domingo, 17 de abril de 2011

Parabéns Júlia


A Júlia, depois da sentida morte da mãe, em 19 de abril de 2007 - ver livro de memórias, a Chave do Paraíso -  e do óbito do pai, foi para o Lar do Senhor dos Aflitos, onde ganhou alento para continuar a vida com alegria.


Neste  sábado de Ramos, longe dos irmãos, residentes no estrangeiro, quis festejar mais uma primavera na companhia dos utentes do lar, primas e alguns amigos.



O "Capitão" e a dona Ofélia, zelosa funcionária do lar que se ocupou da preparação do lanche, fizeram questão de a convidar para posarem juntos.



Saboroso bolo de aniversário confecionado na padaria de Tronco.


O leitão, assado num talho de Chaves, estava super delicioso, igualando o que de melhor se prepara na Bairrada.



No momento de apagar as velas


Parabens a você...


Nesta data querida...


A contagiante alegria da Júlia


Presença discreta e eficiente da diretora do lar


A festa termina com brinde de champanhe francês



domingo, 10 de abril de 2011

Lázaro Primaveril

Travancas coberta de luz e flores


Em Travancas, a primavera chega sempre duas a três semanas depois do equinócio de março. Descendo para a veiga de Chaves vê-se como a altitude atrasa a germinação e a floração. Quando na cidade já floriam camélias, aqui, no "planalto ecológico", a vegetação parecia ainda em estado hibernal.





 Hoje, domingo de Lázaro, está um dia radioso. Aliás, o tempo ensolarado tem sido uma constante na última semana.

As árvores de fruto cobrem-se de flores

As primeiras a florir foram as ameixeiras. Seguiram-se as pereiras e agora é o tempo das cerdeiras florirem.  As últimas a florir são as macieiras e os marmeleiros.

Oxalá , depois deste tempo soalheiro, não venha alguma geada ou nevada que queime os frutos.



Lilases e outras plantas ornamentais também ganham verdejante folhagem e florescem.


Feira mensal

Realiza-se nos segundos domingos de cada mês, este ano coincididente com o domingo de Lázaro.

Antes de missa havia bastante gente às compras.

"Sessenta pares de meias, cinco euros". Compradores não faltaram!


Vir de Fafe a Travancas para vender móveis deve compensar porque o vendedor não falha uma feira!

Fashion!
Uma estreia no espaço da feira, a venda de quadros pelo pai do Luis, jovem pintor de Argemil.

Flor de macieira do largo de São Bartolomeu. Dão maçãs de boa qualidade, segundo a senhora dona Maria, que se queixa de os rapazes as estragarem.
 

Vista do Café Central

À saída de Travancas

O  yellow car já tem companhia!



Das flores de jardim, os jacintos são os primeiros a florir. Nesta altura já há poucos,


Com esta vista até apetece passear. É o que vou fazer!






segunda-feira, 21 de março de 2011

Primavera Raiana

Em Argemil
Apesar do recenseamento estar ainda a decorrer, a observação, ao acaso, nas três aldeias da freguesia, permite prever que Argemil é onde a estrutura etária se apresenta menos envelhecida. 



Primavera da vida é bonita de viver
Na aldeia residem vários casais em idade de procriar e algumas dezenas de menores de dezoito anos. Tinha indícios de a taxa de natalidade ser mais elevada que em São Cornélio e Travancas mas foi uma agradável surpresa ver tantas crianças e adolescentes juntos, no campo do jogo da bola!



Flor de ameixeira
Sábado foi o Dia do Pai. A Princesa telefonou-me de manhã a desejar-me um dia feliz e à noite a perguntar como o passei. Sozinho, em Travancas, fui ao cemitério e ocupei o "meu dia" primaveril a mexer na terra. Foi um dia de São José, como tantos outros, de rotina, em que nada fica para recordar.


Hoje,  dia do Senhor, mais um dia de sol primaveril. Depois do almoço peguei na bicicleta e fui até Argemil, com o objetivo de deixá-la no Café do Amaral  e ir, a pé, ao posto de vigia florestal, distante alguns dois quilómetros.

O senhor Modesto, no entanto, ao saber da minha intenção, levou-me de moto até lá.


A este vizinho, motoqueiro, filiado no Clube Motard de Chaves, corre-lhe nas veias o gosto pela aventura.


A 1060 metros de altitude tem-se uma vista panorâmica de 360º graus. Olhando para norte, reconheço as aldeias galegas de Florderrei e Terroso.



A aldeia é São Vicente da Raia. Mais distantes, os contrafortes da Manzaneda e da Sanábria.


Percorridos, pelo olhar, os quatro pontos cardeais, entretido a identificar as serranias, desci do posto de vigia florestal e concentrei-me na observação da flora, à procura da primavera vegetal.


Carquejas e tojos, embora endémicos, ainda não floriam. Flores campestres, de pétalas abertas, só uma ou outra, mais resistente ao frio.


Desci a encosta pelo caminho de terra batida, ladeado de campos de centeio, e fui ter com os jovens que jogavam à bola num campo perto do pinhal.



Futuro incerto
Quase todos são benfiquistas! Portistas, havia dois ou três; sportinguistas, nenhum. No processo de reprodução social, ficarão na terra,  ou seguirão os caminhos da emigração?


Regresso a Travancas


Os dias ensolarados aceleram a germinação e floração.


Mas são enganadores, com o tempo incerto há vegetação que não resiste a geadas de maio.



Quarta-feira já se prevê o regresso de chuva e frio.

Mas a primavera é assim: "Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover".



domingo, 20 de março de 2011

Fontes de São Cornélio

O tempo dos cantarinhos



Fonte do forno
Na aldeia existem duas fontes, em dois recantos bonitos, que me passaram despercebidas, na primeira visita que fiz.  As fontes, além de serem lugares onde a população se abastecia de água, eram um importante espaço social no desenvolvimento das relações de vizinhança. Hoje, sem utilidade, estão abandonadas, até que sejam consideradas como património  cultural que deve ser preservado.

Noutros tempos "As raparigas iam à fonte, empeneiradas com o cantarinho e os rapazes lá estavam à fala com elas".

Antigamente os vizinhos limpavam a fonte, tiravam as ervas.

A água era muito boa e fresca. Às vezes, no verão, faltava.


Casa restaurada  e fonte do forno ou do mergulho, frente a frente.



Do tempo da pedra  à roda motorizada.


Fonte do carvalho
Fica atrás do lavadouro, por baixo do carvalho. É pena o lavadouro ser inestético porque o espaço envolvente e a paisagem são bem bonitos.


"Hoje ninguém quer esta água"

Este carvalho tem alguns 50 anos? Pergunto.
-Bô, tem mais de cem, mais de duzentos, até!

Bebedouro
Água trazida da mina do povo. A bica, início do fim das fontes. A água canalizada, nas casas, foi o passo seguinte.

À fala com três dos moradores
Não sou de cá, sou de Argemil!

Conheceu o avô Benedito. "Fui contrabandista", disse-me.


Trabalho comunitário
Desempregado, o senhor Valdemar pinta, neste sábado primaveril, as alminhas de que a sua sogra toma conta.