Morrer para ressuscitar
In memoriam
MMXII
Para a Guida, muitas flores, anjos e velas; dos pais, irmão e amigos.
Aqui jaz Francisco de Carvalho Melo
Em Travancas, seguindo a tradição católica do Dia de Todos os Santos, os familiares dos falecidos vão ao cemitério, enfeitar as campas com flores e velas, e orar para que os entes queridos repousem na paz da eternidade.
Nos cemitérios não estão presentes apenas valores religiosos. Símbolos de valores estéticos, filosóficos, económicos e sociais estão igualmente representados na arquitetura tumular. Sociólogo que queira estudar a estratificação social de uma comunidade rural, deve passar pelo cemitério!
Todos livres e iguais, proclama a Declaração Universal dos Direitos do Homem, mas todos diferentes no nascimento e na morte!
No Dia dos Fiéis Defuntos é costume haver missa na igreja matriz e procissão até ao cemitério. Em Argemil e São Cornélio, far-se-á nos próximos dias.
Na visita ao cemitério, continuam a ir familiares dos fiéis defuntos de Argemil e São Cornélio, enterrados em Travancas, antes das duas aldeias terem construído os seus.
Partiram recentemente para o Pai
Nos últimos quinze dias faleceram quatro pessoas de Travancas. O senhor Chico Melo foi enterrado segunda-feira. Da última vez que nos vimos, na estrada, de sorriso nos lábios, mas denotando preocupação com a doença, perguntou-me como estava de saúde, na sequência da operação a que fui sujeito à cabeça, na unidade de neurocirurgia do Hospital Egas Moniz, em Lisboa.
Dele, neste Dia de Finados, guardo a imagem de um senhor, com a pá, a retirar a neve, acumulada diante de casa, logo a seguir a cada nevada.
Numa das campas da família Maldonado, jazem os restos mortais de Dona Maria Elisa, enterrada na terça-feira.
Não cheguei a conhecer a menina Zinha, como era carinhosamente tratada, com quase 100 anos; em casa, no entanto, ouvia falar dela, com carinho.
Cemitério de São Vicente da Raia
A morte também bateu à porta da família da dona Élia, de Argemil. João, um dos seus filhos, casado em São Vicente e residente em França, viera, feliz, à aldeia, para ir à caça da perdiz e do coelho, com amigos de infância. Não regressou, um ataque fulminante ceifou-lhe a vida. Há anos, outro filho morreu num acidente de motocicleta à entrada de Argemil. Sentidas condolências ao Pedro, à mãe e demais familiares.
Campa da família Pires, aberta para o enterrro de dona Olímpia, natural de Argemil. Esta senhora, já idosa, residia com a filha Candidinha. O seu corpo foi trasladado de França e sepultado no cemitério de Travancas, dia 3 de novermbro de 2012.
Funeral de dona Olímpia Pires.
Último adeus de familiares, amigos e vizinhos.
No coração dos que ficam, resta a saudade dos que partem...
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