sábado, 2 de maio de 2015

Casas da cultura do granito

Património degradado, recuperado e à venda

Moradia de Argemil à venda, incluindo em anúncio na internet.


São casas de granito, como esta de São Cornélio, feita em propianho...

E outras, feitas de tijolos, que há anos não encontram comprador.


Apesar de se fazer alguma reconstrução,  o casario antigo permanece abandonado...


...por falta de adaptação às novas condições de vida



...e ao elevado custo da reconstrução.


Casa ou armazém com porta carral, da cultura do granito, em cuja parede é visível o excesso de cimento  nas juntas a cobrir a rusticidade da pedra.


Velhas habitações de granito, elementos identitários da nossa cultura...


Jóias do nosso património edificado, quem as salva?




segunda-feira, 20 de abril de 2015

São Cornélio na Primavera

Flashes

São Cornélio, na freguesia de Travancas, é terra de quatro rebanhos de gado ovino, sendo raro não cruzar com um, sempre que passo pela aldeia, a caminho da A24 ou de Chaves, por Vila Verde da Raia.


Das duas vezes que fui à aldeia, durante a época da Páscoa, como não encontrei quem estivesse a semear batatas, deixo uma amostra de imagens primaveris que por lá colhi.


Senhor Luís Nascimento, com animal de lavoura no  bebedouro.


Porta de entrada do velho forno do concelho, que já ninguém  utiliza, ao lado a fonte, também ela caída em desuso, com a canalização da água.


Floração, no quintal de uma bonita e moderna casa de cantaria.



Duas mós decorativas. De que moínho d'auga terão vindo?



 Lavadouro na primavera.


Um dos "Pastores da Raia".


Terras de Monforte de Rio Livre. No monte mais alto fica o castelo mandado construir no século XIII por Dom Dinis, o rei trovador.

"Olhai os lírios do campo" que tão bem ficam em São Cornélio!


Esta árvore fantasmagórica é uma espécie de totem! Dela emana uma energia enigmática, comparável à do espírito dos antepassados que velam pelos vivos, segundo crenças de tribos africanas. Espero que não a cortem!


Esta perspectiva da capela velha, na primavera, também é clássica!


São Cornélio, voltada para a veiga de Chaves, é uma aldeia pendurada no topo da montanha. 


Marcas de ruralidade, uma constante.

Vovô, a Bá!

Avô, levanta-te e faz a barba!

O Vasco passou uns dias em Travancas. Está quase a falar!



Hoje foi à cama acordar-me. "Vovô, a bá , acompanhando a fala com o gesto da mão no rosto, como no corte de barba.


São palavras que não usa  quando fala ao  papá. Com ele diz konijn, melk e outros termos em flamengo.

Vai se bilíngue, o Vasco!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Sementeira da Batata

Sem a força de outrora 

Vai longe o tempo em que a sementeira era uma grande azáfama. Por todo o mês de abril, no planalto ecológico da União das Freguesias de Travancas e Roriz, se viam tratores  a semear batata nas terras que não estavam de pão.


Numa terra que já foi "Capital da Batata"; onde se produzia excelente batata de semente certificada, importa-se agora,  da Holanda, a mais cara, a 28 € o saco de 25 kg e a mais barata, da Dinamarca, a 9,50 euros.


Este ano não vale a pena semear para vender. No anterior ano agrícola, com o quilograma da batata a ser comprado ao agricultor por dez cêntimos - preço que não cobria os custos - há produtores que ficaram sem vender a  produção, preferindo dá-la de alimento aos animais.



Na segunda semana do mês, indo de São Cornélio a Argemil, já só se vê um ou outro produtor a semear batata, para auto-consumo, em pequenas leiras.


O fim da época da sementeira  chegou  antecipadamente a meados do mês.


Resultante de Políticas Agrícolas Comuns, da União Europeia.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Fornada da Páscoa

Folar de Argemil da Raia

A Páscoa, em casa da dona Joaquina, rodeada de filhos, filhas, noras, genros e seis netos, é tempo de festa.  E nas terras da raia, festa pascal não se faz sem folar.





A velha casa de granito, hoje com outras funções, serve de arrecadação de lenha e tem um forno onde coze fornadas de saboroso pão caseiro, amassado por si.


Esposa de antigo moleiro no Rio Mouce, tem viva na memória os tempos de antanho. Comparando as farinhas com que se fazem os folares de agora, não tem dúvida quanto à superior qualidade da farinha moída nos três moínhos do marido.


A fornada da Páscoa é grande que a família também não é pequena e o coração, benigno, chega aos amigos.






Os folares, além de farinha de trigo, ovos, azeite, água quente e sal, levam presunto  e vários tipos de chouriço


Forno a lenha cheio de folares.


Além do forno tradicional,  a família tem outro no quintal, feito de metal mas aquecido a lenha, onde, prevendo uma grande fornada, a dona Joaquina cozeu os folares sobrantes com a ajuda de zelosos filhos. 


Hoje, a cozedura dos folares de carne; amanhã, a fornada de pão centeio e mistura.



Uns dias na terra, a celebrar a Páscoa em família. Com idêntico desvelo, momentos antes estivera  com o pai, a lavrar-lhe uma leira.


Folar de Argemil da Raia


Em Argemil, a festa da Ressurreição é também a festa do renascer da Natureza. Na montanha está-se mais perto d´O de Cima!


terça-feira, 31 de março de 2015

Ir a Segirei à cerveja

Mergulho na raia da Natureza

A área de lazer de Segirei não fica na freguesia mas é onde os habitantes das aldeias de montanha, dos dois lados da raia, fazem piquenique e vão a banhos na praia fluvial. Há quem vá para o Algarve, os de Travancas vão para Segirei!


Domingo de Ramos, uma tarde primaveril. Porque não ir até Segirei tomar uma cerveja? A tentação era grande, até porque o bar da área  de lazer deveria estar cheio de emigrantes e galegos, gente diferente dos habitués dos cafés de Chaves e de quem me sinto próximo.



Rodar 20 km para beber uma cerveja é obra! Ao chegar encontrei dois ou três grupos de famílias e um reboque espanhol, a levar um carro avariado de matrícula portuguesa. Como o bar estava fechado fiquei sem molhar a garganta; cerveja e tremoços ficaram adiados para quando se propiciar a ocasião.



O rio Mente, onde fica a praia fluvial, é considerado um rio truteiro pelos pescadores. Há grupos, de Chaves, que se juntam em Segirei para patuscadas e pesca à truta.



Choupal da praia fluvial, junto  a uma nascente de águas termais.  
Porém, a torneira onde se enchiam garrafões foi fechada. Quem terá sido e com que fins, a entidade que priva doentes do livre acesso, desde sempre, à água das caldas, dávida da Natureza?



Sinalização, para caminheiros,  do antigo caminho da Rota do Contrabando de Segirei, terra onde havia um posto da guarda fiscal.



Confluência do Regueiro do Peixe com o Rio Mente, ambos com forte correnteza nesta época do ano.



Urzes floridas ladeiam  a estrada que, serpenteando montes e apertados vales,  conduz a Segirei e segue depois para Vinhais através do Parque de Montesinho.


Na ida ao bar da praia fluvial parei em Argemil, para comprar cigarros, pretexto para tirar fotos a uma aldeia que me encanta.


Não encontrei o senhor Morais, para lhe encomendar estrume, mas dei o  recado à sua esposa, na altura a debagar milho para  dar às pitas.


Tocante quadro bucólico, do avô com neto a tocar o  cavalo, num lameiro de São Vicente da Raia. 


Mimosas amarelas da Aveleda.
Quem nunca, nas redondezas, ouviu falar na "bruxa" da Aveleda? Como todas as bruxas transmontanas, era uma curandeira que, com rezas mágicas e mezinhas, fazia o bem a uma população carente de cuidados de saúde, então inexistentes.


Aveleda, a bonita aldeia  situada no fundo de um pequeno vale, abrigada do vento Norte, em harmoniosa união do homem com a Natureza, é um lenitivo aos olhos do observador que não se limita a ver mas a refletir na obra do Criador.



Lameiro e choupal, em mais um bonito trecho do trajeto, onde se pode ouvir a voz do silêncio.


Chegada à meta! 
Não houve cerveja mas o passeio, numa tarde soalheira de Domingo de Ramos, valeu pela beleza paisagistica do trajeto; contacto com vida, presente no relevo montanhoso e na flora; e pelo bem-estar resultante da imersão na Natureza.