.



Obrigado
Ao regressar da missa encontrei este ramo de oliveira à porta de casa. O meu bem haja a quem o lá deixou.

Uma perspetiva do Largo de São Bartolomeu