sábado, 28 de agosto de 2021

Faleceu Gustavo, ex-autarca

 Dinossauro da política local

RIP - Requiescat in pace

O senhor Gustavo Batista, ex-autarca socialista, a poucos meses de completar 81 anos, faleceu em sua casa, em Travancas, dia 25  do corrente mês, vítima de várias doenças.


O funeral realizou-se ontem, dia 27 de agosto, tendo ficado sepultado no jazigo da família no cemitério de Travancas. A missa de corpo presente e a procissão tiveram a participação de muitas pessoas, algumas oriundas de localidades mais distantes.

Nos últimos dias, além deste óbito, faleceram mais  duas pessoas em Travancas.


Um dos últimos atos políticos do autarca falecido foi a concordância com a Câmara Municipal de Chaves, de maioria PSD, para a criação da União das Freguesias de Travancas e Roriz, esta também presidida por outro dinossauro socialista, o senhor Antero Ginja

Gustavo Batista, com exceção de um curto período, esteve no poder, como presidente da Junta de Freguesia de Travancas, desde as primeiras eleições autárquicas realizadas em liberdade,  em 1976, até 2013, ano em que foi substituído pelo seu camarada de partido, Rogério Paulo Maldonado Pinto.


À dona Maria, aos filhos e demais familiares, sentidas condolências pela perda do ente querido.
 

 

Podias ser tu

Meu querido neto

Hoje, antes da hora do almoço, o teu avô e o Lowie Vasco, teu primo de oito anos, foram de bicicleta ao cemitério. O teu avô precisava ir lá, para tirar fotos à campa do senhor Gustavo Batista, ex-presidente da Junta de Freguesia de Travancas, enterrado ontem.  As fotos destinam-se a ilustrar a notícia do falecimento do autarca no blogue Travancas da Raia.


O Vasquinho acompanhou-o mas quis levar flores para pôr na campa do tio João Pedro. No canteiro do pátio colheu uma hortência azul e cosmos. 

 

Ao tirar a foto ao teu primo, debruçado sobre a campa do tio que só conhece por ouvir a mãe e os avós falarem nele, ocorreu-me pensar que o menino meditativo podias ser tu, embora sejas três anos mais velho! Ficarei feliz se um dia te vir a ti trazer flores à campa do pai que desconheces. 
Também ele, ainda menino, gostava de flores, colhendo-as no carreiro do Moinho das Antas, paralelo à linha do comboio do Estoril, para levar à mamã.

 

 

Meu querido neto, hoje é sábado, véspera da Festa do Senhor dos Aflitos. Amanhã, à hora do banquete, faz doze anos que recebemos a notícia do acidente que vitimou o teu pai nas terras do Sul. Doze anos de dor e de saudade do sorriso dele.

Lá onde estiveres, que o Criador te proteja e sejas feliz.

O avô paterno



 

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

O nosso Bocage

Trasmontano, agricultor, ateu e republicano

Em quatro palavras, auto-retrato de José Maldonado, residente em Travancas, aldeia que o viu nascer em berço dourado.



Mas o José Maldonado além de ser "trasmontano, agricultor, ateu e republicano", também escreve livros. É escritor, é poeta.



Em 2016  escreveu  o  livro  de poesia Vinho Novo da Pipa Velha .
Alguém põe vinho novo em pipa velha?


Vinho Novo da Pipa Velha foi lido em segredo  e comentado a meia voz,  por senhoras que se sentiam escandalizadas, por ser uma obra obscena e de ataque ao padre.

Zé Maldonado, obsceno? E o Bocage?




Entretanto, o  escritor-agricultor, já escreveu outro livro que tem por título Podia ter sido...



terça-feira, 10 de agosto de 2021

Órfãos de Mário

 Argemil da Raia chora perda de um filho

Missa, de corpo presente, por alma   de Mário José da Silva Órfão, falecido dia 8 de agosto de 2021, aos 47 anos, vítima de doença prolongada.

 

A consternação pela morte do marido da Marta  foi grande. Familiares, amigos, vizinhos, emigrantes  e desconhecidos enchiam a igreja e espalhavam-se pelo adro. Carros estacionados ao redor da igreja eram seguramente mais de cem com matrículas portuguesa, espanhola e francesa.
 

 

Como é costume nas aldeias, o cortejo fúnebre para o cemitério de Argemil da Raia, foi acompanhado por muito povo vindo de povoações vizinhas.


 

Mário "saiu da vida
mas não da nossa vida.
Como poderemos acreditar
que morreu, quem tão vivo
está nos nossos corações".
 
 
À Marta, aos seus pais e demais familiares, expresso as minhas sentidas condolências.
 
 





domingo, 8 de agosto de 2021

Ceifa do pão a terminar

Cultura de centeio, cultura raiana

 Ceifeira em Argemil

 


 


 

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Arranque da Batata ´21

 Boa colheita

 
 



 


 
 
 
 

domingo, 25 de julho de 2021

S.Tiago raiano

2021 Ano Jacobeu

25 de julho, Dia de S. Tiago Maior. Em 2021 celebra-se o  Ano Jacobeu porque o dia do apóstolo  cai num domingo.  Porém, nas terras raianas de ambos os lados da fronteira - Mairos, Tronco e Arzoá - por causa da pandemia não há festa.


Outrossim, no Cruzeiro da Roçada, a festa é outra. O gatinho preto da foto, escorraçado do pátio por felino que demarcou o território, refugiou-se no alto da Roçada, onde por vezes faz guarda ao cruzeiro e espera que eu apareça com  alimento.


quinta-feira, 8 de julho de 2021

À Memória do Abade de Baçal

 Fundador  da capela do Senhor dos Aflitos


Patrocinador da homenagem ao Abade de Baçal e presidente da Câmara Municipal de Chaves a inaugurar o monumento, dia 4 de julho de 2021.

O memorial está  situado no  espaço contíguo à capela do Senhor dos Aflitos, edificada pelo abade em 1893, em umas ruínas romanas do termo de Travancas, quando o então jovem padre iniciava a sua vida pastoral nas paróquias de Mairos e Travancas.


 IN MEMORIAM

A pirâmide quadrangular no topo do monumento evoca os obeliscos erigidos no Antigo Egipto à memória de Rá, deus solar. O ponto negro, similar no seu significado ao Olho de Horus, pretende simbolizar Aquele que tudo vê, Geómetra do universo.

 

 

Dr. Nuno Vaz Ribeiro e Dr. Alípio de Mairos, historiador e ex-padre, assistindo à bênção do monumento pelo senhor padre Delmino Fontoura. 



Se a gente de Mairos tem viva a ligação do Abade de Baçal à aldeia, em Travancas ignorava-se que ele tivesse sido pároco da freguesia e nada se sabia sobre a origem da capela do Senhor dos Aflitos.

 

 

O painel de azulejos no lado Sul do monumento ilustra a capela atual, sob um galero, chapéu heráldico dos abades, com asa larga e cordões, terminados em borlas, caídos sobre o peito.
 


Dois dias antes da Eucaristia, a zeladora de Argemil limpou a capela e, na véspera da inauguração, duas senhoras de Travancas substituíram as flores de plástico por flores naturais, deixando o altar-mor enfeitado como se fosse para o dia de festa do patrono.


Na Eucaristia, o civismo da população foi patente no respeito pelo distanciamento social e no uso generalizado de máscara a tapar a boca e o nariz.



Marido da Dona Claudina à porta do forno a lenha.

A festa em honra do Abade de Baçal terminou com um convívio, organizado pelos presidentes das juntas de freguesia de Mairos e Travancas, em colaboração com o Carlos, um dos mordomos da festa do Senhor dos Aflitos.
 
Além de dois cordeiros e dois leitões assados, pão e bebidas, algumas famílias também se associaram ao convívio em apoio financeiro, oferta de bolos e prestação voluntária de trabalho.
 

 
Nem todos que estiveram na cerimónia de inauguração do monumento ficaram para o convívio, receosos de ficarem contagiados pela Covid-19.

Não foi o caso do senhor "Ramboia", de Vilarelho da Raia, festeiro de cepa velha que, acompanhado por familiar de Argemil, esteve bem disposto nos comes-e-bebes. Aos 91 anos ouve bem, não usa óculos,  vive só e goza de boa saúde!



Com a oferta do obelisco, o professor Adriano Pereira, casado na capela do Senhor dos Aflitos e admirador da Abade de Baçal, tirou do limbo do esquecimento uma página do passado da Paróquia de São Bartolomeu de Travancas.  

O emblemático Memorial com ajardinamento do espaço envolvente, vai ficar para a posteridade, atestando que o ilustre abade é património imaterial da freguesia, reconhecido e acarinhado pela sua gente.

Em 2020, a colocação de placas toponímicas a indicar o Caminho do Abade de Baçal, caminho velho que unia Travancas e Mairos, foi o primeiro passo da recuperação da ligação simbólica das duas aldeias ao pai cultural da nação transmontana.

 De mãos dadas, sem protagonismos estéreis, Mairos e Travancas, pela homenagem conjunta ao Abade de Baçal, são exemplo de que a união faz a força do todo e a todos dignifica.

 

NOTÍCIA DA INAUGURAÇÃO DO MEMORIAL NA IMPRENSA

1 - Jornal Voz de Chaves, edição on line Diario Atual.

https://diarioatual.com/inaugurado-monumento-em-travancas-a-memoria-do-abade-de-bacal/#prettyPhoto

2 - Jornal Voz de Trás-os-Montes

https://www.avozdetrasosmontes.pt/inaugurado-memorial-ao-abade-de-bacal-em-travancas/



domingo, 4 de julho de 2021

Memorial ao Abade de Baçal

 Inauguração dia 4 de julho de 2021

 PROGRAMA

16h00    Eucaristia dominical no Senhor dos Aflitos 

16h40  Bênção do monumento pelo senhor Padre Delmino

16h50 Descerramento do obelisco pelo Presidente da Câmara

Dr. Nuno Vaz Ribeiro

17h00 Convívio, com comes e bebes, no recinto do bar.

 


 


domingo, 20 de junho de 2021

Batatais floridos

Boas colheitas?

 


 



 
 
 

terça-feira, 25 de maio de 2021

Quantos somos?

 Censos 2021

 
Quem não a conhece em Argemil, São Cornélio e Travancas? Ela é a Marta, rosto dos agentes do Recenseamento Geral da População nas aldeias da freguesia

 


domingo, 2 de maio de 2021

Unha cervexa en Arzádegos

De regozijo pela reabertura da fronteira 

Ida e volta ao outro lado da raia.

Devido à pandemia do coronavíirus,  a estrada entre Travancas e Arçádegos esteve  bloqueada com duas vigas de cimento,  entre 31 de janeiro de 2021 e 16 de março. Antes do término, porém,  o fecho foi prolongado até 30 de abril. 

Com o anúncio da reabertura das fronteiras terrestres, as vigas foram retiradas na manhã do dia Primeiro de Maio.


Ontem, Dia do Trabalhador,  por estar a fazer trabalhos agrícolas, não  pude deslocar-me a Arçádegos, mas hoje, mesmo sabendo que em Espanha continua a vigorar o estado de emergência,  fui ao outro lado da raia festejar a liberdade de circulação, sem receio de ser contagiado.


Dia ensolarado e primaveril. De  Travancas ao Vale Grande a estrada é sempre a subir. Para lá da suave paisagem, humanizada por searas e soutos, o olhar estende-se sobre  um majestoso mar de montanhas com quase 360 graus de ângulo.

Passada a fronteira, a estrada serpenteia, em íngreme descida, por giestais, campos cultivados e terrenos atapetados de tojos e urzes floridas.

 

Do alto de Arçádegos avista-se Florderrei Vello,  airosa aldeia situada num outeiro da Serra de Penas Livres, e em cujo topo se perfila a Ermida oitocentista de Nossa Senhora das Portas Abertas.

No local havia um castro celta. Uma lenda pagã diz que o sítio foi lugar de peregrinação das almas dos mortos, transformadas em formigas voadoras no final do Verão.



As relações entre vizinhos raianos, sem contrabando nem contrabandistas, perderam intensidade e o cunho de cumplicidade que as singularizava. 

Em Arçádegos, o comércio vocacionado para os portugueses caiu a pique após a adesão dos dois países ibéricos à CEE em 1986.

 

 

Hoje vai-se de um ao outro lado da raia em passeio, às festas e pouco mais.  Pessoalmente, fiz da "Taberna Entre Nós o poiso onde vou bebericar, petiscar e aproveitar para meter conversa com  algum galego.

A um deles, reformado, perguntei onde era a casa da família do escritor Sílvio Santiago e não me soube responder. Desculpou-se, dizendo que tinha estado na Alemanha muitos anos, como emigrante. Outro, de Travancas não conhecia ninguém, exceto o Toninho Maldonado, por quem perguntou.

 

CERVEXA,  bom pretexto para uma escapadela ao outro lado da raia.

Depois de saborear uma Estrella Galicia, cerveja leve, dei uma volta pela aldeia, à procura das adegas tradicionais.
 


Passadiço  de madeira sobre  o regueiro que nasce na face Norte da Serra de Mairos. Trata-se de uma obra integrada na Rota do Contrabando, caminho recuperado há anos pelo concelho de Vilardevós, municipalidade  a que Arzádegos pertence.

 

Camiño das Bodegas

Numa terra onde não há vinhas, consta terem existido 40  adegas tradicionais, datadas de há mais de 100 anos. Cinco delas, pelo seu valor histórico, foram restauradas pelos proprietários.  

Não havia  vides mas fazia-se e bebia-se à farta o néctar de  Baco com uvas compradas noutras terras galegas e em Portugal. Histórias de borracheiras não devem faltar!


Neste Caminho das Adegas, o mesmo do contrabando,  encontra-se uma harmoniosa fonte de nascente, de linhas sóbrias. O telhado, feito em granito e com grande inclinação, formando  um triângulo com vértice voltado para o alto e cruz ao centro, evoca a imagem, em miniatura, das grandes abadias dos monges cistercienses e das catedrais góticas cujos  pináculos pareciam tocar o céu.


Povoação fértil em água, Arçádegos tem neste momento  as leiras lavradas para o plantio das hortícolas. 

 

A placa toponímica "Portugal  por Trabancas" indica que temos de seguir o caminho para a direita. Às vezes tem que ser!
E a igrexa, afinal, é de Santa Baía ou de Santa Eulália como já tenho lido?

 

Alto de Mairos lá riba. Bem íngreme!
 

 

Marco fronteiriço

P´ra rente, Portugal.


À entrada da Capital da Batata, a placa toponímica saúda os viajantes na língua dos irmáns de fala: Benvidos a Trabancas