terça-feira, 9 de julho de 2013

Floração da Batata

Nas hortas da Capital da Batata

As batatas semeiam-se tarde, em abril. Mais cedo, não, para evitar que as geadas queimem os rebentos. Dois meses e meio depois começam a florir e em setembro faz-se o arranque.



 
 O verde da rama da batata e o branco da flor são um tonificante visual a quem percorre as ruas nesta altura.



Em Travancas, ao contrário de muitas aldeias, as hortas, de terras férteis,  intercalam-se com casas, especialmente nas ladeiras viradas para o anterior curso do rigueiro. Nos campos à volta do povo, este ano predomina a cor das searas de centeio.  O preço pago ao produtor é que determina em cada ano agrícola, se se deita mais centeio à terra ou mais batata.
 


Plantação de batatas  no quintal do Matias, para consumo doméstico. 



Bonita flor de batateira
 


 
 O trabalho de produtor de batata é árduo. Não bastam a rega e a monda....
 


É preciso cobrir as batatas com terra para que não fiquem sujeitas a apanhar luz solar.  A técnica é um saber que se transmite de geração em geração.   Nisso, o Tó Ribeiro é um mestre. Com o saber de experiência feito, ele ensina quando e como cobrir as batatas.



 É preciso estar atento ao aparecimento de pragas e espalhar atempadamente o veneno pela rama.
 
 

Comentando com o Isaac, residente em  Estrasburgo, mas a passar uma semana na terra, que era mais prático e barato comprar as batatas, para consumo, do que produzi-las, contrapôs-me ele, com evidente orgulho:  -mas as nossas, semedas por nós, sabem melhor!
 
 
 
 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Pai Natal vai às cerejas

Para espantar pardais

Hoje colhi as cerejas.  Das cerdeiras do quintal só uma é que carregou bem.
 
 
 
No mercado de Chaves já as há à venda  desde há mais de um mês mas em Travancas, por a primavera começar mais tarde, as cerejas só amaduram em finais de junho, princípio de julho.
 
 
 
Para os pássaros foi um fartote durante a maturação das cerejas. Numa manhã de sol descobri que as debicavam mal começavam a pintar.
 
 
 
Em anos anteriores, quando telefonava ao Tó  e ele me dizia que os pardais tinham comido as cerejas, encolhia os ombros pensando que seria  um exagero. Este ano, contudo, vi o estrago que faziam num abrir e fechar de olhos!
 
  
 
Entretanto, ao passar na estrada, vi uma cerejeira com sacos usados para ensacar batatas. Parei o carro e desci para perceber. A dona Teresa explicou-me  então que esta era uma forma de salvaguardar as cerejas da  ação predadora da passarada.
 
 
 
Identificou pardais, melros, estorninhos e corvos como sendo os  principais predadores das cerejas. 
 
 
 
 
Além de se cobrirem as cerejas com sacos de batatas, também se penduram CDs nos galhos. O reflexo do disco "cega" os pássaros, mantendo-os afastados da árvore.
 
 
 
Já o David optou por cobrir a cerdeira com uma rede! Mas há quem ponha música com altifalantes!
 
 
 
Com tais exemplos, porque não por o boneco do Pai Natal, guardado na loja,  a fazer o papel de espantalho? Foi remédio santo! Diverti-me, a observar a reação dos pássaros. Chegavam lampeiros, em voo rasante, para debicar as cerejas mas, ao se aproximarem, batiam asas, levantavam voo e iam pousar na nogueira.  A maior parte das cerejas ficou salva!
 
 

 
A produção desta cerejeira, a primeira,  não chegou a duas cestas de batatas.  São de boa qualidade mas não são doces como as de Mirandela, compradas na feira de Chaves.
 
 

A cerejeira branca também deu uma mão cheia de cerejas! Curioso que a estas os pássaros não lhes chegavam!
 
 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Ouriço-cacheiro no jardim

E sapo na horta
 


Há dias, ao fim da tarde, encontrei um ouriço-cacheiro adulto num canto do jardim. Todo enroscado, parecia  uma bola de espinhos! Não via nenhum desde que há largos anos uma ninhada andou no cabanal.


 
Virei-o com um pau, sem lhe fazer mal, e fiquei  deitado na relva, a observá-lo, à espera que se abrisse, para o fotografar.
 
 
O ouriço-cacheiro é um animal inofensivo. Come insetos, lesmas, minhocas, lagartas, aranhas, ovos e crias de ratos e aves. É de hábitos noturnos e hiberna de outubro a abril.  



 
 



Como demorasse a pôr-se de patas, fui regar as ervilhas. Quando voltei, porém, já se tinha ido embora!


Por onde será que entrou? Será que continua cá dentro do quintal?



Sapos, cobras e lagartixas
 


Além dos ouriços-cacheiros e da presença constante de lagartixas, no quintal também aparecem sapos, de vez em quando. Este, ainda jovem, encontrei-o quando regava. Salamandra e cobra rateira completam o elenco de animais repelentes mas inofensivos, encontrados no na horta/jardim de casa.

sábado, 29 de junho de 2013

O Meu Flamenguinho é Flaviense

Mijn kleine Vlaamse geboren

 
 
TENS 2 MÃOZINHAS
DÁ-NOS UMA A CADA UM
VAMOS MOSTRAR-TE O MUNDO
ATÉ DIZERES:
EU CONSIGO SOZINHO!
 
 
 

JE HEBT 2 KLEINE HANDIES
GEEF ONS ER ELK ÉÉN
DAN LEIDEN WE JE ROND
TOT JE ZEG"T:
"IK KAN HET WEL ALLEEN



 


Sócio nº 2705 . Lowie Vasco

quarta-feira, 26 de junho de 2013

As cerejas do senhor Ramiro

E o prazer de partilhar

Vive no Lar de Travancas mas é natural de Segirei, freguesia de São Vicente da Raia, onde tem familiares e cerejeiras.  O senhor Ramiro foi protagonista, há pouco tempo, de uma  bonita história de amor entre idosos, sem Happy End.
 

 
 
Mas a história de hoje é sobre o despojamento deste homem, que diz não ter medo de morrer. Há uma semana atrás, quando as cerejas de Travancas ainda não pintavam, ele, franzino mas rijo e lúcido, apareceu ao pé de mim dizendo:  -, abra a porta! 
 
 

Fiz o que disse e abri o portão do muro que separa o linhar da rua. Entregou-me então, num saco de plástico. mais de dois quilogramas de cerejas de Segirei, aldeia aconchegada num vale e  em cujo solo brotam águas termais.  "-São para si e a sua esposa. Diga-lhe que me lembro bem dela; tinha dois anos, quando trabalhava para a avó.
 
 
 
 
Nas mãos segurava mais sacos de cerejas, para presentear os demais vizinhos do bairro Além do Rigueiro. Penso que deve ter percorrido o povo, feliz, a fazer a distribuição, casa a casa, sem se esquecer dos companheiros residentes no Lar.
 
 
 
 
 
O gesto do senhor Ramiro, de partilhar as cerejas com os vizinhos,  lamentando que se percam aquelas que não são apanhadas, é revelador de uma louvável beleza de caráter que contrasta com o egoísmo e a ganância de outros.
 
 
 
 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Trabalhos nas hortas




Junho não é mês de sementeiras nem de colheitas. Trata-se das hortas, com trabalhos de sacha, monda e rega, principalmente.


Rega  das batatas
 
 
 
 
 Estacas nos feijoeiros da Regada
 
 
Senhor Manuel, a lavrar o  milho com trator manual, máquina que  não lhe tira a satisfação, apesar do esforço nos braços.
 
 
Monda do milho em São Cornélio, com belo enquadramento paisagístico sobre a veiga de Chaves.
 
 













 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Travancas, de Amarelo

Giesta pinta planalto ecológico
 
Flora das terras da raia - A giesta amarela. 
 
 
 
No regresso a Travancas, de uma ausência de 40 dias, encontrei a aldeia envolta num inesperado e bonito manto de amarelo.
 
 
 
 
 

 
 

Paisagem auriverde.
 


"- Fotografe a beleza das giestas floridas", dizia-me, entusiasmada, a esposa do Matias, depois do passeio que fez pelo caminho que vai dar à rua, por cima da igreja.
 
 
 
 
 
O verde dos pães e o amarelo das giestas, nas searas e montes, à volta do santuário do Senhor dos Aflitos.
 
 
 
 


O  amarelo à entrada de Argemil.
 
 



Encosta do Vale Grande na primavera, desde a barragem de Mairos.


 Um regalo para a vista!