segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Geadas e mais geadas



 Desde há uma semana, que todas as manhãs, Travancas acorda coberta de geada.

Couves e nabiças vão ficando queimadas...

Parece neve mas é geada. Foto tirada quando o dia já ia a meio.

Durante a noite a humidade infiltra-se na terra e congela...

Formando agulhas de gelo com 4 cm de altura,
...coroadas no topo com grãos de terra.
Nunca tinha presenciado fenómeno idêntico.


Camada de gelo com 3 cm de espessura, efeito de sucessivas geadas. Flocos de neve começaram a cair às 15 horas, tudo levando a crer que hoje tenhamos a primeira nevada de 2010-2011.






Flores do jardim resistentes às geadas.



domingo, 28 de novembro de 2010

Cores de Outono

Em Travancas...

Outono, estação das castanhas, romãs, marmelos, dióspiros...


Meu amor!  Meu amor! Outono vem...
Florbela Espanca


Caminhada


O chão vai-se cobrindo
de pequenas folhas envelhecidas
ora amarelas ora tingidas
de verde, castanho, vermelho se esvaindo.
António Barbosa


Recordo-te como eras no último outono.
Mais além de teus olhos ardiam os crepúsculos.
Folhas secas de outono giravam em tua alma.
Pablo Neruda



Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.

Cecília Meireles


Encontrei uma folha,
uma folha amarela,
que a cair veio,
pousar na janela.
Ela brincou comigo
e eu brinquei com ela.
Encontrou um amigo,
esta folha amarela
educacaodeinfancia.com


Áureos tons da natureza.... paleta das mãos de Deus...
Tanto amor, tanta beleza, preenchendo os olhos meus...
Oriza Martins


Chanson d'automne  / Canção de outono

Les sanglots longs  /  Os soluços longos
Des violons  /  Dos violinos
De l'automne /  De outono
Blessent mon coeur  /  Ferem meu coração
D'une langueur / De um langor
Monotone. / Monotônico
Paul Verlaine


O renovar das estações é necessário à natureza,
Assim como o renovar da esperança em nossos corações...
Oriza Martins



“Quem planta no outono leva um ano de abono”.


Se tu viesses ver-me hoje à tardinha
Florbela Espanca


Energia, amiga do ambiente!

Em São Cornélio...


Plantação de castanheiros prolifera nas aldeias da freguesia


Cogumelos venenosos



Tapete de folhas caducas


Cogumelos venenosos

Souto para produção de madeira


Caminho alcatroado, no início de novembro, até à estrada.


Vistas largas: Mairos, Vale do Tâmega e Serra do Larouco


Aldeia de montanha


Vale Grande coberto pelo nevoeiro 


E em Argemil...


Cruzeiro em honra de N. Sr. do Socorro, à entrada de Argemil


 Terra raiôta e serras galegas coroadas de neve


Bucolismo: nabal, souto e rebanho de ovelhas...


Em uma tarde de outono


Guardador de gado e cão de gado transmontano



quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Lume, Castanhas e Amigos


Pelo São Martinho, "lume, castanhas e vinho", diz o ditado.  O dia oficial do santo é a onze de novembro mas as festas, convívios e magustos estendem-se pelo mês fora, coincidindo, grosso modo, com a época da apanha da castanha. Este ano, o mês de novembro em Travancas, proporcionou-me magustos à lareira  na companhia de amigos.





Com um casal da Terra Quente, apanhei castanhas num souto, para comermos, assadas,  e para levarem. Na zona deles, terra de amendoais e olivais, não as há.



A produção de castanha, em Travancas, este ano é menor mas a qualidade é boa, na opinião do meu vizinho Tó Ribeiro e de outros agricultores.



Aqui no planalto, da Bolideira a Travancas, o mês de novembro é bastante frio. A noite passada caiu uma grande geada e o serviço de meteorologia prevê queda de neve, antes do fim do mês.  Anoitece às 17h30.  O lugar  de maior aconchego da casa, nesta altura, é junto à lareira, onde, por vezes, se contam histórias de bruxas e se recordam tempos de juventude.


Foi o que aconteceu, durante o magusto, em casa dos irmãos Tomé - Dari, Zeca e Tó. A forma tradicional de assar castanhas numa fogueira, feita na rua, é cobri-las com caruma, por baixo da lenha. Todavia, na Feira da  Castanha de Vinhais  e em magustos públicos, já se usam assadores de castanhas gigantes, similares aos usados nas nossas casas. Na Feira dos Santos de Chaves, os assadores eram vendidos este ano a quinze euros. O Tó e o Zeca além de usarem o assador metálico, pendurado na cremalheira, por cima das brasas, cobrem as castanhas com folhas de couve.


A técnica resulta. Abafadas, ficam assadas com o calor do lume e o vapor retido pela couve.  As castanhas, da variedade longal, acompanhadas com vinho moscatel, em vez de jeropiga ou água-pé, estavam saborosas.  Para o ano haverá mais!

Quem também passou por Travancas foi a Princesa, brindada, em casa, com um magusto. Ela e o P tiveram pouca sorte; durante a curta estadia apanharam  frio e chuva.  Mesmo assim gostou e prometeu voltar.


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Magusto do Lar

No dia de São Martinho


O Lar do Senhor dos Aflitos organizou hoje, dia 11 de novembro, um magusto, aberto a familiares e amigos dos residentes  no lar.



Quando cheguei, perto das 15h30, já os utentes, sentados, aguardavam pelos bilhós, numa sala com mesas postas, e decorada para a festa. Nem todos são da freguesia.

No forno do povo, entretanto, a azáfama era grande.


Nele e num grelhador, assavam-se bifanas, costelinhas, salsichas frescas, sardinhas e castanhas - metidas em tabuleiros e empurradas, com um rodo, para dentro do forno, pelo senhor Gustavo de Argemil .




A fazer bilhós - descascar as castanhas assadas


Distribuindo os bilhós.

Impressionou-me a calma que se respirava no lar.

Dona Ofélia alimentando uma utente

Senhor Alexandre, da Aveleda


Dona Teresa Pires, de Calvão


Senhor José Manuel Videira, de Dadim, abraçando carinhosamente a esposa, dona Socialina dos Anjos.  Veio visitá-la ao lar.

Dona Francina de Argemil, membro da direção do lar. Há quinze dias, quando andava a apanhar castanhas, caiu e partiu o braço.

Dona Luisa, de Argemil e dona Hermínia, de Travancas. Esta senhora tem também duas irmãs, mais velhas,  no lar.

Senhor Cassiano e esposa, dona Adozinda, de Travancas


Senhor Miguel, de Tronco. "Cantoneiro em Lebução durante trinta anos".

Dona Celeste da Conceição de Melo Trinta, de Santa Cruz da Castanheira. Bem disposta, cantou no final do magusto.


"Meninas jeitosas e bonitas", Cristina e Susana, animadoras, naturais de Paradela e Casas de Monforte. Uma delas está a fazer estágio no lar.

David com a animadora



Anúncio de cabaz de Natal. O sorteio será realizado dia 23 de dezembro.



Apesar de haver muita comida em variedade e quantidade...

 ...houve visitantes, como a Dona Natércia, que levaram doces feitos em casa.


À mesa, comendo saboroso caldo  verde,  com os senhores Gustavo, capitão e... 


Aniversário do Senhor Padre Delmino


Na última missa dominical achei graça o senhor padre comentar, a propósito da obrigatoriedade dos bispos resignarem aos 75 anos, que a lei canónica também deveria abranger os padres. Resignando, que alternativas se vislumbram à continuação regular da prática religiosa comunitária nas suas paróquias?


A direção do lar homenageou o senhor padre, no dia do seu 74º aniversário.


Parabéns, senhor padre Delmino, nesta data querida...


Muitas felicidades, muitos anos de vida.


Cumprimentos, beijinhos e abraços.


Depois, antes da despedida, o senhor padre cortou o bolo e bebeu-se espumante, bem bom. 


Já tinha entrado anteriormente no lar mas nunca, como desta vez, me senti à vontade para meter conversa com os residentes. Descobri que alguns gostam de conversar e ficariam mais tempo a falar comigo, se estivesse disponível para os ouvir e me dar a conhecer. Em 2011, Ano Europeu do Voluntariado, quem sabe se não volto, com mais disponibilidade, para estar com quem tem sede de viver!

Gato abandonado, adotado pelo lar

Histórias
Quem gosta de se sentir abandonado?

Antes do meu tio António morrer, aos 93 anos, viúvo e sem filhos, quando viajava entre Travancas e Lisboa, costumava visitá-lo, em sua casa, na Mealhada e depois, no lar, na Figueira da Foz. Esse desvio de rota era aproveitado para saborear o leitão à Bairrada na churrasqueira Rocha. Apesar de serem visitas de médico, recordo que ele, de tão satisfeito que ficava, dizia aos vizinhos, aos utentes e funcionários do lar que o sobrinho o tinha visitado. A minha visita ou a de amigos que conheceu no Lobito deixavam-no feliz.  Alimentava a sua auto-estima dando a conhecer aos outros que tinha família e amigos que o procuravam.