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sábado, 28 de agosto de 2021

Faleceu Gustavo, ex-autarca

 Dinossauro da política local

RIP - Requiescat in pace

O senhor Gustavo Batista, ex-autarca socialista, a poucos meses de completar 81 anos, faleceu em sua casa, em Travancas, dia 25  do corrente mês, vítima de várias doenças.


O funeral realizou-se ontem, dia 27 de agosto, tendo ficado sepultado no jazigo da família no cemitério de Travancas. A missa de corpo presente e a procissão tiveram a participação de muitas pessoas, algumas oriundas de localidades mais distantes.

Nos últimos dias, além deste óbito, faleceram mais  duas pessoas em Travancas.


Um dos últimos atos políticos do autarca falecido foi a concordância com a Câmara Municipal de Chaves, de maioria PSD, para a criação da União das Freguesias de Travancas e Roriz, esta também presidida por outro dinossauro socialista, o senhor Antero Ginja

Gustavo Batista, com exceção de um curto período, esteve no poder, como presidente da Junta de Freguesia de Travancas, desde as primeiras eleições autárquicas realizadas em liberdade,  em 1976, até 2013, ano em que foi substituído pelo seu camarada de partido, Rogério Paulo Maldonado Pinto.


À dona Maria, aos filhos e demais familiares, sentidas condolências pela perda do ente querido.
 

 

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Última viagem do Chico

  Emigrante no Brasil

Travancas perdeu um benfeitor, filho da terra e self made man em terras brasileiras.

13-11-1934
09-08-2020


 Vapor North King no Funchal

Chico, de nome Francisco Preto Ribeiro, emigrou para São Paulo em 1952, aos 18 anos incompletos, embarcando no barco a vapor North King, com destino a Santos, o maior porto do Brasil. Nos 18 dias que demorou a travessia do Atlântico teve a companhia de Carminda e de dois irmãos, filhos da senhora Lucília, de Mairos.
 
Uma vizinha, criança na altura da sua partida, ainda se recorda de ver a senhora Claudina abraçada ao filho, a chorar e a limpar as lágrimas ao avental. 



Casa - assinalada por uma seta - onde nasceu e foi criado, no Bairro Além do Rigueiro,  num dia de grande nevada em 1963.  
(Um aparte, hoje só há um bebé no bairro e mais nenhuma criança em toda a aldeia!)

 

 

Para uma família de sete filhos, três dos quais foram para o Brasil, era uma casa pequena, igual a outras da aldeia, feitas em granito e telha-vã; casas sem água canalizada, esgotos, casa de banho e energia elétrica.

 
 

Quinteiro e entrada, em 2020, para  a casa natal, desabitada desde a morte da mãe. 
 
Com a emigração de famílias inteiras para o Brasil, e a partir da década de 60 para a Europa, as casas esvaziaram-se de gente. 
No bairro, contudo, foram reconstruídas as que continuaram a servir de habitação,

 


A lareira da casa paterna, praticamente como era quando nela se aquecia nas invernias. É acesa por altura das matanças, para curar o saboroso fumeiro feito pela cunhada. 
 
 
 
Chico e Carminda, depois de terem viajado no mesmo barco a vapor, namoraram e casaram em São Paulo. Do matrimonio nasceram duas filhas e um filho, falecido aos 18 anos, no embate da motocicleta  nas traseiras de um camião.
 
 
 
 
Ao contrário de muitos emigrantes transmontanos, analfabetos, Chico tinha a quarta classe, feita na escola velha, sita na Rua do Sol, mas demolida para dar lugar à escola nova, e na qual, posteriormente, esteve instalada a  Junta de Freguesia, até data recente. 
 
 
 
 
Dentre os valores que lhe foram incutidos na escola primária, o amor à família e à terra mater, marcaram  a sua postura de homem solidário para com aqueles que nunca deixaram de lhe estar afetivamente próximos, mesmo tendo o oceano a separá-los.  

 
 
No seu sítio, em São Paulo, convivia com os amigos portugueses e familiares; e nas viagens ao torrão natal, visitava-os. 
 
O apego às raízes era tão forte que  o tojo, a urze e a giesta transmontanas, levados em sementes pela esposa, marcavam presença no jardim da sua quinta paulista.
 
 

A sua instrução elementar,  inteligência,  capacidade de iniciativa  e perseverança, terão contribuído para se tornar num emigrante bem sucedido profissionalmente.
 
 
 
 
Em São Paulo, a maior metrópole da América Latina, antes de fazer o seu primeiro negócio, a compra de um talho, começou por trabalhar na restauração, na distribuição e venda de carne, subindo depois outros degraus...
 
 
 
 
  ... até chegar a ser fazendeiro no Paraguai e no Pantanal do Estado de Mato Grosso, propriedades para onde se deslocava em avião a jato. 
 
Nos mais de 73 000  hectares  de mato e  pastagens da Fazenda São Francisco, a menina dos seus olhos, criava um rebanho, de centenas de cabeças de gado  bovino, para produção de carne.
 



 
Além de criador de gado zebu, fazia o abate em instalações próprias, automatizadas, e controlava  o circuito de distribuição.   




Neste percurso de self made man  nem tudo foram rosas... 
 
 

Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor. 
 Fernando Pessoa
 

 
Qual fénix renascida das cinzas, sobreviveu  ao sofrimento causado pela trágica perda do filho, numa noite de Natal,  e ao incêndio que consumiu milhares de hectares da Fazenda de São Francisco.

 



No casamento de Elisa, irmã mais nova, a quem mandou carta de chamada. Amigo da família, a todos ajudou, pais e irmãos, para emigrarem ou irem de visita ao Brasil.
 
 
 
 
A solidariedade  não se confinava ao círculo familiar. Mordomo do Senhor dos Aflitos  fala do elevado valor do seu donativo para a festa, todos os anos,
 


 
O senhor Padre Delmino corrobora a oferta para a festa e recorda o generoso contributo para o Lar da Terceira Idade e para a eletrificação do caminho do santuário que, em sua homenagem, passou a ser designado pelo seu nome.
 
 
 
As  placas sinaléticas mais antigas denominam "Av. Francisco Preto Ribeiro" o caminho que vai de Travancas à capela do Senhor dos Aflitos.  A placa mais recente, porém, chama-lhe "Rua Senhor dos Aflitos",
A situação anómala, da mesma via ter dois nomes, causa perplexidade a qualquer observador externo, desconhecedor dos meandros da história local.  
 
 
 
 
 
Em Mairos, terra natal da esposa,  a rua junto ao cemitério chama-se Carminda Ribeiro, em sinal de reconhecimento pelo donativo para pavimentação do caminho que vai para a capela de S. Tiago.
 
 
 
 


Oferta do pavimento do adro
Dr. Francisco Ribeiro
 
O Chico, sem diploma de doutor mas homem simples e generoso, não carece de título para ser merecedor de  reconhecimento público. 
O epíteto, longe de o enaltecer, dá aso ao comentário jocoso "Doutor da mula ruça". 
Se era intenção vincar agradecimento pela oferta,  mais valera, em nome da verdade e sem adulação, inscrever na placa:
 
Oferta do pavimento do adro
Senhor Francisco Ribeiro
Emigrante no Brasil 
 
Permanecia a respeitosa homenagem ao filho emigrante e, indiretamente,  à memória dos demais  que, ano após ano, de forma anónima, contribuem para o progresso da terra natal.




Chico não chegou a ver, no terreiro anexo à capela, a pia batismal onde foi batizado, substituída na igreja paroquial por outra.
 
Está situada a um canto, próximo do bar da comissão de festas, como se fosse velharia, a servir de mesa onde se tomam uns copos.
 
A pia, pela sua carga simbólica e ser património histórico-religioso, numa função nova, de floreira ornamental do espaço envolvente, se fosse deslocada para perto da capela, ganharia projeção e valorizava a estética do conjunto. 



Unidos, Francisco e Carminda, até que a morte da esposa os separou.



Mimosas amarelas, símbolo esotérico de vida eterna
 
Chico, como as sementes deitadas à terra, morreu aos 85 anos, para renascer numa nova vida. A sua caminhada terrestre terminou em Terras de Vera Cruz, para onde embarcou, rapaz sonhador, em busca do eldorado.  
 
O seu corpo jaz longe do torrão natal, mas a sua obra fica, a dar testemunho da sua passagem pelas terras raianas. 



Os sinos da igreja paroquial onde foi batizado choraram de tristeza, ao anunciarem a sua última partida, uma viagem sem retorno. 
 
Familiares, amigos e povo anónimo encheram  a igreja de São Bartolomeu para  a Missa de Requiem em sua homenagem.
 
Até sempre Chico!

 
Post Scriptum
Um agradecimento à Dona Teresa, irmã do  Chico, pelas fotos cedidas, para digitalização



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Chamava-se Maria

Foi hoje a enterrar

Maria, como os vizinhos lhe chamavam, partiu para  o Pai aos 89 anos.
Vítima de doença prolongada, estava há meses acamada, primeiro  em Chaves no hospital, e depois num Lar em Outeiro de Jusão.




A igreja matriz de  Travancas, tanto no velório como na missa de corpo presente, ficou repleta de familiares, vizinhos e amigos que lhe foram prestar uma última homenagem


Era esposa do Fernando Ribeiro, tio paterno do Dr. Nuno Vaz Ribeiro, presidente  da Câmara Municipal de Chaves. Deixou um filho, membro da  Guarda Nacional Republicana.


O seu corpo jaz no cemitério de Travancas  e a sua imagem permanecerá na memória daqueles que a conheceram e amaram. 

O senhor padre Delmino, na  homilia, definiu-a como mulher de fé  e amiga de partilhar o que tinha, recordando  as meias de lã que fez e lhe ofereceu. Uma vizinha também recorda, com saudade, as couves tenras que recebia   da Maria...


Que a sua alma repouse em paz.





sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Deixaram este mundo

Choremos! Choremos! Choremos!

Realizou-se  hoje em Argemil o funeral do senhor António Ginja, pai do Amaral.


"Compañeros de tu hija Cocina Chuo"
 O óbito ocorreu em Espanha, onde tinha ido, para passar o Natal com uma filha.



Jaz no cemitério de Argemil, o mesmo onde em Setembro  passado foi enterrado  o seu irmão Artur Ginja.


Ao Amaral e restante família enlutada, sentidas condolências.



Notícia de outros óbitos em Argemil



O senhor Celestino, soube há dias,  morreu este mês no hospital de Chaves, vítima de doença. Embora fosse  de Argemil, foi enterrado em  Travancas, para onde se tinha mudado, residindo na casa da mãe.  Que tenha o eterno descanso.



Artur Ribeiro  Ginja

Conheci Monsieur Ginja em  Paris, Chez Malissard,  nos meus tempos de estudante. Era um emigrante de meia idade, de poucas falas. Muitos anos depois vi-o em Argemil e reconheci-o. Estive em sua casa, pela última vez, no Verão de 2016.  Nessa altura já andava doente.



No velório do irmão António, ao perguntar por ele, disseram-me que tinha partido há uns meses  para o Pai. 
Reencontrei-o, numa campa de terra batida, no momento em que o agente da funerária  colocava uma lápide.



Descansa em paz, amigo.



Última Hora


O senhor Manuel Joaquim Carvalhal, mais conhecido  pelo nome de Manuel do Rio, no dia 29 de dezembro pôs fim à sua peregrinação na Terra. Era sogro do senhor Carlos e avô materno do Luís, pintor de Argemil.


 O funeral, com participação de muita gente,  realizou-se no dia 2 de janeiro. A missa de corpo presente, em Argemil,  foi rezada por um padre que me dá gosto ouvir, João Miguel,  pároco jovem  de São Vicente da Raia, Roriz e Cimo de Vila da Castanheira.



À família enlutada, sentidos sentimentos.







sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Adeus de São Cornélio

Ao Carlos, baleado em Chaves

José Carlos, 39 anos, filho do senhor Humberto Outeiro, deixa viúva e filha.


Natural de São Cornélio, trabalhava em Chaves, cidade onde, na manhã do dia 17, foi encontrado morto na rua,  baleado por caçadeira.


A sua morte, pelas circunstâncias que a rodearam, foi noticiada  nos órgãos de comunicação social nacionais.



Indagando sobre a autoria do assassinato ninguém  me soube  responder. No entanto, a comunicação social fala de crime passional.



Em São Cornélio, aldeia onde residem seus pais, a comoção foi grande.


Foram muitos, além dos familiares, os vizinhos, amigos e conhecidos, das aldeias vizinhas e de Chaves,  que quiseram manifestar  o seu pesar à família enlutada, comparecendo, quer no velório, na capela, quer no funeral.


Da capela, o esquife foi levado para a igreja.


Atrás do carro funerário seguiu, em silêncio, um extenso cortejo fúnebre.


Na igreja, o senhor padre Delmino, coadjuvado por  outros sacerdotes, rezou missa de  corpo presente, por alma do malogrado Carlos.

Que diferença entre estas exéquias, pensei eu durante a Eucaristia, e as de Mário Soares nos Jerónimos,  o presidente laico que os portugueses, maioritariamente católicos e tolerantes, elegerem duas vezes Presidente da República. Há dois "Portugais", o profundo  e o da laicidade!


A igreja de São Cornélio ficou apinhada,  apesar de muitos  dos que foram ao funeral terem ficado pelo adro.


Muitos jovens, amigos, conhecidos e companheiros de trabalho do Carlos, quiseram prestar-lhe  um último adeus e subiram à montanha, até  São Cornélio.  A sua presença era  bastante visível, fazendo a diferença, relativamente a outros funerais, onde habitualmente os jovens  estão ausentes.


O cemitério de São Cornélio, morada dos que partiram para a Eternidade.


Amor fraternal


Amado filho


Um último adeus ao amigo, ao parente...


 Até sempre!


Dos nossos mortos ficam a lembrança e a saudade.


Cá fora, a vida, transitória,  continua.

À família enlutada, os meus sentidos pêsames.