domingo, 10 de maio de 2009

Dia da Europa na Escola de Argemil

Trás-os-Montes no Mapa das Comemorações



Flores colhidas pelos alunos no campo
Europe Day Journée de l'Europe

Pela primeira vez foi comemorado o Dia da Europa na Escola primária de Argemil, concelho de Chaves. Pelo facto de o dia 9 de Maio ser num Sábado antecipou-se a comemoração para a véspera.
O Jornal Escolar Digital do agrupamento de escolas Nadir Afonso faz referência ao festejo na Escola de Argemil.



A comemoração do Dia da Europa na escola B1 de Argemil da Raia, frequentada por crianças das aldeias de São Vicente, Travancas e Argemil, foi a primeira e será a única porque a escola será provavelmente fechada no próximo ano lectivo devido ao insuficiente número de alunos. Antigamente cada uma das aldeias tinha a sua própria escola frequentada por dezenas de crianças.


As aldeias, a exemplo do que aconteceu por todas as outras de Trás-os-Montes e Alto Douro, despovoaram-se nas últimas décadas. Primeiro foi a emigração a levar muitos dos melhores filhos na idade em que podiam produzir riqueza. Agora é a quebra da taxa de natalidade a provocar a sangria populacional. Perdendo a sua maior riqueza e motor de desenvolvimento, as aldeias e toda a região estão a hipotecar o seu futuro sem que os poderes publicos tomem medidas drásticas para inverter a situação.

A escola só tem uma sala de aula. No átrio de entrada foi montada uma exposição com material informativo relativo às instituições europeias e às eleições de 7 de Junho para o Parlamento Europeu. Todo esse material, incluindo canetas, blocos de notas, réguas e bolas de praia, foi fornecido pelos gabinetes de representação do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia em Lisboa.


A professora Glória com alguns dos alunos

Parte das brochuras, incluindo uma com um CD sobre o Parlamento Europeu, destinou-se a ser entregue aos pais e encarregados de educação.



A colega Alice, depois de breves palavras para justificar às mães o convite para participarem na comemoração do Dia da Europa, interrogou os alunos sobre conteúdos relacionados com a União Europeia e constantes numa ficha de trabalho. Os meninos sabiam tudo, incluindo o nome completo do presidente da União Europeia! Não erraram nada, foi uma maravilha!



Aula sobre os símbolos da União Europeia
A União Europeia, enquanto entidade política, dotou-se de cinco símbolos que a identificam perante as nações do mundo inteiro: a bandeira azul com 12 estrelas amarelas; o Hino da Alegria de Bethoven; o lema “unidade na diversidade”; a moeda única, o euro; e o Dia da Europa para festejar o nascimento oficial do processo de unificação europeia em 9 de Maio de 1950.


Sobre os símbolos da União Europeia falei eu, adaptando a informação da postagem feita anteriormente noutro blogue. Para ver esse conteúdo clicar aqui.




Prendendo as bandeiras ao baraço para os alunos as hastearem. Tinha conversado com as professoras na Páscoa sobre a comemoração do Dia da Europa na escola, ideia que elas receberam com agrado porque a actividade se integrava nos conteúdos programáticos e na relação da escola com o meio.



Voltei à escola três dias antes da data comemorativa. Apesar de o tempo ser escasso para realizar o evento, as professoras esmeraram-se na preparação dos alunos e no convite aos encarregados de educação para comparecerem à cerimónia. Por motivos inadiáveis apenas faltou uma para fazer o pleno!


A professora do jardim de infância a ensinar os alunos a hastear as bandeiras. Só havia um mastro para duas e não tinha fio. Foi o senhor Gustavo, presidente da Junta de Freguesia de Travancas, a que pertence a aldeia de Argemil da Raia, a oferecer-se para o comprar em Chaves e colocá-lo no mastro.


A acompanhar o hastear das bandeiras foram cantados os hinos de Portugal e da União Europeia. Estranhei quando ouvi cantar A Portuguesa. O Hino da Alegria veio logo a seguir e percebi que o portuguesismo está bem enraizado, o que alias não deixa de ser salutar.


Ao grupo juntou-se o senhor padre Delmino, pároco de várias paróquias das redondezas. Foi convidado quando passava diante da escola, vindo de rezar a missa em honra de São Miguel, padroeiro de Argemil da Raia e cuja festa se realiza no Domingo mais próximo do dia 8 de Maio. Todavia, este ano, por impedimento da mordoma, realiza-se a 17 de Maio.


Para o fim da festa do Dia da Europa estava reservada uma agradável surpresa. As professoras pediram às mães para levarem comida para um lanche. Elas foram impecáveis, deixaram os seus afazeres domésticos e foram à escola, marcando não só a sua presença mas levando doces, bolos, bolachas, bebidas, presunto, salpicão e chouriços.


As professoras também pediram às mães para vestirem as crianças de azul e amarelo, as cores da bandeira europeia. É claro que nem todas puderam ir assim vestidas porque não teriam em casa t-shirts amarelas.


Imperou a boa disposição na conversa do senhor padre Delmino com mães e encarregadas de educação.


E a manhã primaveril terminou em festa. Meninos vestidos de azul e amarelo, brincando no recreio, com as bolas insufláveis oferecidas pelo gabinete do Parlamento Europeu



Educadora de infancia na sua missão de vigilância e de acompanhamento das crianças.

domingo, 19 de abril de 2009

A Chave do Paraíso

Por Júlia Vaz

Ser bom e justo, viver e ensinar a viver, segundo os mandamentos da Lei de Deus, aceitar a vida por mais dura que ela seja sem revolta, eis “A Chave do Paraíso”.





Foi assim, aos olhos da sua filha Júlia, a senhora Maximiana, mulher de coragem e muitos trabalhos, mãe de oito filhos, que adorava:
"Mãe, eu me lembro como tu nos criaste com tanto amor; tu trabalhaste para que não nos faltasse o pão e a graça do Senhor.”




Conheci a Júlia quando andava a fotografar a aldeia, após um dos nevões que no Inverno deste ano cobriu de branco Travancas, por diversas vezes. Fotografei-a de longe e aproximei-me, pensando ser pessoa conhecida.




Mas ela sabia quem eu era. Como alguém lhe dissera que tinha um blogue, lembrou-se de me pedir para publicitar nele o seu livro de memórias, “A Chave do Paraíso”.




Pareceu-me ser uma mulher determinada na divulgação das suas memórias.





Pouco depois de nos termos conhecido, bateu-me à porta, trazendo o livro manuscrito em prosa e verso.



Entusiasmado com histórias simples de gente simples, fui com ela conhecer o seu mundo.

Abriu-me o portão …







E entrei na sua vida de todos os dias.






Entrei no seu passado, guardado no álbum, na companhia dos pais e irmãos.






A Júlia vivia com o pai, entretanto transferido para o Lar do Senhor dos Aflitos, por motivos de saúde.





A mãe partiu para sempre, faz hoje dois anos, uma vida inteira de canseiras que findou. Ficou a lembrança viva dos gestos, das palavras.









A memória guarda os conselhos da mãe que “em sonhos” lhe fala assim:
“Sejas honesta e simples como eu,
Para não dares que falar;
Para não fazeres o mal
Para te poderes salvar.”






E de tanto amor, da saudade, da tristeza da partida, nasceu o livro da Júlia, A Chave do Paraíso, que é certeza firme dum reencontro futuro, numa outra vida de paz e bem-aventurança.

Quando Chega a Saudade
Clicar no texto para fazer a leitura








Sinto Falta



Tive um Sonho


Estas páginas revelam o gosto da sua autora pela escrita e pela leitura, qualidades apreciáveis em alguém a quem a vida não proporcionou muitos estudos. Há nestas páginas influência de textos litúrgicos, de poesia popular e literária, de cantares sagrados e profanos. É o que acontece por exemplo com o encontro de Jesus ressuscitado com os discípulos de Emaús, a Laranjeira de Santa Isabel, o Lavrador da Arada, o Romance de Marinão, o Relógio do Emigrante ou o Credo das Almas.

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Três Histórias da Júlia

Grávida outra vez?
Clicar no texto para fazer a leitura












O Relógio da Saudade
Clicar no texto para fazer a leitura



Marinão
Clicar no texto para fazer a leitura




Estas páginas também são ecos duma cultura que se vai perdendo, de valores um tanto esquecidos que a Júlia sabe guardar no seu coração.

o
Texto: Análise e selecção feita por Mariana
Fotos e arranjo: euroluso

terça-feira, 14 de abril de 2009

Ainda há Pastores







Apascentando o rebanho
Nas encostas do planalto que vai da Bolideira à raia persiste a ancestral prática do pastoreio em regime extensivo. Dadim, Roriz, Mairos, Travancas e São Vicente são algumas das freguesias onde a presença de pastores é visível a quem circula na estrada.

Pastora de ovelhas
Excepção à regra, numa profissão tradicionalmente reservada ao sexo masculino.

Neste planalto, rico em pastagens, predomina o gado ovino.

Porém, as frequentes nevadas caídas no Inverno privaram os animais de pastagens, obrigando os pastores a deixar os rebanhos nas lojas e a suportar os custos da alimentação do gado.






Na freguesia de Travancas, segundo estimativas de um pastor, há cerca de 2 500 ovelhas, distribuídas por quatro rebanhos em São Cornélio, outros quatro em Argemil e um na sede da freguesia.





No entanto, para quem apascenta o rebanho na zona da raia deixou de ser rentável ter gado desde que os espanhóis começaram a deitar herbicida nas pastagens. Envenenado, o gado morre e os prejuízos são muitos.



O leite produzido é escoado, não há produção local de queijo.




Madredeus - O Pastor

Clicar em pastor para ouvir a música

Ai que ninguém volta

Ao que já deixou

Ninguém larga a grande roda

Ninguém sabe onde que andou

Ai que ninguém lembra

Nem o que sonhou

E aquele menino canta

A cantiga do pastor

Com as Cabras na Neve