quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Tempo de Matanças'11

Já se comem alheiras novas


As matanças, iniciadas em novembro,  continuam na freguesia, embora haja quem tenha ido à Castanheira comprar a ceva morta, chamuscada e pronta para o desmanche. Não é o caso da dona São que, como faz fumeiro para vender, voltou a matar três porcos; e não se fica por aqui!



Quando fui a sua casa buscar o fumeiro encomendado,  tinha à lareira dois potes de ferro.



Num, cozia o bucho ou butelo, envolvido num pano, para proteger o recheio, onde predominam as costelinhas.




Noutro estava o balho, cortado aos bocados,  a ser rijado. Fritos na própria gordura, os rijões, bem tostadinhos, ficam prontos a satisfazer o apetite dos mais exigentes.




Entretanto, o senhor Zé Pinto já tinha preparado uns aperitivos de soventre e passarinha (baço) muito apetitosos.



Em casa da senhora Áurea, também se petiscou depois da matança, com boa pinga a acompanhar.




'Pão de alheiras' - Pão trigo, com menos fermento.





Lareiros de alheiras a secar
As alheiras são feitas com pão amolecido em água de cozer as carnes -  couracha e outras, bem desfeitas, temperadas com bom azeite, onde se refogaram uns dentes de alho. Há quem ponha também carne de galinha nas alheiras, uma das maravilhas da gastronomia transmontana.


Salpicões, alheiras, linguiças, bucheiras, butelos e salsichões à espanhola!


Alheira já no prato... uma delícia!


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Há Kiwis em Argemil

Descoberta fruta da moda

Há menos de vinte anos, a maioria dos portugueses não conhecia o quivi, fruto originário da China,  mas cultivado e comercializado em larga escala, a partir de meados do século XX, na Nova Zelândia, país que lhe deu o nome de kiwi, designação pela qual  ficou a ser mundialmente conhecido.


Quando começou a ser importado, o quivi era a fruta coqueluche dos consumidores portugueses. Agora até já é cultivado em Argemil, deixando o senhor Amaral satisfeito, com o sabor doce e aromático dos frutos colhidos na sua plantação doméstica.



Planta de quivi carregada de frutos,  no quintal. Só ao fim de uns quatro anos é que a planta começa a dar frutos em grande quantidade.


O senhor Adamastor também tem uma plantação  de quivis à volta da casa. A planta é uma trepadeira, com crescimento orientado, como se faz à videira de latada. 



Quivi, um fruto exótico, cuja plantação é feita através de sementes e mudas enxertadas. Planta de clima temperado, suporta geadas e requer chuvas abundantes. Minho, Douro e Beira Litoral são as regiões de maior produção em Portugal.


Depois de dar a provar um  fruto da sua produção caseira, o senhor Amaral ofereceu à Princesa um ramo de quivis que acabaram de amadurar em casa.



Quivis consumidos em salada de frutas. 
Também acompanham pratos de carne assada, tal como as rodelas de laranja. No entanto, há quem prefira raspá-lo com uma colher, cortado em duas metades, e comê-lo como quem come iogurte. Seja qual for a opção, é um fruto saboroso que veio para ficar e se enraízar, nos nossos hábitos alimentares.



terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Santa Luzia sem Neve

Nem pró outro dia


Orjais, freguesia de São Vicente da Raia





Para que quero eu os olhos,
Senhora Santa Luzia,
Se não vejo o meu amor,
Nem de noite nem de dia.

(Popular)


Santa Luzia tem uma capela em Orjais, onde o senhor padre Delmino apenas vai rezar missa em ocasiões especiais, como domingo passado, para celebrar, antecipadamente, a festa da padroeira da aldeia, a única nas terras altas da raia flaviense. A capela da santa, mais próxima desta, fica nas Nogueirinhas.




Estive em Orjais na véspera, para conhecer o programa da festa, limitado à missa com procissão à volta da capela e música, no  alto-falante.




Já me apetece ver neve mas receio que este ano não se cumpra o provérbio

Se não neva na Santa Luzia
neva pró outro dia



Névoas e chuva é o que temos!




Feira do 2º domingo de Dezembro

Feira animada, antes da missa, com a chegada dos de São Cornélio e de Argemil.


Feira transfronteiriça! Desta vez andaram por cá uns galegos a tirar fotos e a comprar foles.


Como todas as feiras, a de Travancas é um espaço de relações sociais.


Além de ser um lugar onde se vai às compras.



Calcetamento novo

Está a ser calcetada a rua que vai do Largo de São Bartolomeu até ao Lar de Nosso Senhor dos Aflitos




Tempo de Matanças

Arquivo
"Hoje matou a Áurea" - Todavia, para as carnes enrijarem, seria melhor se estivesse mais frio, comenta o meu vizinho.


 Rijões, pão centeio e vinho. Que bom petisco!




sábado, 3 de dezembro de 2011

Rocas ao Jantar

Apanhando cogumelos

Rocas assadas ns brasas 
Se à diversidade de cogumelos acrescentarmos as designações locais, torna-se complicada a um leigo, a tarefa de  distinguir as diferentes espécies de cogumelos comestíveis.  Entretanto, espero um dia, ficar apto a identificar corretamente mijacões, míscaros, tortulhos, rocas,  rocos ou roques, frades, cardielas, boletos, sanchas...



Durante a estadia da Princesa em Travancas, fomos os dois à apanha de cogumelos. Da primeira  vez fomos às Favas, onde há dois anos tinha estado com o Zeca e o senhor Delmar.


Nos lameiros por onde andámos, apenas encontrámos este cogumelo comestível, ainda com o chapéu por abrir.


Depois, no vale da Bouça....


...vimos lindos cogumelos.



Cogumelos...  venenosos!



No dia seguinte, fomos à Regada. Estava uma linda tarde de sol.



Nada de cogumelos nos lameiros.


O encontro com o senhor Manuel Pinto, pastor de Travancas, serviu para uma troca de palavras sobre gado ovino.



No fim da conversa, mostrou-nos uma roca, a única que apanhámos, durante toda a tarde.


A pouca sorte na apanha foi compensada  pela vista de diferentes tipos de cogumelos não comestíveis.








Bonitos cogumelos presos a uma giesta.





Na nossa caminhada, passámos pela  capela do Senhor dos Aflitos e subimos a encosta, em direção a Roriz.



Nem na touça vimos cogumelos comestíveis.






De lá fomos à Ribeirinha e depois subimos por um caminho que vai dar à capela do Senhor do Socorro, em Argemil. No regresso a casa, tínhamos uma grande cesta, para guardar uma roca!


Cogumelos apanhados em duas tardes. As rocas são os mais vulgares mas bastante saborosas. Antes de serem postas nas brasas, são lavadas. Depois de assadas, são temperadas só com sal e azeite.



Saborosa entrada de rocas assadas, ao jantar.



Dias depois...


A esposa do senhor Manuel Pinto, à saída da missa, disse-nos que o marido, pastor que tínhamos encontrado no dia da apanha  de cogumelos,  tinha guardado em casa um saco deles, para no-los oferecer.


Algumas das rocas e dois grandes tortulhos, gentilmente oferecidos.


Os tortulhos, por serem mais raros que as rocas, têm um valor comercial mais elevado. Aprendi que a parte inferior do chapéu, lisa e mais escura, não é comestível.


Os cogumelos, assados nas brasas ou guisados com presunto, numa panela, em azeite da Terra Quente, são um delicioso manjar. Contudo, de acordo com mestres de culinária, perdem o sabor natural,  quando são demasiado condimentados.



Rico jantar!
Senhor Manuel Pinto, obrigado!