Autodidata
Luís Carlos Batista, 24 anos


'No 6º ano, o professor fez um concurso para ver quem desenhava melhor. No fim ganhei eu'.


No ensino unificado - 7º , 8º e 9º anos - estudou em Chaves, na Escola Dr. António Granjo. Nessa altura fazia desenhos a carvão e com tinta.

O Luís não fez o ensino secundário - 10º, 11º e 12º anos, porque o curso de Desenho Gráfco, que pretendia seguir, só existia no Porto e em Lisboa e a família não dispunha de meios económicos, para o mandar estudar. Ficou na aldeia, de onde emigrou para Madrid e por lá permaneceu alguns anos.
Sensibilidade artística
O Luís é um rapaz sociável, dando-se bem com os moços e moças da terra, como aliás acontecera na escola, onde teve bom relacionamento com os professores.
No dia a dia, concilia um visual moderno, com a preservação de valores tradicionais como a família, a amizade e a prática religiosa. Em 2008, foi padrinho de crisma de um amigo.
A pintura do jovem artista está carregada de erotismo. Retrata nús femininos que evidenciam graciosidade e leveza.
Gosta de pintar flores, especialmente jarros brancos e antúrios vermelhos, flores que no plano simbólico aparecem associadas à pureza e à paixão.
A própria forma das flores sugere uma cópula vaginal.
Potro, garanhão
Por-do-sol tropical
A sua obra reflete também a cultura transmontana em que está inserido.
Apesar da sua juventude, Luís já tem uma vasta obra feita que ultrapassa centenas de pinturas. No entanto nenhuma é a óleo. Sem dar explicações, diz-me apenas 'Não pinto a óleo, já pintei'.
Pinta grandes superfícies, como a parede exterior desta casa de Argemil.
A parede interior de um salão de cabeleireiro.
A decoração de um quarto de criança.
O jovem pintor faz trabalhos por encomenda. Faz de tudo. Tem divulgado a sua obra, num café de Argemil, no Geraldes de Chaves e na feira mensal de Travancas. Tudo começou no entanto em Madrid, no café onde trabalhou, graças ao patrão que o deixava expôr. Foi aliás, na capital espanhola que começou a comprar pincéis, tintas, telas e a pintar lojas.

Projetos
Dadas as dificuldades que enfrenta, não faz parte dos projetos do pintor autodidata, retomar os estudos de artes gráficas. No seu horizonte está a eventual realização de uma exposição conjunta com um pintor de Vila Real. O que o preocupa, como a todos os jovens, é obtenção de meios económicos que lhe permitam sobreviver sem a ajuda dos pais. Para isso, o seu objetivo passa por 'tentar ficar mais conhecido, ir à TV apresentar o trabalho'.
Quanto a mim, desejo que algum "olheiro" da pintura o descubra e que, além de o incentivar a conhecer grandes mestres da pintura universal: Picasso, Van Gogh, Michelangelo, ou transmontanos como Graça Morais, Nadir Afonso e Mário Lino, lhe dê a oportunidade de mostrar o que vale.
Contato do pintor
telemóvel 93 467 99 17
2 comentários:
Boa noite. Ao ver a reportagem do Luís, ofereço-lhe uma exposição em Chaves, na sala multiusos do Centro Cultural, na Chaves Viva. Um abraço. António Ramos
Boa noite.
Fiquei satisfeito, pelo Luis, da sua oferta de uma exposição no centro cultural da associação Chaves Viva. Dei-lhe hoje a notícia, tinha estado para Espanha, nas vindimas.
Para tratar da exposição, o senhor presidente pode contatar diretamente com o "Pintor de Argemil" ou por meu intermédio, se preferir. (euroluso@gmail.com)
Em nome do Luis, obrigado pela oportunidade que lhe dá de o seu trabalho ser exposto ao público flaviense e de, eventualmente, ser avaliado por profissionais da área da pintura.
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