segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

São Cornélio com Neve

Carnaval de branco

São Cornélio, tal como todas as aldeias do planalto da Bolideira, acordou de branco esta manhã, segunda-feira de Carnaval.


A neve  chegou à 17 horas e domingo e foi caindo, com mais ou menos intensidade, durante toda a noite.
 
 
O aumento da temperatura e o sol não retiraram brilho à paisagem, coberta de manto branco.
 

-Assim fico famoso, se me tira fotos!
Era menino, quando o conheci, numa nevada em 2009, altura em que fiz um vídeo, onde ele, como as estrelas, fez um brilharete. Agora já tem voz de rapaz e gostaria de ser famoso como o seu ídolo, Cristiano Ronaldo. E quem sabe se não vai  longe, noutra área? É muito inteligente, esperto, comunicativo  e empenhado nos estudos!
 
 


 
 

Alto da Bolideira, ao fundo


Fotografar, também serve  de pretexto para dois dedos de conversa com moradores que se conhecem de vista.
 

 
 
 

O meu recanto preferido de São Cornélio, onde não falho uma foto quando ando em "reportagem". O bucolismo e a vista sobre o veiga de Chaves atraem-me.
 



Igreja de São Cornélio
 

Por cima do lavadouro público.
 
 
Tenho três ovelhas, mais uma cordeira...
O senhor António é um homem que sempre vi bem disposto.   Vê-lo satisfeito, com a ovelha esfolada, traz-me à memória uma tradicional cantiga transmontana, de Miranda do Douro. 
 

Fonte de mergulho


 

Campanário da capela
 


 
Casas tradicionais, casas modernas...
 

Casas de todos os estilos e gostos, lado a lado, ao contrário de Argemil, onde o núcleo antigo foi preservado das novas edificações, localizadas no bairro das Poulinhas.




 

 
 
 

Argemil com neve

Carnaval de branco

Das três aldeias da freguesia,  Argemil foi a última a ser fotografada sob a neve.
 
 
Apesar de ter nevado, desde o anoitecer de domingo até segunda de manhã,  a neve não se conservou integralmente, devido à subida da temperatura e ao tempo ensolarado, segunda-feira de carnaval.
 
 
Cairam algumas nevascadas, de dez a quinze minutos de duração; No entanto, a neve era insuficiente, para substituir a que ia derretendo.
 

Prevê-se que caia mais neve na noite de segunda para terça-feira de Carnaval.
 

Argemil é uma bonita aldeia de montanha.
 
Se as previsões se confirmarem, de mais queda de neve...
 

Lá volterei a Argemil da Raia!
Não foi preciso. Durante a noite a neve foi caindo, por breves momentos, misturada, às vezes, com chuviscos, não se registando, por isso, maior acumulação de neve.
 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Neva intensamente

Carnaval de branco?

As aldeias da freguesia podem ficar cobertas de branco neste carnaval, se se confirmarem as previsões metereológicas, de queda de neve até segunda-feira, ao anoitecer.
 
 
A neve começou a cair, com grande intensidade, há instantes, quando faltavam alguns minutos  para as 17 horas.
 

 17h10. A neve pegou bem no  cabanal.
 
 
18h30. Parou de nevar, passada meia hora, contrariando a expectativa de que iria cair uma grande nevada.
 

18h30. A queda de neve não é continuada, derretendo, nos intervalos, nos lugares mais húmidos.
 
 
18h30. No entanto, cada vez que neva, por alguns momentos, os campos e telhados cobrem-se de branco novamente.
 
 
Meia noite, mais uma nevascada. É possível que segunda-feira de manhã, Argemil, São Cornélio, Roriz e Travancas acordem cobertas de branco. Oxalá!
 
 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Névoas Raiotas

Alegoria às Brumas de Avalon

Travancas não é a brumosa ilha de Avalon, terra encantada que as mulheres governam pelo seu poder de gerar vida.
 

Nem nela andou Lancelot, o mais valoroso cavaleiro da Távola Redonda, por quem se apaixona a bela raínha Guinevere, esposa do Rei Artur.
 


A enevoada terra raiana, situada nos confins do Reino Maravilhoso, conto de Miguel Torga, encanta, todavia, quem sobe à montanha e entra no planalto ecológico pela porta da Pedra Bulideira, guardiã de um segredo, desvendado a portadores de sabedoria.


 
Terra de celtas, povo que deixou  herança genética e práticas culturais, nos costumes pagãos dos primitivos habitantes da freguesia, partilha com Avalon, além das brumas, o património das lendas do Ciclo Bretão.
 

 
Os amores entre Guinevere e Lancelot trazem à memória outros amores de perdição, há meio século atrás, entre um capitão do exército português - casado e anti-salazarista - e uma simpática, extrovertida e liberal filha raiota,  cuja voz doce e reconhecida beleza, tinham o dom de pôr os homens de cabeça à roda e prostá-los de desejo a seus pés.
 
 
 
A relação entre os dois amantes termina com o assassinato do capitão, encontrado por cães, enterrado nas dunas da praia do Guincho. Jose Cardoso Pires inspira-se nessa trama passional para escrever  "A Balada da Praia dos Cães", premiada obra que está na origem de um filme com o mesmo título.
 
 
 
Nas névoas raiotas não há nenhum bardo, espécie de trovador celta, como Kevin, o melhor harpista do reino de Artur,  mas gaiteiros, sempre houve e haverá, como os que tocavam para enamorados nas eiras e no largo, onde estes bailavam.
 
A murinheira trina trina
A murinheira trinará
A murinheira anda prenha
A murinheira parirá
 
 
Voltando a Avalon, a Ilha Sagrada, guardiã de mistérios eternos, houve um tempo em que, segundo a maga Morgana, irmã do Gande Rei Artur, "os  portões entre os mundos (mitológico e o real) flutuavam por entre as brumas e estavam sempre abertos um para o outro, conforme o que o viajante pensasse e quisesse".
 
 

De igual modo, as névoas que cobrem, noite e dia, o Reino Maravilhoso, entre o equinócio de outono e o da primavera, entranham-se em nós, dando-nos a sensação de estarmos  num mundo fantasmagórico, onde vivem trasgos, duendes, gnomos, bruxas e zangões.  Neste Reino, onde se ouve a voz do silêncio, até as pedras falam!
 
 
 
Envolvidos no denso nevoeiro, compreendemos as interrogações de Igraine, esposa do duque da Cornualha - Uma das seis nações celtas, situada no sul do Reino Unido -  e mãe do Grande Rei Artur. Sob a neblina, como é que ela, ou outrém, alguma vez poderia saber quando é que o dia e a noite têm a mesma duração, para poder celebrar a festa do ano novo pagão?
 
 
 
A capital do reino, Camelot,  fica  na Bretanha,  mas na Capital da Batata brotam, igualmente, fontes de água cristalina,  onde o mago Merlim e os Cavaleiros da Távola Redonda poderiam saciar-se sempre que subissem à montanha, para tomar a poção mágica.
 
 
Entre quem é!
Embora o Reino Maravilhoso não seja  rodeado de mar, como Avalon, para o alcançar, o viajante não tem de interrogar o grande oceano magalítico  porque o nume invisível lhe ordena:-Entre! A gente entra, e já está em Travancas, no Reino Maravilhoso!  
 
 

Janeiro em gaélico quer dizer Eanáir, a Lua amarela da cor do feno e do hidromel. Ela representa o tempo em que os antigos pagãos preparavam os campos para o ciclo de celebrações das colheitas.
 
 

"O solstício de inverno lembra-nos que a escuridão, o frio, a noite longa e o dia breve, o fim, afinal são um recomeço e, a partir do ponto de transição, a escuridão pouco a pouco de novo cede o lugar à luz, o frio desaparece, a noite se encurta e o dia se alonga, o fim é afinal um novo princípio".
 
 
 
Brumas de Avalon, lugar imaginário, de tal modo envolvido pelas névoas, que nenhum ser humano nunca o pôde alcançar e contaminar com a sua incredulidade. 
É preciso que dentro de nós tenhamos também a nossa própria Avalon,  a nossa capacidade de imaginar e sonhar, e tê-la sempre protegida, arredada da falta de crença de que não podemos alcançar a nossa utopia