domingo, 14 de agosto de 2016

Procissão de São Cornélio

Festa em honra do padroeiro da aldeia

São Cornélio, santo padroeiro da aldeia que leva o seu nome, na freguesia de Travancas e Roriz, tem a festa em sua honra, celebrada a 14 de agosto, de há uns anos a esta parte, para a ela poderem estar, diz-se, os emigrantes.


O dia do santo, no entanto, é  festejado pela igreja católica no dia 16 de setembro, juntamente com o de São Cipriano.


Inicialmente, o Dia de São Cornélio até foi celebrado a 14 de setembro, pois, segundo relato de São Jerónimo, no século IV, terá sido nesse dia que ele e o seu amigo, São Cipriano, bispo de Cartago - cidade da Tunísia - foram decapitados, às mãos dos romanos, por não renegarem a fé cristã.


Os sinos da igreja de São Cornélio repicaram dia 14 de agosto, chamando os fieis à celebração da eucaristia.
Dezenas de paroquianos de Argemil, Travancas, São Cornélio e emigrantes, encheram a igreja, enquanto alguns deles preferiram ficar fora, no adro.


 Terminada a missa, formou-se uma procissão com  três andores, para dar a volta à aldeia.




Os andores, bem enfeitados, encomendados a floristas de Chaves, são levados aos ombros dos pagadores de promessas, acompanhados por familiares e amigos.


Dois dos andores eram promessas a Nossa Senhora de Fátima,  o que denota, pela sua influência, a importância que tem para  a fé de muitos devotos.


O terceiro andor era o do padroeiro, acompanhado por um numeroso grupo. Nele, vê-se a imagem de São Cornélio  com  os símbolos da autoridade papal.



A "Charanga Ideal", de Verín, Galiza, acompanhou a procissão, tocando conhecidos temas religiosos.







A procissão, já quase a terminar a volta à aldeia.






Promessa cumprida!


De tarde e no arraial, no palco montado no largo ao lado da igreja, houve música, para aqueles que valorizam, na festa do padroeiro, a vertente lúdica, No bar da Comissão de Festas, quem quisesse, podia beber uns copos com amigos ou bailar uma moda.


Nota:
À noite dividi-me e, depois de passar pelo arraial, fui até ao outro lado da raia espreitar a festa de Arçádegos, aldeia onde também se encontrava gente de Argemil e Travancas.







segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Verão na praia de Segirei

Novidades: nova gerência do bar e presença de cães

A praia fluvial de Segirei, na vizinha freguesia de São Vicente da Raia, todos os anos, na época  balnear, atrai , diariamente, dezenas de veraneantes das aldeias raianas, tanto portuguesas como galegas, assim como de emigrantes a gozar férias nas terras de origem.


Aqui, residentes de Argemil  em  ameno  convívio, à volta da mesa redonda, com amigos e vizinhos, um dos quais, o senhor Mário, é Presidente da Junta de Freguesia de São Vicente da Raia.


Este ano, a exploração do bar que presta serviço aos banhistas e a grupos que usufruem do espaço arborizado  para fazer piquenique,  mudou de gerência. Com a vinda dos proprietários, um casal luso-espanhol, vieram também as informações do menu em castelhano, sem tradução para português  e ´as "tapas" do outro lado da raia.


A acompanhar a Sagres - gracias que a cerveja nacional continuou a ser servida - deixei de poder petiscar tremoços e amendoins!  Também senti algumas dificuldades de comunicação por falta de conhecimento da língua de Camões, chegando a ter a sensação de me sentir estrangeiro em Segirei, território nacional!



Mas o que mais estranhei relativamente a anos anteriores,  foi a circulação de cães, aos seis e até mais, por entre  os frequentadores do espaço público, sem que os donos se sentissem constrangidos de os levar para a água, ao lado de banhistas.




No entanto não vi ninguém preocupado com a saúde pública. A falta de educação para a cidadania, de muitos portugueses, conduz ao laxismo, ao deixa andar. Indignado com o que presenciava, interpelei alguns dos donos mas, perante a reação agressiva e temendo levar alguns sopapos, ou ter os pneus do carro furados, participei as anomalias à Junta de Freguesia de São Vicente da Raia, proprietária do espaço público.



O senhor Mário, Presidente da Junta, foi cortês comigo.  Prometeu falar com os proprietários do bar e colocar placas com a indicação de que não era permitida a presença de cães na praia.  O verão passou sem que a medida fosse tomada. A solução foi deixar de ir à praia. Uma pena a saúde dos utentes não estar em  primeiro lugar.


A praia de Segirei não é só um logradouro público aprazível. É também lugar de passagem de caminheiros, adeptos da Natureza, e de peregrinos de Santiago de Compostela, não sendo raro  vê-los passar com a mochila às costas. 


Este solitário peregrino espanhol veio de Castela, pelo ramal sul do Caminho da Prata que passa por Bragança e Vinhais. De Vinhais até Segirei  e da aldeia até Vilardevós, na Galiza, a rota está devidamente assinalada



Pelas terras altas da raia, ir de Travancas à praia de Segirei  e regressar com histórias de encantar,  acerca de javalis e corças que se atravessam à nossa frente, ou de aves que se avistam na berma da estrada e a voar, é uma viagem que nenhum de nós pode perder!


Por todos os seus atrativos, a ida à praia fluvial de Segirei, no Rio Mente, é um mergulho na Natureza!





quarta-feira, 20 de julho de 2016

O passarinho voou

Era uma vez ...
Postagem dedicada ao Vasquinho

Um passarinho



Nascido e criado  num dos ninhos do cabanal



Onde a mamã lhe trazia, no bico, rico manancial





O passarinho cresceu, até que um dia, incentivado pela mamã,  saltou do ninho. Contudo, desajeitado, sem saber como bater as asas, foi parar ao chão.



Um gato caçador aproximou-se sorrateiramente. Assustado com o felino,  levantou voo mas embateu no muro do pátio, tendo fincado bem as patas nas pedras, para não cair e servir de alimento ao gato guloso.



Ouvindo a mamã passarinha chamar por ele, levantou novo voo e conseguiu chegar ao telhado.
-Mamã, tive medo quando vi o gato saltar sobre mim!
-Filhinho, os gatos são predadores. Tens que ter muito cuidado com eles. Bom, agora é hora de comer. Vou procurar alimento para ti. Com sorte, trago-te uma   minhoca.



O passarinho ficou sozinho no telhado à espera da mamã, sem se aventurar a ir à sua procura.



O tempo foi  passando e ela  não voltava...



Mas, paciente,  não saía do telhado.



Dormita...


Boceja...




Até que, na voz do vento, lhe parece ouvir  a mamã chegar e vira-se na sua direção.


-Que alegria mamã, tu voltaste!


-Tive tanto medo que me abandonasses...


-Como vês, voltei, mas agora tens que ir comigo!  Vamos, vem atrás de mim!



-Olha, faz como eu, bate as asas e voa.



Imitando a mamã, o passarinho levanta voo mas não vai longe; cai no batatal, do outro lado da rua. Desesperado, sobe para o ramo mais alto de uma erva daninha.



-Pouca sorte, a minha! Mamã,  onde estás? Vem buscar-me!



A passarinha não estava longe. Pousada no cabo de eletrecidade, procurava-o.



Observava-o mas receava aproximar-se dele, por causa do fotógrafo intruso.



Contudo, enchendo-se de coragem, foi ter com o filhote.
-Estou aqui, não fui embora. Prepara-te, vamos voar juntos. Anda, meu querido, bate as asas e sobe.



Atento,  compreendeu a mensagem da mãe.



Sobrevoando os telhados de Travancas, voou alto, aos quatro ventos, sem se cansar. Feliz, fazia piruetas no ar!



Os girassóis floridos eram pontinhos amarelos, no linhar do batatal.




Depois de ter sobrevoado searas, copas de castanheiros e a capela de Nosso Senhor dos Aflitos, voltou ao cabanal, para fazer o reconhecimento do ninho, onde na próxima primavera fará a postura.  



Durante esse tempo, o passarinho raiano fará uma longa viagem de ida e volta a África, e será feliz!