quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Capital da Batata volta à estrada

Painel vandalizado foi restaurado
 
 Foi reposto pelo Beto, dia 5 de agosto,  junto à casa do David, o painel  "Travancas, Capital da Batata". O título, que orgulha os habitantes, é bem merecido, não fosse a freguesia ser grande produtora de batata, como é sobejamente conhecido.
 
 
 
 
Este tubérculo foi, durante muito tempo, a principal fonte de riqueza da freguesia, tendo ajudado algumas famílias a ter rendimento para mandar os filhos estudar em Lisboa, Porto e Coimbra.  A batata aqui produzida, de excelente qualidade, também faz parte dos hábitos alimentares das gentes da terra.
 
 
 
 
 
O painel, ora reposto, depois de ter sido vandalizado, dá visibilidade à freguesia e contribui para que não se apague da memória  o passado de Travancas, enquanto grande centro produtor de batata de semente e de consumo. Se a ruinosa PAC - Política Agrícola Comum -  algum dia for desmantelada, Travancas  e as freguesias do Planalto da Bulideira estarão aptas a voltar aos tempos áureos da produção!
 
 
  

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Circo na Aldeia

Pantomineces da era moderna


Antes da existência de transmissões televisivas e eletricidade nas aldeias, a chegada dos pantomineiros provocava grande reboliço nas comunidades rurais.  Um palheiro, atulhado de adultos e crianças, servia de palco improvisado.  Os artistas de agora não são andarilhos nem andam de burro; chegam em roulottes.
 


Ontem à noite o Bruno Circus apresentou um espetáculo no Largo de São Bartolomeu.  Durante o dia, o casal de Aveiro montou o palco, instalou cadeiras, carrinho de pipocas e fez a instalação elétrica. Hoje segue para outra aldeia. Durante o mês de agosto vai calcorrear os concelhos de Chaves e Valpaços.




Alguns adultos e dezenas de crianças, filhas de emigrantes, a passar férias na terra dos pais, não chegaram para lotar o  espaço reservado à assistência. O arrefecimento noturno terá afastado alguns potenciais espectadores.
 
 

Palhaço Pintarolas
Bruno, o show man, representou uma multiplicidade de papéis:  ilusionista, faquir e palhaço. A esposa era sua coadjuvante.
 
 

Sendo a entrada livre, os custos são cobertos com o dinheiro proveniente de uma rifa, da venda de pipocas e das fotografias com cobras.   Pelos meus cálculos,  o espetáculo deve ter rendido entre 100 a 120 euros, talvez insuficiente para cobrir o investimento, custos com cobras, gasóleo, eletricidade e trabalho de duas pessoas.
 
 

Ainda foram bastantes aqueles que venceram o medo para posar com a pitão!.
 
 
 

domingo, 4 de agosto de 2013

O Louva-a-deus

Ou o prazer dos pequenos nadas
 

Recordações.
Quem, em criança, não se encantou a brincar com esta espécie de inseto, dizendo-lhe "louva-a-deus", na esperança que entendesse a nossa fala e colocasse as patas dianteiras juntas, como  quando fazemos com as mãos para orar?



Encontrei-o há dias no quintal. Revivi, por momentos, o caminho para a horta do Ferrado, na primavera, bordejado de searas a ondular ao vento.    Ninguém fazia mal ao  cavalinho-de-deus, inseto verde ou pardo, da ordem mantodea; mas ficávamos a contemplá-lo, felizes, à espera que o desejo se concretizasse.  Saber esperar, valia a pena! Agora, também!

 
 

sábado, 27 de julho de 2013

Vaga de Calor

 Segadas já começaram
 
Julho abrasador amadurou os pães, ainda verdes devido às chuvas da primavera.


 
 
Voltaram as ceifas, mecanizadas e menos árduas,  mas sem a alegria dos ranchos de segadores.
 
 
 
 
O tempo quente chegou quando os pães ainda não tinham suficiente farinha.
 
 
 
Queixam-se do prejuízo os produtores de centeio.
 
 
Enfardadeira  em ação.
  
 
 
 
Fardos a caminho de São Cornélio.




Searas douradas banhadas pelos raios solares, no "Planalto Ecológico de Travancas".  Uma maravilha da Natureza!
 
 
 

terça-feira, 16 de julho de 2013

No Jardim da Dona Amélia

Giroflé, giroflá


A dona Amélia é uma discreta senhora  que se esmera no cultivo de  flores, no quintal da sua moradia.
 
 
 
A sua paixão são as flores.
 
 
Tem-nas o ano todo, cultivadas em canteiros e vasos.
 
 

A diversidade é grande.


Metódica, meticulosa e de sensibilidade apurada, guarda as sementes de um ano para o outro, pondo-lhes etiquetas e partilhando-as com vizinhas e amigas.
 
 

No quintal tenho algumas plantas dessas sementes que teve a amabilidade de oferecer à minha mulher.
 
 

Também são suas as flores com que frequentemente ornamenta os altares da igreja matriz, ajudando, desse modo, a paróquia a reduzir a despesa com floristas.
 
 

A vivenda, erguida num amplo espaço, sobressai pelas sóbrias linhas clássicas e tonalidades claras. Recuada da rua, entra-se nela por um robusto portão de ferro forjado, pintado de verde. No telhado, o gracioso mirante dá-lhe uma aparência apalaçada.
 
 
 


Essas características fazem-me recordar a sumptuosa mansão rural, de fazendeiro abastado, que aparece no filme  sobre a guerra civil americana, "E Tudo o Vento Levou".
 
 
 
Requintado candeeiro, para decoração e iluminação noturna.
 
 
 
No dia em que fui conhecer o jardim da dona Amélia, encontrei-a de avental e galochas, a ajeitar os feijoeiros, para  melhor se agarrarem às  estacas.
 
 
 
Nele não há só flores. Há também, bem regadas, caminheiras de alface, viçosos canteiros de cebolas e batatas, morangueiros e diversas árvores de fruto.
 
 
 
 
Para terminar, seguem-se algumas fotos de flores deste bem cuidado jardim.
 
 
 
 
 
 
 

 
 São bonitas, não são?
Paixão, é o segredo!
 


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Castanheiros em flor


Património paisagístico das terras raianas


As culturas da batata, do centeio e do castanho, a par do contrabando, foram fonte de riqueza  da gente raiota e fazem parte do património paisagístico destas Terras de Monforte.  Por Travancas, os castanheiros começaram a florir na segunda quinzena de junho. Em zonas de menor altitude, porém, a floração teve início em maio.
 
 
 
 
 Cada árvore desenvolve flores masculinas e femininas, surgindo estas um mês mais tarde.
 
 

Ambas saem do pé das folhas sob a forma de cachos de flores amarelas, os amentilhos, de 20 a 30 cm de comprimento. Por parecerem iluminar a árvore, são chamados de candeias  em algumas zonas..
 
 
 
 
 O forte odor das flores, de grande beleza,  atrai abelhas e outros insetos que, juntamente com o vento, transportam o pólen de umas árvores para outras.
 
 
 
 
 É no interior das flores femininas, dentro de um ouriço, que se formam as castanhas, normalmente três frutos em cada um.


 
Há tantos castanheiros, tantos soutos na freguesia, porque não fazer caminhadas ecológicas para observação dos castanheiros floridos!
 
 

 
 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Travancas Renova-se

Casas de cara nova

A aldeia despovoa-se  mas, habitantes e não residentes, apostados na fixação e no retorno à terra, constroem, reconstroem e restauram casas familiares, degradadas,  a maioria para habitação secundária.  Apesar dos tempos de crise, o movimento de renovação do património arquitetónico urbano tem sido constante nos últimos anos.
 
 

Obras na casa herdada pela dona Claudina, no início de maio de 2013

Atualmente, no bairro Além do Rigueiro, estão a fazer-se obras em duas casas que vão embelezá-las exteriormente e torná-las mais confortáveis. 




A top model, casa mais fotografada por mim
 
Constrói-se com mais qualidade e há uma tendência para o retorno ao uso do granito, material de construção tradicional.  Esta bonita imitação de pedra cortada, nas paredes da imponente maison, está a ser feita por galegos de Feces de Cima.
 
 
 
 
São várias as casas no povo onde os galegos têm estado a substituir a cal por massa  impermeável, mais eficaz no combate à humidade e cujo aspeto granítico, cinzento ou acastanhado, acentua a proximidade, estilizada, à ruralidade das casas tradicionais transmontanas, enriquecida, ela própria, com uma panóplia de estilos de diferentes origens.
 
 

 
 
 


Casa do Tó pintada e ornamentada de granito  A renovação, feita no ano anterior, combina harmoniosamente com a casa ao lado.  A Dona Joaquina, sua vizinha, também mandou há dias dar umas pinceladas na dela, tendo ficado mais branquinha. E assim vai Travancas, renovando e recuperando o seu património arquitetónico!