quinta-feira, 8 de maio de 2014

A pintassilga não voltou

Veio o rabo-ruço

O ninho foi feito na primavera de 2013 na ameixeira do quintal.  Pela descrição que fiz ao Eurico - ninho e pássaro pequenos - tratava-se de ninho de pintassilga. Depois da partida dos pássaros deixei ficá-lo na árvore, na esperança que a passarinha lá voltasse este ano a chocar os ovos mas a expectativa foi gorada, o ninho permaneceu vazio, antes, durante e depois da floração.



Em contrapartida, em abril nidificou  este outro passarinho, a que chamam rabo-ruço. Macho e femea serão de cores diferentes!


O casal escolheu a trave do telhado do cabanal, para nidificar, ou será que chocou os ovos em ninhos feitos em anos anteriores? Gostava de saber!



O rabo-ruço  tem muitos nomes. Chamam-lhe também rabirruivo preto, rabeta, rabisca, carvoeiro, ferreiro, etc.



Desde que voltei a Travancas, no Domingo de Ramos, chamou-me a atenção a sua constante entrada e saída do cabanal. Na altura pensei que estivesse a fazer o ninho mas já estaria a alimentar as crias porque, no final de abril, ensinou os filhotes voar, quando sairam do ninho.



Nesse dia temi que o gato da Dona Alzira, a rondar o cabanal, comesse algum deles. Felizmente, três do passarinhos levantaram voo.  A mãe não saiu do quintal enquanto o último  não partiu.



Que lição de amor materno não nos dão as aves!


domingo, 4 de maio de 2014

Rosas para as mães

Homenagem do Lar do Senhor dos Aflitos

A exemplo de anos anteriores, o Lar do Senhor dos Aflitos prestou homenagem às mães no Dia da Mãe, ofertando, este ano, uma rosa a todas as que participaram da missa dominical.















quinta-feira, 1 de maio de 2014

Emigrante na reforma

Reencontro em Argemil

Este senhor, tio do Amaral, chama-se Artur. Vive em Argemil, reformado por invalidez. Em França, para onde emigrou em 1970, trabalhou trinta anos. Foi lá que o conheci,  numa empresa de transporte de mercadorias, onde eu trabalhava umas horas, para juntar aos francos da bolsa  de estudos que o governo francês me concedia.



Era um homem reservado, pouco conversador, ao contrário de outros portugueses que trabalhavam "chez Malissard". Passados estes anos todos, vi-o na igreja de São Miguel Arcanjo, na missa de corpo presente do António pastor. Não me reconheceu mas confirmou ter trabalhado como "rouleur" na empresa onde eu, por saber falar e escrever em francês, fazia a conferência dos "bordereaux".



No dia 25 de Abril de 2014, fui a sua casa, no fundo do povo, 40 anos depois de nos termos conhecido. Enquanto me recordo de ter sido o Ribeiro - amigo até hoje - a  dar-me a notícia da Revolução em Lisboa, liderada pelo general Spínola, o senhor Artur não tem qualquer memória do dia 25 de Abril de 1974.



A ida a sua casa, para beber um copo, já estava apalavrada, desde o verão passado. Encontrei-o sozinho, à lareira, com um borralho de fazer inveja.



Sentado no escano, acedeu falar de si.  Antes de ir para França esteve quatro anos em Espanha, perto da fronteira com Melgaço. Na época, embora casado, as contingências da vida levaram-no a deixar a mulher em Argemil e partir, como tantos outros raianos, para franças e araganças. "Primeiro habitei em barracas do patrão", na região de Paris.




Desde que se reformou, por problemas no pé, reparte o seu tempo entre Argemil e França. Vem para a aldeia, "porque é a terra de cada um". No verão, costuma ir ao café, para conviver com os amigos. Em França, mora num apartamento,  com um dos filhos do segundo casamento. Ao todo tem cinco  e vários netos, espalhados por Setubal, França e Itália.



Vinho, chouriço e pão, à boa maneira da hospitalidade tansmontana.


"Agora vou mostrar-lhe a minha fazenda". E mostrou, não apenas o linhar anexo à casa como, graças a ele, aprendi que a deliciosa expressão "fazenda", levada pelos colonizadores para o Brasil e caída em desuso no Portuigal moderno, se mantém preservada no nosso Trás-os-Montes profundo.



Diz-me que "aqui é melhor que em França: os ares, a comida..." e que "aqui tenho tudo: batata, feijão, couves, verdura..." Todavia, em França estão os familiares que não voltam para a terra dos pais...



Senhor Artur, uma vida feita de partidas e regressos, igual à de tantos emigrantes.



quarta-feira, 30 de abril de 2014

Eu vi um sapo

Chamam-lhe lindo!



Não há jardineiro assim,
Não há hortelão melhor
Para uma horta ou jardim,
Para os tratar com amor.

É o guarda das flores belas,
da horta mais do pomar;
e enquanto brilham estrelas,
lá anda ele a rondar...




Que faz ele? Anda a caçar
os bichos destruidores
que adoecem o pomar
e fazem tristes as flores.

Por isso, ficam zangadas
as flores, se se faz mal
a quem as traz tão guardadas
com o seu cuidado leal.







E ele guarda as flores belas,
a horta mais o pomar;
brilham no céu as estrelas,
e ele ronda, a trabalhar...

E ao pobre sapo, que é cheio
de amor pela terra amiga,
dizem-lhe que é feio
e há quem o mate e persiga





Mas as flores ficam zangadas,
choram, e dizem por fim:
- «Então ele traz-nos guardadas,
e depois pagam-lhe assim?»

E vendo, à noite, passar
o sapo cheio de medo,
as flores, para o consolar,
chamam-lhe lindo, em segredo...

Afonso Lopes Vieira, in Animais Nossos Amigos




Por conhecer esta poesia é que não faço mal ao sapo do jardim, saído recentemente da hibernação. Também me lembro da história do infeliz Bambo, sapo de um conto de Miguel Torga, trespassado na ponta do pau pelo filho do caseiro, e de eu, há anos, por ignorância, ter morto uma repugnante salamandra.



A este sapo procuro-o quase diariamente. Todavia, se a minha presença o assusta, afasto-me. Agrada-me saber que este nosso amigo está vivo, a guardar as flores do jardim!


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Cumprir Abril

Ex-combatente da guerra do Ultramar
Deficiente ao serviço da Pátria
 
ECCE HOMO

Alertado, em tempos, para a existência deste homem solitário, a viver no século XXI em condições de vida degradantes, impróprias de país que respeite os Direitos Humanos, procurei-o há dias. 



Por feliz coincidência, encontrámo-nos quando ia ao linhar plantar um balde de batatas. Embora acredite no livre-arbítrio, penso que o Supremo Criador me pôs no caminho deste homem simples, no sentido que é dado  por Guerra Junqueiro, para me dar a oportunidade de ser "sal da terra e luz do mundo", parafraseando uma  expressiva exortação do Papa Francisco aos cristãos, no Angelus de fevereiro passado. Bem-haja Deus meu!



Pobre dos pobres
Depois de umas duas horas à conversa, o homem, que comparo a um eremita, despojado de ambição material, deu-me do que tinha - batatas de semente, para plantar. Emocionado, aceitei a oferta.




Dialogando fluentemente comigo e tratando-me com urbanidade, deixou-me a ideia de ser homem de bem e humilde, sem ser subserviente, causando-me admiração a dignidade com que fala de si e a verticalidade da sua postura.





Perante a dávida, não pude deixar de me lembrar do comentário de Jesus, ao observar a  pobre viúva que deitou a sua oferta no gazofilácio do templo de Jerusalém. "Os ricos deram do que lhes sobrava para as ofertas; esta, porém, na sua penúria, ofereceu  tudo o que possuia para viver".




25 DE ABRIL
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

                         Sophia de Mello Breyner Andresen
 

Quarenta anos depois da madrugada libertadora...
está por cumprir, pelos que exercem o Poder,  o  "D" de Desenvolvimento,  constante no programa dos generosos Capitães de Abril.



Bem-aventuranças

Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus.




Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus.



Bem-aventurados os mansos porque herdarão a terra.


Bem-aventurados os aflitos porque serão consolados.



João Pilão "mal sabe assinar  o nome" mas é um homem livre -   Aqui na minha casa estou bem, ninguém  manda em mim. Dele, tanto se diz "não ser bem feito", como ser  "sociável, respeitador e um bocado inocente"; em casa, ao borralho, com sua gata, em Argemil da Raia, Trás-os-Montes, no dia 25 Abril de 2014, 40 anos depois da Revolução dos Cravos.







domingo, 20 de abril de 2014

Folar da Páscoa

Folar de carne transmontano



Cordeiro na refeição pascal, uma tradição que remonta aos tempos bíblicos. E batatas assadas, não fosse Travancas a Capital da Batata!




Entre nós, transmontanos, a Páscoa é assim!



Glória, Glória, Aleluia!

O Senhor ressuscitou
 

Vigília Pascal

 
  Eu sou o Alfa e o Ómega, o principio e o fim



 
A Luz de Cristo ilumina a Terra inteira!
Aleluia! Aleluia!


Missa de Sábado de Aleluia, ao anoitecer


O jovem José Carlos  ajuda à missa, toca a aleluia, faz sinais... e é assim, ele também, um elemento importante na comunidade cristã.


Cumprida a liturgia pascal, segue-se, no domingo, o ágape do "renascimento para uma nova vida", em família e com amigos, não faltando à mesa o tradicional folar de carne.