segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Santos de Travancas vão à cidade


Andores de São  Bartolomeu e São Cornélio participaram na procissão em honra  de Nossa Senhora das Graças, em Chaves, dia 19 de Setembro de 2010.







Quando o senhor padre perguntou na missa, se já tinham pensado nos andores, uma voz feminina respondeu-lhe, de imediato, que "De São Cornélio vai um"! Desconheço o que se passou posteriormente. Na procissão estiveram os andores de São Cornélio, padroeiro da aldeia com o mesmo nome, e o de São Bartolomeu, padroeiro da freguesia de Travancas.



Desde 2005 que, depois de uma interrupção superior a meio século, se organizam festejos em Chaves, em honra de Nossa Senhora das Graças, padroeira da paróquia de Santa Maria Maior. A participação dos padroeiros das paróquias do concelho é o objetivo dos organizadores.




Celebração da eucaristia no Jardim Público, domingo à tarde. À mesma hora,  outros escolhiam o lugar onde ficar, para ver passar a procissão.



E ali ao lado, um grupo de amigos jogava às cartas, indiferente à cerimónia religiosa.



Seis bandas de música abrilhantaram a festa.




A procissão saiu do Jardim Público, passou pela Madalena e dirigiu-se para a Ponte Romana



No São Tiago vai à vinha e encontras bago! - disse-me o senhor Abílio Rodrigues, de Tronco, para justificar a existência do cacho de uvas. na mão do santo. Nunca vi uma procissão com tantos andores. No entanto ouvi dizer que em 2009 havia para cima de oitenta. enquanto este ano seriam apenas quarenta e seis.


Padroeiro da freguesia de São Bartolomeu de Travancas, acompanhado por fieis das aldeias de Argemil e Travancas.



Residentes e naturais de São Cornélio, na companhia do padroeiro da aldeia.



O termo da procissão foi a igreja matriz de Chaves, ao lado da qual se realizou a cerimónia de encerramento.


Oito militares do Regimento de Infantaria de Chaves - RI 19, carregaram o andor de Nossa Senhora das Brotas, cuja capela está no largo da antiga prisão, no Forte de São Neutel.


Até hoje,  via São Bartolomeu como padroeiro de Travancas; São Miguel, de Argemil; São Cornélio, como patrono da aldeia que leva o seu nome e Nosso Senhor dos Aflitos, como padroeiro da freguesia. Essa visão, aprendi agora, não é correta!



Sendo São Bartolomeu o padroeiro da freguesia, entendo o motivo pelo qual os de Argemil estiveram com os de Travancas a acompanhar o andor.



Irmanados na fé, separados na ação! São Cornélio, levando o seu próprio andor, demarca terreno e autonomiza-se  relativamente à sede da freguesia. A aldeia cresceu muito em número de casas. Já antes, há uns vinte anos atrás, ter cemitério e igreja nova foram sintomas da vontade, determinada,  da aldeia construir identidade própria.







Paroquianos de Travancas, em cima, e de São Cornélio, na foto de baixo, felizes na relação com o Senhor.










A mesma fé, as mesmas flores, diferentes na cor!



Para o ano, mercê de Nossa Senhora das Graças,  os  santos padroeiros descerão de novo a montanha e hinos de júbilo soarão  nos céus de Aquae Flaviae!





segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Senhor dos Aflitos 2010

Três dias de festa!















A festa, feita em conjunto pelas três aldeias da freguesia, começou no sábado à noite, com a procissão das velas, desde a igreja paroquial, até à capela do Senhor dos Aflitos.




Os Lobos
São ciclistas BTT de Chaves. Passaram por Travancas, no domingo de manhã, a caminho da praia de Segirei. Encontrei-os no Café Central.

Entre eles estava o conhecido pintor flaviense Mário Lino, cuja obra aprecio pela qualidade plástica e por retratar "o povo transmontano". Foi graças a ele que Os Lobos, incluindo neles uma jovem, aceitaram posar, de bom grado, para o blogue Travancas da Raia.



Nós, os transmontanos, quando é festa, é sempre farta a mesa!



Este ano a procissão passou diante do lar da terceira idade e do nicho de São Bartolomeu. Acompanhei-a até meio do percurso. Depois, como saí de Travancas, não assisti ao leilão, ao arrraial e à descarga de foguetes.






Como habitualmente, integravam a procissão,  - abrilhantada pela banda de Perafita, concelho de Montalegre - andores do Senhor dos Aflitos, de Nossa Senhora de Fátima, de Santa Bárbara e dos patronos de cada uma das três aldeias da freguesia.


Terceiro dia de festa


Apesar de segunda-feira ser dia de trabalho, muita gente passou, durante a tarde, pelas tascas dos mordomos para beber um copo com amigos e familiares.



A atração da noite foi a Jessica, acordeonista natural de Argemil. Antes dela, a assistência, bem composta, ouviu e bailou modas que falam de amor.

Susto ao amanhecer


Sino a rebate acorda aldeia


É fogo! É fogo!
Travancas dormia, a descansar do arraial do Senhor dos Aflitos, quando o sino da igreja paroquial, tocando a rebate, tirou da cama, sobressaltadas, as gentes da terra.



Foi tudo a correr, alguns, aos gritos, na direção de onde se avistava o fumo. As mulheres, na primeira linha, carregam baldes de água para apagar as labaredas.  Vivem-se momentos de grande tensão e medo. Invoca-se o Senhor dos Aflitos.



Numa onda espontânea, de solidariedade entre vizinhos, todos saem de casa com uma ferramenta para ajudar no combate ao incêncio.



Os mais destemidos lutam sem tréguas contra o fogo, para salvar bens, animais e pessoas.



A população foi apoiada, posteriormente, pelos bombeiros de Chaves, destacados em dois carros de combate.



Às sete da manhã já o fogo estava sob controle.  Alguns começaram a regressar a suas casas, aliviados.


Agentes da Guarda Nacional Republicana tomaram conta da ocorrência e um trator fez regos no restolho para evitar a propagação do incêncio, caso se reacendesse.




Arderam os fardos do senhor Eduardo, cerca de duzentos, e duas árvores em criação, ao lado do seu armazém e da sua casa.



Os danos materiais poderiam ter ser sido maiores, se o alarme não tivesse sido dado no início do incêndio  e o povo não tivesse acorrido, com prontidão e eficácia.



Consta que um guarda de Argemil, regressando do trabalho, viu o fogo e terá alertado um vizinho do senhor Eduardo, que dormia profundamente.




De manhã, não se sabia ainda a origem do incêndio. Presumia-se que não estivesse relacionado com o fogo de artifício do Senhor dos Aflitos. Terá começado a arder, primeiro, o monte de lenha ao lado dos fardos, aventando-se a hipótese de ter sido alguém a largar no local uma ponta de cigarro acesa.



Regando as couves, plantadas dias antes, com as folhas crestadas pelo calor das chamas.



Desde os primórdios da humanidade que o fogo, fonte de luz e calor, é considerado um símbolo sagrado e temido pelo seu poder destrutivo.  O susto que causou em Travancas passou; na memória ficam momentos de angústia.



sexta-feira, 27 de agosto de 2010

São Bartolomeu 2010

Patrono da aldeia



Travancas tem duas festas muito próximas. A 24 de agosto festeja-se o padroeiro, São Bartolomeu; e no último domingo do mes, o Senhor dos Aflitos, festa da freguesia partilhada com  São Cornélio e Argemil.




Um sol radioso iluminou Travancas desde a manhã do dia 24. Acordado ao som da marcha

"Ó Chaves nobre cidade
Pelo Tâmega beijada
Deixas sempre uma saudade
Terra linda… Terra amada!"

fui até ao Largo de São Bartolomeu, local de onde vinha  a música Por lá ia passando quem se dirigia ao Café Central ou tomava o rumo da igreja, para a missa do padroeiro. Na aparelhagem cantava-se   "Mais chegadinho é bom! Mais chegadinho é bom!" 



Início da procissão
As confissões, feitas por três sacerdotes, não evitaram que a missa começasse atrasada. Mas, as  mulheres, mais que os homens, foram muitas a confessar-se. Alguém sabe explicar a que se deve a desproporção? 





Tradicionalmente, o andor de São Bartolomeu dá a volta à igreja mas, este ano, deu a volta ao povo, passando diante da casa de quem pagou a promessa.




Os homens dos pendões não são sempre os mesmos. Hoje veio-me à memória a imagem do senhor Acúrcio a levar a bandeira...



Diante do Lar da Terceira Idade, uma oração. Antes, a procissão também parara no nicho do padroeiro situado no Largo de São Bartolomeu.




Regresso à igreja
Os dois rapazes, com almofadas colocadas aos ombros, aguentaram bem o peso do andor. Ao vê-los, colaborantes nas ativdades religiosas ou participando nos trabalhos do campo, interrogo-me até quando vão ficar na aldeia.


Senhor padre Delmino a rezar, no adro, as orações com que finda a festa religiosa do São Bartolomeu.



Arraial


Durante a tarde a música não parou de tocar. À noite, o arraial foi abrilhantado por um conjunto que pôs velhos e novos a bailar as modas. A festa foi rija, o tempo ajudou, não se cumprindo a tradição de o São Bartolomeu ser dia de chuva.