quarta-feira, 14 de maio de 2014

Festa de São Miguel em Argemil

Flashes da procissão

No último domingo, 11 de maio de 2014,  teve lugar em Argemil, a tradicional festa em honra de São Miguel, patrono da aldeia.


A saída da procissão, como é costume, partiu da capela de São Miguel, percorreu algumas ruas do casco velho e seguiu pela estrada até à igreja paroquial.






Passagem por um batatal em adiantada fase de crscimento, para a época.


Esperando pela procissão.


Este ano pareceu-me que foi menos participada. O dia, no entanto, estava ensolarado, bom para as pessoas sairem de casa.



A caminho da missa



Chegada à igreja



Para o senhor Celestino, a festa, em casa,  incluiu frango assado no forno do povo.


"Há uma festa mais perto de si, hoje, em Argemil!",  atirou-me a palavra, surpreendendo-me, este desconhecido senhor de Tronco, quando eu, entretido, tirava fotos à Festa do Morango, em São Pedro Velho, Mirandela. Despedimo-nos, até ao arraial!


Quando voltei a Argemil,  às 19h30, o conjunto tinha acabado de tocar, para o intervalo do jantar. No entanto, mesmo sem músicos em palco, havia quem continuasse a bailar.

A Banda Musical de Candedo, Vinhais, acompanhou a procissão e tocou à tarde mas não me deixou saudades, como a Banda Musical de Terroso! Como não fui ao arraial, a partir das 22h30, o Dia de São Miguel, para mim, restringiu-se à procissão.
Festa boa, para os festeiros!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Plantação da Batata

Em Terras de Monforte semeia-se!
No Dia da Europa 

A época da plantação de batata, iniciada em abril, está a terminar! Porém, nas aldeias de montanha que pertenceram ao extinto concelho da Terra de Monforte de Rio Livre, o povo prefere falar em sementeira, apesar do tubérculo não ser semente.



Embora haja quem continue  a semear, com guinchas ou animais, hoje quase todo o processo de produção de batata é feito com maquinaria.


Neste campo  de Argemil as batatas são cobertas no momento em que são plantadas. Atrás do tratorista, sentados no semeador, de dois regos, vão duas pessoas que fazem o trabalho de deitar as batatas nos sulcos abertos pelo trator.








Mas, antes da plantação, a terra é lavrada e gradada com tratores, mesmo em pequenos linhares. As juntas de bois desapareceram há mais de trinta anos!


Tó Rribeiro a gradar a terra da cortinha.




Tipo de máquina mais recente que o trator. Habitualmente é usada para lavrar courelas onde um trator é grande demais para as manobras.  Em região de minifúndio é de grande valia na substituição do trabalho braçal

Senhor Delmar semeando batatas com arado de ferro, técnica que na Idade Média, aumentando a produtividade, revolucionou a agricultura europeia. Em Travancas, com a vaga de mecanização tardia, na segunda metade do século XX, dos animais de lavoura, só ficou esta mula, para pequenos trabalhos. 

A entre-ajuda, típica de comunidades agro-pastoris, não desapareceu por completo de Travancas de Monforte, onde a mula do senhor Fernando tanto cobre as suas batatas como as de vizinhos que lhe pedem o animal emprestado. 
A mais antiga das três técnicas de semear batatas, usada pelo senhor João, de Argemil, e por todos que  semeiam um balde delas.





Sulcos são abertos com uma guincha.


Depois deita-se o adubo  e as batatas nos regos. Umas duas semanas antes, a terra foi estrumada. .


Cobrindo as batatas. Ao fim de três semanas, quando começarem a brotar, espalha-se a terra com um ancinho, para matar as ervas enquanto a raíz não é funda.


A propósito do muito trabalho que dá a plantação e colheita da batata, fica, para reflexão, o apropriado provérbio bíblico, "Com o suor do teu rosto comerás o teu pão".  Génesis, 3:19.



quinta-feira, 8 de maio de 2014

A pintassilga não voltou

Veio o rabo-ruço

O ninho foi feito na primavera de 2013 na ameixeira do quintal.  Pela descrição que fiz ao Eurico - ninho e pássaro pequenos - tratava-se de ninho de pintassilga. Depois da partida dos pássaros deixei ficá-lo na árvore, na esperança que a passarinha lá voltasse este ano a chocar os ovos mas a expectativa foi gorada, o ninho permaneceu vazio, antes, durante e depois da floração.



Em contrapartida, em abril nidificou  este outro passarinho, a que chamam rabo-ruço. Macho e femea serão de cores diferentes!


O casal escolheu a trave do telhado do cabanal, para nidificar, ou será que chocou os ovos em ninhos feitos em anos anteriores? Gostava de saber!



O rabo-ruço  tem muitos nomes. Chamam-lhe também rabirruivo preto, rabeta, rabisca, carvoeiro, ferreiro, etc.



Desde que voltei a Travancas, no Domingo de Ramos, chamou-me a atenção a sua constante entrada e saída do cabanal. Na altura pensei que estivesse a fazer o ninho mas já estaria a alimentar as crias porque, no final de abril, ensinou os filhotes voar, quando sairam do ninho.



Nesse dia temi que o gato da Dona Alzira, a rondar o cabanal, comesse algum deles. Felizmente, três do passarinhos levantaram voo.  A mãe não saiu do quintal enquanto o último  não partiu.



Que lição de amor materno não nos dão as aves!


domingo, 4 de maio de 2014

Rosas para as mães

Homenagem do Lar do Senhor dos Aflitos

A exemplo de anos anteriores, o Lar do Senhor dos Aflitos prestou homenagem às mães no Dia da Mãe, ofertando, este ano, uma rosa a todas as que participaram da missa dominical.















quinta-feira, 1 de maio de 2014

Emigrante na reforma

Reencontro em Argemil

Este senhor, tio do Amaral, chama-se Artur. Vive em Argemil, reformado por invalidez. Em França, para onde emigrou em 1970, trabalhou trinta anos. Foi lá que o conheci,  numa empresa de transporte de mercadorias, onde eu trabalhava umas horas, para juntar aos francos da bolsa  de estudos que o governo francês me concedia.



Era um homem reservado, pouco conversador, ao contrário de outros portugueses que trabalhavam "chez Malissard". Passados estes anos todos, vi-o na igreja de São Miguel Arcanjo, na missa de corpo presente do António pastor. Não me reconheceu mas confirmou ter trabalhado como "rouleur" na empresa onde eu, por saber falar e escrever em francês, fazia a conferência dos "bordereaux".



No dia 25 de Abril de 2014, fui a sua casa, no fundo do povo, 40 anos depois de nos termos conhecido. Enquanto me recordo de ter sido o Ribeiro - amigo até hoje - a  dar-me a notícia da Revolução em Lisboa, liderada pelo general Spínola, o senhor Artur não tem qualquer memória do dia 25 de Abril de 1974.



A ida a sua casa, para beber um copo, já estava apalavrada, desde o verão passado. Encontrei-o sozinho, à lareira, com um borralho de fazer inveja.



Sentado no escano, acedeu falar de si.  Antes de ir para França esteve quatro anos em Espanha, perto da fronteira com Melgaço. Na época, embora casado, as contingências da vida levaram-no a deixar a mulher em Argemil e partir, como tantos outros raianos, para franças e araganças. "Primeiro habitei em barracas do patrão", na região de Paris.




Desde que se reformou, por problemas no pé, reparte o seu tempo entre Argemil e França. Vem para a aldeia, "porque é a terra de cada um". No verão, costuma ir ao café, para conviver com os amigos. Em França, mora num apartamento,  com um dos filhos do segundo casamento. Ao todo tem cinco  e vários netos, espalhados por Setubal, França e Itália.



Vinho, chouriço e pão, à boa maneira da hospitalidade tansmontana.


"Agora vou mostrar-lhe a minha fazenda". E mostrou, não apenas o linhar anexo à casa como, graças a ele, aprendi que a deliciosa expressão "fazenda", levada pelos colonizadores para o Brasil e caída em desuso no Portuigal moderno, se mantém preservada no nosso Trás-os-Montes profundo.



Diz-me que "aqui é melhor que em França: os ares, a comida..." e que "aqui tenho tudo: batata, feijão, couves, verdura..." Todavia, em França estão os familiares que não voltam para a terra dos pais...



Senhor Artur, uma vida feita de partidas e regressos, igual à de tantos emigrantes.