domingo, 18 de janeiro de 2015

Funeral do senhor Cassiano

Por quem os sinos dobram?

Realizou-se esta tarde o  funeral do senhor João Cassiano, falecido na sexta, depois de no dia anterior ter sido levado de urgência para o hospital de Chaves.


O cortejo fúnebre partiu da casa mortuária para a igreja matriz, onde o senhor Padre Delmino celebrou, pelas 14 horas, uma missa de corpo presente.



A missa de sétimo dia será realizada na próxima terça-feira, pelas 11 horas, na igreja de São Bartolomeu, em Travancas.


O senhor Cassiano vivia no Lar do Senhor dos Aflitos. Dele, nonagenário de poucas falas, vou guardar o sorriso tímido e a imagem de homem sempre sentado, com aprumo, numa cadeira, ao lado da companheira que escolheu para a caminhada terrestre. 



O funeral de qualquer vizinho é um acontecimento que entristece toda a comunidade, sendo muitos os que ao toque dos sinos acorrem ao velório, à missa ou ao cemitério, para dizerem o último  adeus a um dos seus.


Sentidos sentimentos à família enlutada, pela partida do ente querido para o Oriente Eterno.



Foi há um ano... a 10 de janeiro de 2014.
Agostinho. 
-Presente!




sábado, 17 de janeiro de 2015

Iuupiii! Bem-vinda, ó neve!

Cai neve na Natureza
e cai no meu coração

 


Balada da Neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.



É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…



Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!



Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Augusto Gil 

Fotos de arquivo

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Rei magRo ...

 Hoje, Dia de Reis,  sinto-me mesmo!

Hoje, pela manhã, aquela que escolhi para companheira da jornada terrena, quando ainda estava meio ensonado, veio pedir-me os reis. Todavia, apesar de me ter esquecido da tradição, quem os ganhou fui eu, afinal,  e não ela.








Travancas, por seu lado, como tem sio habitual este inverno, acordou coberta por um manto branco de geada; noutros dias, são as névoas.



Diz a tradição que neste dia, há mais de dois mil anos, em Belém, os Reis Magos, guiados por uma estrela, visitavam o Menino Jesus e lhe ofereciam ouro, incenso e mirra.



Ao fim do dia recebi outra prenda, sob a forma de um  comentário à postagem "Bucho da São".  Gostei tanto do texto que o transcrevo, prestando apreço ao seu autor, cavalheiro  de letras, cultivador de um saboroso estilo galhofeiro.


Anónimo disse...

“Rei magRo!”

Para Os DAÍ, que estão AÍ, (porque «estão» ou porque puderam ir AÍ) estas «coisas» (nem é bom chamá-las pelo nome, pois “atão” inda teríamos uma maior perturbação “ciclónico-cerebral-gustativa”), inda vá que não vá, se ponha aqui esta meia dúzia de retratos.

Mas, para OS DAÍ (porque não estão AÍ, e porque não puderam ir Aí) a Um porem-lhe MAIS CINCO é que é mesmo uma afronta, um verdadeiro «SOPAPO», um autêntico «MURRO no ESTÔMAGO»!

E, «ós-despois», ‘inda há quem se admire do «mal d’inbeija»!
O autor do Post(al) é mesmo maroto: devia ficar só pelo prato de arroz doce!
Mas, sabendo da nossa «fraqueza» (não estivéssemos nós assim há tanto tempo sem meter o dente num grelitos dessa qualidade) vem-nos aqui arreliar desta maneira!




Se a Minha AVÓ SÃO, fosse viva e se a Minha SOGRA SÃO fosse viva inda lhes poderia chorar no colo e fazer-me calhar «um cibeco dum migalho» de coisas boas como as que o autor do Post(al) trincou!
A Minha Filha SÃO, que de remédios de Farmácia é muito entendida, é que não me pode valer nesta aflição de aumento de apetite assim provocado!
Ai, Tia SÃO de Travancas da Raia, d’hoje prà frente conte com mais um sobrinho e vizinho!


Hoje, «Dia de reis», sinto-me mesmo um “rei magŖo”!
M., 6 de Janeiro de 2014
Luís Henrique Fernandes

Luis - Tupamaro na blogosfera -  é autor do livro Missa do 7º Dia, cuja crítica, feita pela minha cara metade, tive oportunidade de publicar em Ferrado de Cabrões.



sábado, 3 de janeiro de 2015

Bucho da São

Ceia de fim-de-ano
Com sabores transmontanos

De há uns anos para cá é costume em minha casa, na ceia de passagem de ano, não faltar o bucho da dona Conceição - São, como os amigos e vizinhos a tratam.


Bucho, para os não transmontanos, é o nome que se dá ao estômago do porco e é também  o nome de um tradicional enchido em que em vez de tripa se usa o estômago do reco.  Recheado com costelas sorçadas e cebola,  é atado e pendurado nos lareiros para curar ao fumo durante pelo menos duas semanas.


Prato tradicional de bucho cozido com grelos e batatas.


A dona São, como referido em anteriores ocasiões,  produz  todo o tipo de fumeiro, incluindo chouriças de cabaça.


A mirgada, fruta da Terra Quente, apreciada em casa, especialmente por mim.


Na sobremesa da ceia de fim de ano não podia faltar o tradicional arroz doce.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Bem-vindo 2015

                       Benvido

Apesar de frequentes geadas, desde novembro, terem queimando as couves do Natal, a neve teimou em não aparecer até à aurora do novo ano solar, inicidao  no solstício de inverno.


Símbolo da passagem das trevas à luz, o galo é o anunciador de boas novas  trazidas pelo novo ano. Pois que assim seja, que todos tenham boas novas em 2015.


 Feliz Ano Novo




terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Bom Natal *** Bo Nadal

vrolijk Kerstfeest 
 Merry Christmas
 Feliz Navidad
 Joyeux Noël
 Frohe Weihnachten

"A todos um bom Natal
A todos um bom Natal
Que seja um bom Natal
Para todos nós"



Festa cristã
Nascimento de Jesus Nazareno



Poema do Menino Jesus

Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu. (...)





Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)



Pastor de São Cornélio


Nascimento de Jesus anunciado aos pastores
Evangelho segundo São Lucas

8Na mesma região encontravam-se uns pastores que pernoitavam nos campos, guardando os seus rebanhos durante a noite. 

 9Um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor refulgiu em volta deles; e tiveram muito medo.  

10O anjo disse-lhes: «Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: 

11Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor.




12Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.»

13De repente, juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste, louvando a Deus e dizendo:


14«Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado.»



Igreja velha de São Cornélio



Natal, Festa da Família
Numa sociedade consumista, marcada pelo secularismo e pelo laicismo da vida pública, o simbolismo cristão do Natal,  tem vindo a ficar diluido numa bonita Festa da Família impregnada de elementos pagãos.


A troca de prendas - mercantilização de afetos - ganha relevo nas práticas sociais, em detrimento da ceia da Consoada e da Missa do Galo.


 Igreja de Argemil

Mensagens de Natal
Natal é todos os dias quando, no silêncio de nossos corações, aquecemos com ternura os corações daqueles que nos acompanham na caminhada pela vida.

¡Ai, qué santo e bó sería o Nadal
si houbera no mundo menos mal!
¡E nós eiquí calados!


Votos de boa saúde aos utentes do Lar do Senhor dos Aflitos...





domingo, 21 de dezembro de 2014

Solstício solarengo e frio

21 de dezembro, dia mais curto do ano

Sem chuva e sem neve, chegou oficialmente o inverno, a estação mais fria do ano.  No entanto, as baixas temperaturas e as geadas já tinham vindo bem antes, sem esperar pelo calendário.

 

Na mitologia egípcia, o início do inverno ocorre quando o carro solar completa o seu ciclo e viaja para o mundo dos mortos, o submundo de Anúbis.



Fora da Terra de Mênfis, em latitudes mais setentrionais, como Travancas, este é o dia mais curto do ano e a escuridão é a mais longa das noites. 

Carregado de simbolismo, o solstício de inverno, em dezembro, traz-nos  o grande inverno da Natureza - dicotomia da vida e da morte; do bem e do mal; da luz e das trevas.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Pintor de Argemil no Chaves Viva

Luis Batista em exposição coletiva

Luís na inauguração da "Exposição Coletiva de Artes Plásticas 2014", em outubro, no salão multiusos do Centro Cultural de Chaves, instalado no espaço dos armazéns da antiga estação dos caminhos de ferro.



O pintor de Argemil foi convidado pela Câmara Muniicipal e pela Associação Chaves Viva para integrar uma exposição que juntou trabalhos de 14 artistas plásticos flavienses.


O objetivo da mostra é o de dar a conhecer ao público novos trabalhos, de variados estilos, dos artistas convidados. 



Coube ao presidente da autarquia flaviense a inauguração da exposição coletiva.


Cocktail


A exposição esteve aberta ao público até ao início de novembro.


No decorrer da inauguração teve lugar um mini concerto de violino, dado por um aluno da  Escola de Música e Ballet Mozart.



 Tiago Vidago, violinista.


Com a participação em exposições individuais ou coletivas,  o jovem de Argemil afirma-se no meio artístico flaviense e vai ganhando visibilidade no público atento a eventos culturais. A notoriedade do pintor não deixa de ser positiva para a imagem da terra.


Luis e Ricardo Costa,  jovens artistas a abraçar o futuro.