sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Posto de vigia de Argemil

Vigilância florestal no verão

Professor António Penso, no seu local de trabalho sazonal - antigo posto de vigilância florestal de Argemil - segurando na mão um rádio, instrumento de comunicação, essencial ao desempenho da função.



A torre está situada a 954 metros de altitude,  perto das ruínas de Palheiros, junto à raia. O seu acesso, a partir de Travancas e Argemil,  pode ser feito trilhando antigos caminhos do contrabando. Também se chega lá por estrada de terra batida, a partir de Argemil, de onde dista um quilómetro.



Do alto da torre, junto à qual existe um marco geodésico,  avista-se uma paisagem magnífica. Olhando para além de São Vicente da Raia, em direção à Lomba e à Serra da Sanábria, em Espanha, a vista abarca um espetacular mar de montanhas.  Bornes, a Serra de Valpaços e o castelo de Monforte de Rio Livre ficam mais para sul, à direita, na foto.


Quarta-feira, quando me encontrava no posto de vigia, onde me desloquei em bicicleta, assisti à mudança de turno. Chegando de trator, a esposa do senhor Manuel Santos iria assegurar a vigilância  entre as 16 horas e a meia-noite.



Dona Alice Fernandes, uma dos quatro vigilantes que trabalham por turnos de oito horas, dia e noite, de julho a setembro. A ela e a outras  duas senhoras de Argemil, assim como ao professor de Mairos, cabe a tarefa de comunicarem os incêndios à EMEIF - Equipa de Manutenção e Exploração da Informação Florestal  - da GNR, do distrito de Vila Real.



Incêndio em Terroso, Espanha, dia 21 de agosto, pelas 16.h30, visto da estrada entre Argemil e São Vicente da Raia. Acabou por ser extinto, não atravessando a fronteira.



Neste dia, a dona Celeste Cruz detetou um incêndio em Roriz, usando a mesa de ângulos com monóculo, para tirar o azimute e a localização, tendo comunicado a ocorrência, via rádio, à GNR.
Clicar aqui para ver o significado de azimute.


Alertado pelo posto de Argemil, o EMEIF, para evitar enganos, antes de validar a informação recebida, pediu a sua confirmação aos dois postos de vigia mais próximos, um dos quais se situa na serra do  Brunheiro.  Às 16 horas, os bombeiros de Chaves já estavam em Travancas, à espera de ordens para atuar, enquanto um helicóptero sobrevoava a zona.


Este ano, felizmente, ainda não se registaram incêndios de grandes proporções, ao contrário do que aconteceu no ano passado, em que um incêndio começou em Tronco e alastrou até à barragem das Nogueirinhas.





Nas torres de vigia, não é permitido o uso de televisor nem de computador portátil, para ajudar a passar o tempo.  No entanto, os vigilantes nem  sempre estão sozinhos, recebendo por vezes  a visita de familiares. A dona Celeste sentia-se satisfeita por os três filhos lhe terem levado uns figuinhos e a acompanharem no regresso a casa.




Residência do antigo guarda florestal, em Argemil. 
Enquanto o guarda policiava a floresta e as atividades nela desenvolvidas - caça e pesca nos rios -  a esposa ficava no posto de vigia a observar ocorrências relativas a incêndios. Com a extinção do Corpo Nacional da Guarda-Florestal, em 29 de outubro de 2005, e a integração da policia florestal na GNR, a casa ficou desabitada, degradando-se com o tempo. Porque não utilizá-la como museu do contrabando ou da memória do mundo rural?



Conheci o professor, casualmente, numa tarde em que fazia vigilância. Sem saber que era docente, chamou-me a atenção o evidente conhecimento e carinho que devotava à história e cultura locais. Quem seria este homem que me falava, com desenvoltura, do Abade de Baçal? A comunhão de interesses aproximou-nos e levou-o a falar-me de si e da sua família.






Assim, fiquei a saber que, embora resida em Mairos, o seu avô paterno era natural de Argemil. Fiquei também a saber que a capelinha do Senhor do Socorro, à entrada da aldeia, foi mandada construir pelos tios e pai, para substituir uma, de menor dimensão, mandada erguer pelo avô.



Não podia terminar a postagem, sobre o posto de vigia de Argemil, sem a ilustrar com uma foto desta bonita urze florida, planta que, juntamente com a carqueja, recobre o solo ao redor da torre de vigia.


 
Cota de Mairos, aerogeradores, linha fronteiriça - a raia - Faceira e ruínas de Palheiros, vistos do posto de vigia.

Tão perto e inacessível!
Porque não descobrir Palheiros, brevemente?



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Bestigo no pátio

Atemoriza enquanto não é morto

Esta cobra, de mais de um metro de comprimento, quando foi vista, estava calmamente enrolada, à sesta, a fazer a digestão do sapo que tinha habitat no quintal.



Já nos trazia sobressaltados, desde que surgira, quatro dias antes, nos degraus da escada  que liga o linhar ao pátio. Apesar de se dizer que as cobras são surdas, que apenas sentem vibrações, os gritos de medo e a correria, para fugir dela,  devem ter feito com que se escondesse.


Desta vez, porém, não se mexeu, dando tempo para lhe tirar fotografias  e ir buscar o ancinho que, espetado na barriga, a deixou imobilizada. Uma sacholada decepou-lhe a cabeça, depois. 


Parte central mais dilatada. Seria do sapo devorado e cuja digestão estaria a ser feita?



Com o bestigo morto a tranquilidade voltou a casa. 




quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Festa da Primeira Comunhão

Eucaristia, um dos sete sacramentos


No último domingo, 10 de agosto, celebrou-se a primeira comunhão de cinco  crianças,  três das quais fizeram a catequese em França. Na catequese elas aprendem a doutrina católica e, antes de comungarem, confessam-se ao padre.



Os participantes comungam pela primeira vez, recebendo a hóstia, "Corpo e Sangue de Cristo sob a forma de pão e vinho".


Apesar da missa ter sido transferida, de manhã para as 16 horas, a igreja de São Bartolomeu encheu-se de fiéis e familiares para participarem na eucaristia, celebrada pelo senhor padre Delmino.



Menina Inês, filha do Amândio, do café de São Cornélio.



Menino de São Cornélio.

Clément, residente em França mas argemilense dos quatro costados. É neto do senhor Albino Barreiras e da dona Prazeres.


Menina Daniela, de São Cornélio, filha do Nelson e da Cláudia, residentes em França.





Bruno, neto da dona Judite, de Travancas.






O senhor Luis Nascimento e a esposa, embevecidos com a primeira comunhão da neta.





Meu querido pai
Os dois Brunos, de Travancas.



sábado, 9 de agosto de 2014

São Cornélio em Festa

Férias de emigrantes alteram data

  Na igreja católica, o dia de São Cornélio, 21º papa,  é comemorado em 16 de setembro, por ter sido nesse dia, do ano 253,  que foi degolado, segundo São Jerónimo. 



São Cornélio com o hierofonte ou  cruz papal, formada por três barras, decrescentes em tamanho e cortando uma haste vertical. As três traves imbolizam as funções do Papa, sucessor de São Pedro.



Este ano a festa ao padroeiro foi antecipada para agosto, para permitir a particicipação dos muitos emigrantes que neste mês gozam férias na aldeia.



A festa religiosa consistiu numa missa, na capela nova, às 11h30, seguida de procissão com dois andores.


Em grande número, jovens e crianças, filhos de emigrantes, participaram nas celebrações religiosas e laicas.


Andor de Nossa Senhora de Fátima.



Emigrantes carregando andor do patrono aos ombros, em cumprimento de promessa.




Padre João, jovem barrosão, pároco das freguesias da Castanheira, celebrando a eucaristia. Substituindo o senhor padre Delmino, cativou  pela empatia, calma e autoridade evidenciadas. Está talhado para se tornar num líder espiritual com futuro brilhante. 



Charanga de Verim, CBD,  tocando o hino de Nossa Senhora no final  da missa.



Quem também esteve em festa, recentemente, foi o senhor José Augusto. A ele, parabéns pelo seu 90º aniversário.



A pedra mestra da igreja é ela, Dona Berta, a quem os homens obedecem com a reverência que se devota aos chefes carismáticos.



Post scriptum: A senhora da foto não se chama Berta mas Onorina, esclarece, no seu comentário, o senhor João Ramos. 



Capelas de São Cornélio: a velha e a nova.



A atuação da Charanga de Verim, ao lado da tasca, foi prejudicada pela  música saída da aparelhagem do Agrupamento Musical Anaconda,  contratado para atuar no arraial.




A festa de São Cornélio terminou calmamente; bem diferente da zaragata de há 69 anos, ocorrida em 16 de setembro de 1945, entre dois grupos rivais.  No tiroteio foram mortos dois rapazes de Paradela e quatro de Travancas foram condenados a 25 anos de cadeia cada um, sem no entanto o tribunal ter apurado a autoria dos disparos mortais.


Reencontro em São Cornélio, de filhos de emigrantes. O portuguesismo do Steven, emigrante em Paris, é elucidativo da ligação afetiva dos jovens à terra dos pais.



Em festa, São Cornélio tem outro encanto.