sexta-feira, 11 de abril de 2014

Argemil na Primavera

Ode à Natureza















 Património edificado - preciosas relíquias ao abandono








O homem  - marcas da ruralidade
















Argemil da Raia, terra de encanto.


domingo, 6 de abril de 2014

Narciso, a flor do mito


Que bela história!
No dizer do Alquimista

 Narcissus pseudonarcissus

O narciso é uma bolbosa que, no Planalto de Travancas, a 900 metros de altitude, floresce  a poucos dias do equinócio da primavera.



Há muitas variedades de narcisos silvestres e cultivadas em jardins.



Narciso, porém, além de ser nome de flor, é um mito grego que ao longo de milénios tem fascinado artistas, poetas e escritores. 




Desde a Antiguidade greco-romana que o mito da flor possui várias interpretações. Paulo Coelho, escritor brasileiro, na obra "O Alquimista"  apresenta a versão que se segue.



 

O Alquimista conhecia a lenda de Narciso, um rapaz que todos os dias se debruçava na margem de um lago para contemplar sua beleza. Era tão fascinado por si mesmo que certa manhã, caiu no lago e morreu afogado. No lugar onde caiu, surgiu uma flor, que chamaram de Narciso.



 
Mas não foi assim que Paulo Coelho, na sua obra-prima, terminou a lenda. Continuando...

O Alquimista dizia que, quando Narciso morreu, vieram as deusas do bosque e viram o lago, que antes era de água doce, transformado num lago de lágrimas salgadas.





- Por que você chora? - perguntaram as deusas.

- Choro por Narciso - respondeu o lago.

- Ah, não nos espanta que você chore por Narciso - disseram elas. - Afinal de contas, apesar de sempre corrermos atrás dele pelo bosque, você era o único que contemplava de perto sua beleza.



 

- Mas Narciso era belo? - perguntou o lago.
- Quem melhor do que você poderia saber disso? - disseram, surpresas, as deusas  - Afinal de contas, era nas suas margens que ele se debruçava todos os dias para contemplar-se!



 
O lago ficou quieto por algum tempo. Por fim disse:
 - Choro por Narciso, mas jamais notei que Narciso era belo. Choro porque, todas as vezes que ele se debruçava sobre minhas margens, eu podia ver - no fundo dos seus olhos - a minha própria beleza refletida.

"Que bela história", pensou o Alquimista.



Que bela história! Ou que fascinante enigma?
Será que Paulo Coelho, pela voz do Alquimista, fala do egoísmo do ser humano, preso à sua própria imagem, em vez de buscar o belo nos outros e descobrir o que têm de bom?





Pelo contrário, o escritor não se fica pela ideia superficial de que Narciso seja um ser vaidoso, narcisista, contemplando a sua própria beleza física, refletida nas águas do lago.  



Espiritualista, Paulo Coelho faz uma interpretação filosófica do mito da flor e, na enigmática expressão do Alquimista - Que bela história - leva-nos a concluir que Narciso, num processo introspectivo, via na sua  imagem, refletida nas águas do lago, a imagem do Criador. Essa interpretação simbólica vai ao encontro da própria Bíblia, livro sagrado, que diz ser o homem feito à imagem e semelhança de Deus!



"Narciso contemplou em absoluto a grandiosidade da alma do ser humano, e apaixonou-se por ela, tornou-a seu objetivo e seu foco de admiração para sempre".



Mas que bela história, Alquimista!



quarta-feira, 2 de abril de 2014

Dor sem fronteiras

Pobos da raia xuntos no adeus a Manolo

Homenagem dos camaradas socialistas de Vilardevós,  município a que pertence Arzádegos. Numa autarquia governada pelo Partido Popular, Manolo, socialista da velha guarda antifranquista, foi conselheiro municipal (vereador) durante muitos anos. "Era amigo dos pobres", assegura a senhora com quem troco algumas palavras.



O funeral de Dom Manuel Alvarez Alvarez realizou-se ao fim da tarde  de hoje, em Arçádegos, aldeia vizinha de Travancas, do outro lado da fronteira.



Não conhecia o Manolo. Foi o Nicolau,  filho de pai português, contrabandista,  e de mãe galega, que ontem veio a casa dar-me a notícia do óbito de D. Manuel. Para enfatizar o bom relacionamento dele com os de Travancas, disse-me que tinha sido amigo do meu sogro, guarda-fiscal já falecido. Ambos, em comum, tinham terras de cultivo na fronteira do Vale Grande.



Para a missa de corpo  presente, a imponente igreja de Santa Baía ficou à cunha com gente de todos os lados, incluindo de Travancas. Por lá vi os senhores Silvério e Albano, além de outros.



Coroas de flores. Uma, de "Tu esposa"; outra, de "Tus hermanos políticos". Intrigado com a expressão "irmãos políticos", uma senhora, camarada socialista de Manolo, esclareceu-me que "hermanos politicos"  significa cunhados.



Já estive em Arçadegos diversas vezes mas nunca achei a aldeia tão bonita como hoje, vista do caminho do cemitério. Deste lado da encosta da Serra de Mairos também se tem uma bela vista de Florderrei,  aldeia vizinha situada na colina em frente a Arçádegos.




O "alcalde" de Vilardevós fez aqui um bom trabalho de recuperação e ajardinamento da "Ruta do Contrabando", numa extensão de 26 km. Em contrapartida, do lado português, a Câmara Municipal de Chaves nada tem feito que se veja, para recuperar, com fins turísticos e culturais, os caminhos usados pelos contrabandistas na "Rota de Travancas".



Chegada ao cemitério
Antigamente os contatos entre os dois lados da raia eram mais intensos que hoje. Ia-se a Arçádegos aos funerais, às festas de Santa Eulália, às compras.... e os galegos vinham mais às aldeias portuguesas. O contrabando também criava  conivências duradouras. Todavia, com a abolição das fronteiras alfandegárias houve negócios e afetos que se perderam.



Em Travancas, os mais velhos lembram-se bem de Manolo, morto aos 83 anos,  de  enfarte ou febre de malta, não me souberam precisar.

Sapateiro de profissão, antes de ser político, fez muito calçado e costuras para as gentes de Travancas. Vivências que o povo guarda na memória.



Majestosa acácia amarela, símbolo da imortalidade da alma, à entrada do cemitério.




Nos cemitérios das aldeias galegas da raia, os defuntos não são enterrados em campas, ficam engavetados, iguais na morte. Um costume bem diferente do nosso- 


Ata sempre, Manolo!


Alguns das Trabancas  deixando o cemitério, depois de cumprido o dever religioso, ético e moral de marcar presença nos funerais de vizinhos e amigos.


Toponímia, em galego. Se a placa da rua, com a Cruz de Malta no brasão de Vilardevós, estivesse escrita em castelhano chamar-se-ia  "Calle Arzádegos". É a primeira da aldeia, quando se chega das "Trabancas", ou a última, quando se deixa Arçádegos!


No regresso a Travancas, parei o carro, para ver, extasiado, o arco-íris, símbolo da aliança estabelecida entre Deus e os homens.  O arco aparece depois de cada chuva, para lembrar que, após o dilúvio, Deus nunca mais iria inundar a Terra.

Vista  parcial de Travancas,  com montes de Roriz ao fundo, quando se chega da fronteira.  
Bonito, non!


terça-feira, 1 de abril de 2014

Procura-se Pato

Tó Ribeiro desolado

Não é mentira de um de abril, este lindo patinho encontra-se perdido desde o último dia de março.



É o macho do casal que o vizinho tem no seu quintal, à vista de toda a gente. Porque grasna o Tó tem muito orgulho nele.


"Perdeuse"
Desesperado, o Tó Ribeiro, depois de o procurar pela aldeia, sem êxito, pediu a  ajuda do Café Central. Neste momento quase todo o povo já está de sobreaviso sobre o seu desaparecimento. Até se comenta que um galego o terá visto à entrada de Travancas!


Também se diz que para os lados do Cruzeiro há umas patas! Será que o malandreco foi dar uma volta enquanto a parceira choca os ovos? 

Vamos ajudar o Tó a encontrar o estimado pato!