sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Festa do Cordeiro em Roriz

Paga por negociante de castanha

No passado dia 1º de dezembro houve festa na aldeia vizinha que, como se sabe, faz parte da  União de Freguesias que junta Travancas e Roriz.


O convívio gastronómico não foi para  comemorar a Restauração da Independência, infelizmente o feriado foi extinto, mas para selar o bom relacionamento entre produtores e comprador de castanha.


Desde há vinte anos que o final da campanha da castanha é festejado desta forma. Em data aprazada, os de Roriz poem a mesa e o negociante de Rebordelo arca com a despesa.


À volta dela, no salão da Associação Cultural   e Recreativa, juntaram-se produtores de castanha, comprador e alguns convidados, para festejar um contrato que a todos  satisfaz e a ambas as partes interessa dar continuidade.


Para a festa foram assados três cordeiros no forno do povo.


Pão, vinho tinto e refrigerantes completavam  a refeição, servida em regime de self.-service.






Enquanto Travancas produz  em pouca quantidade, Roriz, rodeada de soutos, produz mais de 60 mil quilogramas de castanha. São vários os produtores  cuja colheita é superior a 5 toneladas de castanha, principalmente de variedade judia, paga a a mais de 2 € por kg..


Negociante de castanha com o senhor Antero Ginja, presidente da anterior Junta de Roriz e membro da atual Assembleia da União de Freguesias.


A confraternização  à volta da mesa prolongou-se pelaa tarde fora.



No próximo ano cá nos voltaremos a encontrar,  parecem dizer,  pelo ar de satisfação, representantes de produtores e de comprador de castanha.


Forno do povo, onde foram assados os cordeiros da festa

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Verão de São Martinho

 Uma volta ao Senhor dos Aflitos

É costume, por volta do dia 11 de novembro, surgirem dias de sol,  designados, na Europa, por verão de S. Martinho.
 
 
 
Este ano, impulsionado pela convidativa luminosidade, deixei a plantação dos bolbos de tulipas e fui de bicicleta até ao Senhor dos Aflitos para,  pelo caminho, apreciar as cores do outono.
 

Uma lenda associa o bom tempo, nesta época do ano, ao espírito de partilha de São Martinho.
 

Reza essa lenda que, "num dia frio e tempestuoso de outono, um soldado romano, de nome Martinho, percorria o seu caminho montado no seu cavalo, quando deparou com um mendigo cheio de fome e frio..."
 

"...O soldado, conhecido pela sua generosidade, tirou a sua capa e com a espada cortou-a ao meio, cobrindo o mendigo com uma das partes".
 
 

"...Mais adiante, encontrou outro pobre homem cheio de frio e ofereceu-lhe a outra metade".
 
 
 
 
"... Sem capa, Martinho continuou a sua viagem ao frio e ao vento quando, de repente, como por milagre, o céu se abriu, afastando a tempestade".  
 

"...Os raios de sol começaram a aquecer a terra e o bom tempo prolongou-se por cerca de três dias".
 

 "...Desde essa altura, todos os anos, por volta do dia 11 de novembro, surgem esses dias de calor, a que se passou a chamar verão de S. Martinho". 
 
 
São Martinho, símbolo de partilha
 

Filho de um oficial do exército romano, São Martinho nasceu na Hungria, no ano de 316. Em França, onde viveu, foi bispo de Tours.
 

O seu gesto generoso, de partilha da capa com um pobre, é fonte de inspiração para a prática de atos de partilha, de castanhas e vinho no seu dia.
 
 
Reconhecendo a  importância da solidariedade no mundo globalizado, como a partilha da água, o Conselho da Europa, em 2005,  considerou-o "personalidade europeia, símbolo de partilha". 
  

O popular santo foi um dos primeiros grandes viajantes europeus. Reconhecido como valor comum europeu a preservar, o Conselho da Europa  incluiu o Caminho de São Martinho, rota turística recentemente criada, na rede europeia de itinerários culturais.
 
 
Na volta ao Senhor dos Aflitos, subi ao alto de Roriz, de onde se avista São Vicente da Raia, e percorri os caminhos lamacentos que, de Argemil e São Cornélio, levam ao santuário.
 

Foi um revigorante passeio de São Martinho!
 
 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A Apanha da Castanha

Ouro da agricultura

Travancas, freguesia  situada à mais alta altitude, no concelho de Chaves, está  integrada na Terra Fria transmontana, região  de maior produção de castanha em Portugal.
 

Na apanha, não se pagam jeiras. O trabalho é feito por familiares, vizinhos e amigos. Nesta época  do ano, há quem venha à terra ao fim de semana ou tire férias, para as apanhar.


No  outono, quando a castanha fica madura, os ouriços arreganham-se, deixando-as cair. As primeiras começam a pingar em outubro, com a chuva e o vento.


São muitas as famílias que nas aldeias da freguesia - São Cornélio, Roriz, Argemil e Travancas - se dedicam à apanha.
 
 
O objetivo é vender a castanha aos intermediários que sobem ao Planalto de Travancas, à procura do fruto. A castanha transmontana tem saída nos mercados consumidores porque tem fama de ser de boa qualidade.
 
 
No passado, comercializava-se alguma castanha mas não havia tanta procura como agora.  O aumento é induzido pela indústria de chocolate  e pelo consumo de doces e bolos de castanha.
 
 
 
Nesse tempo era descascada para dar aos recos e  a de melhor qualidade destinava-se principalmente a ser consumida. Quem  não se lembra do caldo de castanha, da castanha cozida ou assada nos magustos?
 
 
Atualmente, na União Europeia, há escassez de castanha, estimando-se que seja necessária a plantação de 40 mil hectares de souto, nos países produtores - Espanha, Portugal, França e Itália.


A variedade de castanha judia, a de maior calibre, é também a de maior rendimento. Os intermediários estão a pagá-la a 2 € ao produtor, por 1 kg. Ao consumidor, porém, nos centros urbanos, é vendida a 4€ ou mais.
 
 
A castanha longal, também com forte produção na freguesia, apesar de ser mais saborosa que a judia, tem menor valor comercial porque é de calibre inferior. Sendo de menor procura por parte dos consumidores, os intermediários estão a comprá-la a 1,25 €.
 

Nos últimos anos, aumentou a plantação de castanheiros na União de Freguesias de Travancas e Roriz. A tendência é para a área de soutos se expandir, correspondendo ao aumento da procura de castanha e ao bom  preço pago ao agricultor. Atualmente, produzir castanhas é mais rentável que produzir batata ou centeio
 

Será a castanha o ouro dos agricultores transmontanos?  O senhor João, de Argemil, no seu souto, está na expetativa de apanhar uma tonelada. Como diz, e bem, a castanha não dá trabalho e não carece de adubos como a batata e o centeio. Basta apanhá-la!




sábado, 2 de novembro de 2013

Dia de Fieis Defuntos

Romagem ao cemitério

A presença dos ausentes

Partida da procissão, a seguir à missa, celebrada por intenção dos fieis defuntos.



Chova, faça frio ou sol, há sempre muitas pessoas a participar nesta tradição religiosa, de visita ao cemitério, no Dia dos Mortos


Nos dias que antecedem os Finados, os familiares, para amenizar a dor irreparável e diminuir a saudade, limpam jazigos, levam flores, acendem velas, rezam...


Proximidade com os seus defuntos.





Reencontros.







 

Querido filho

Quem crê em mim, viverá eternamente
 
 
 
 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Dá Deus nozes

A quem tem dentes!

O tempo foi  pródigo com o senhor Zindo, de Argemil, carregando de nozes a sua nogueira e salvando-as da geada que caiu no Planalto de Travancas no  dia 28 de abril.
 
 
A portentosa nogueira, à beira da estrada, antes da  época da colheita que o proprietário, orgulhoso, fez questão de mostrar.
 
 
Muitas e grandes, a expetativa do proprietário era de alcançar uma produção superior a 300 kg.

 

Ao contrário do provérbio, "Dá Deus nozes a quem não tem dentes", o senhor Gumesindo conta aproveitar a sorte de uma boa colheita lhe bater à porta!
 
Despojado da ambição de enriquecimento, podendo vender as nozes a 4 € o quilograma, a sorte, para ele, é ter oportunidade de partilhar com familiares e amigos os saborosos frutos. Um gesto bem transmontano!
 
 
 
 

sábado, 19 de outubro de 2013

Lengalenga do gato maltês

Gato da dona Alzira no telhado

 
Era uma vez
Um gato maltês
Tocava piano
E falava francês
Queres que te conte outra vez?

Era uma vez
Um gato maltês
Saltou-te às barbas
Não sei que te fez
Queres que te conte outra vez?

Era uma vez
Um gato maltês
Tocava piano
Falava francês
A dona da casa
Chamava-se Inês
O número da porta era o 33!
Queres que te conte outra vez?