segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Bestigo no pátio

Atemoriza enquanto não é morto

Esta cobra, de mais de um metro de comprimento, quando foi vista, estava calmamente enrolada, à sesta, a fazer a digestão do sapo que tinha habitat no quintal.



Já nos trazia sobressaltados, desde que surgira, quatro dias antes, nos degraus da escada  que liga o linhar ao pátio. Apesar de se dizer que as cobras são surdas, que apenas sentem vibrações, os gritos de medo e a correria, para fugir dela,  devem ter feito com que se escondesse.


Desta vez, porém, não se mexeu, dando tempo para lhe tirar fotografias  e ir buscar o ancinho que, espetado na barriga, a deixou imobilizada. Uma sacholada decepou-lhe a cabeça, depois. 


Parte central mais dilatada. Seria do sapo devorado e cuja digestão estaria a ser feita?



Com o bestigo morto a tranquilidade voltou a casa. 




quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Festa da Primeira Comunhão

Eucaristia, um dos sete sacramentos


No último domingo, 10 de agosto, celebrou-se a primeira comunhão de cinco  crianças,  três das quais fizeram a catequese em França. Na catequese elas aprendem a doutrina católica e, antes de comungarem, confessam-se ao padre.



Os participantes comungam pela primeira vez, recebendo a hóstia, "Corpo e Sangue de Cristo sob a forma de pão e vinho".


Apesar da missa ter sido transferida, de manhã para as 16 horas, a igreja de São Bartolomeu encheu-se de fiéis e familiares para participarem na eucaristia, celebrada pelo senhor padre Delmino.



Menina Inês, filha do Amândio, do café de São Cornélio.



Menino de São Cornélio.

Clément, residente em França mas argemilense dos quatro costados. É neto do senhor Albino Barreiras e da dona Prazeres.


Menina Daniela, de São Cornélio, filha do Nelson e da Cláudia, residentes em França.





Bruno, neto da dona Judite, de Travancas.






O senhor Luis Nascimento e a esposa, embevecidos com a primeira comunhão da neta.





Meu querido pai
Os dois Brunos, de Travancas.



sábado, 9 de agosto de 2014

São Cornélio em Festa

Férias de emigrantes alteram data

  Na igreja católica, o dia de São Cornélio, 21º papa,  é comemorado em 16 de setembro, por ter sido nesse dia, do ano 253,  que foi degolado, segundo São Jerónimo. 



São Cornélio com o hierofonte ou  cruz papal, formada por três barras, decrescentes em tamanho e cortando uma haste vertical. As três traves imbolizam as funções do Papa, sucessor de São Pedro.



Este ano a festa ao padroeiro foi antecipada para agosto, para permitir a particicipação dos muitos emigrantes que neste mês gozam férias na aldeia.



A festa religiosa consistiu numa missa, na capela nova, às 11h30, seguida de procissão com dois andores.


Em grande número, jovens e crianças, filhos de emigrantes, participaram nas celebrações religiosas e laicas.


Andor de Nossa Senhora de Fátima.



Emigrantes carregando andor do patrono aos ombros, em cumprimento de promessa.




Padre João, jovem barrosão, pároco das freguesias da Castanheira, celebrando a eucaristia. Substituindo o senhor padre Delmino, cativou  pela empatia, calma e autoridade evidenciadas. Está talhado para se tornar num líder espiritual com futuro brilhante. 



Charanga de Verim, CBD,  tocando o hino de Nossa Senhora no final  da missa.



Quem também esteve em festa, recentemente, foi o senhor José Augusto. A ele, parabéns pelo seu 90º aniversário.



A pedra mestra da igreja é ela, Dona Berta, a quem os homens obedecem com a reverência que se devota aos chefes carismáticos.



Post scriptum: A senhora da foto não se chama Berta mas Onorina, esclarece, no seu comentário, o senhor João Ramos. 



Capelas de São Cornélio: a velha e a nova.



A atuação da Charanga de Verim, ao lado da tasca, foi prejudicada pela  música saída da aparelhagem do Agrupamento Musical Anaconda,  contratado para atuar no arraial.




A festa de São Cornélio terminou calmamente; bem diferente da zaragata de há 69 anos, ocorrida em 16 de setembro de 1945, entre dois grupos rivais.  No tiroteio foram mortos dois rapazes de Paradela e quatro de Travancas foram condenados a 25 anos de cadeia cada um, sem no entanto o tribunal ter apurado a autoria dos disparos mortais.


Reencontro em São Cornélio, de filhos de emigrantes. O portuguesismo do Steven, emigrante em Paris, é elucidativo da ligação afetiva dos jovens à terra dos pais.



Em festa, São Cornélio tem outro encanto.



Tempo das ceifas no fim

Colheita do pão

Antigamente, durante o verão, ranchos de segadores percorriam a Terra Quente, primeiro, e depois a Terra Fria, adentrando pela Galiza,  para ganhar a jeira nas segadas.


Com a mecanização, são os donos das  ceifeiras-debulhadoras e das enfardadeiras a fazer-se ao caminho, como este de Veiga do Lila, perto de Mirandela. Há vários anos que vem, ao Planalto de Travancas, ceifar o centeio a alguns agricultores cuja produção não justifica tão elevado investimento.


Esta estrada é lindíssima, especialmente ao fim da tarde, quando o sol desaparece no horizonte, atrás da Serra do Larouco. Não sei se o ciclista é de Curral de Vacas, como outros dois que subiram à procura de emoções especiais, sentidas por quem contempla, cá do alto, o mar de montanhas ao longe.



Dois homens ensacam o pão, logo a seguir à ceifa, trabalho mais demorado no passado. Além disso ocupava dezenas de pessoas,  no transporte dos molhos de centeio para as eiras, já borradas, na feitura das medas e nas malhadas.


Já tosquiadas, "As nossas irmãs ovelhas" - parafraseando São Francisco de Assis - também apreciam cereal, alimento que tornou o homem num ser sedentário.


"Não fotografe os fardos, fotografe as pessoas!"- atirou-me este agricultor de Argemil. Ele não deixa de ter razão mas este ano, sem procurar quem anda nas ceifas, não encontrei muita gente nesta árdua tarefa.


Os tradicionais fardos. 
Há queixas de que este ano,  além das espigas darem pouco grão, a palha também não terá sido muita, diminuindo as expectativas de o rendimento obtido com a venda, igualar o do ano passado, não chegando para cobrir as despesas.



Uma parte da produção de palha enfardada fica para o consumo do gado. No entanto não faltam compradores a subir a montanha, para se abastecerem de um bem de grande utilidade na agriculura, incluindo para a produção de estrume.


Travancas na vanguarda das novas tecnologias com as enfardadeiras de rolos. Ver a primeira foto.


Com o preço da batata e do centeio a não compensar a produção, salva-se a castanha.

 
Valha-nos Ceres, deusa romana da agricultura!


Água tratada da rede

Bem da humanidade ou mercadoria?

Desde há algum tempo que nos bebedouros foi colocada uma placa a indicar que a água da rede é tratada. O custo, para cada vizinho com água ligada à rede, importa em 24€ anuais, dois por cada mês, para cobrir os gastos com análises periódicas e tratamento da água. Custos do dito progresso!


Em Travancas a água sempre foi de excelenete qualidade, e até as batatas cozidas nela tinham melhor sabor. Todavia, há quem diga que ultimamente já não era tão boa e atribua a alteração à intensa utilização de pesticidas, infiltrados nos lençóis freáticos.



Porque a água é um bem essencial da humanidade  e não é inesgotável, torna-se necessário o seu consumo racional. A nível local, para controlar a utilização da água do povo, doravante, torna-se obrigatório, para quem consome água da rede, a instalação de um contador.  Material e trabalho importam em 150 euros,  incluindo 60 euros  para a Junta, pelo valor do relógio.



Por decisão da Assembleia de Freguesia, o consumo será gratuito até  5 metros cúbicos e só se fará a contagem nos quatro meses mais quentes do ano.

Mas, até quando é que a autarquia vai conseguir resistir à pressão para que a gestão da água da freguesia não lhe seja retirada, para ser entregue à companhia das  Águas de Portugal ou a outra  similar?

A obrigatoriedade dos contadores não será o primeiro passo de uma estratégia mais vasta e de médio  prazo, para a privatização e encarecimento da água ao consumidor?



A água,  um direito humano ou uma mercadoria?