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quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Cores outonais


 
A capela do Senhor dos Aflitos está numa encruzilhada privilegiada, onde entroncam velhos caminhos públicos das quatro aldeias da União de Freguesias de Travancas e Roriz.
 
 
 
 
Que atrativo ficaria o bucólico e aconchegante espaço verde que circunda a capela, se fosse objeto de ordenamento paisagístico!



Associando um polo de merendas e lazer à vertente religiosa existente, o conjunto igualaria em beleza o Santiago em Mairos  e a Senhora  da Penha em Paradela.


 

Pia batismal transformada em mesinha de tasca. Que triste fim para uma relíquia da igreja de São Bartolomeu!
 

 

Ainda o outono não desponta  quando as folhas das heras caducifólias, plantas trepadeiras, começam a metamorfosear-se,  ganhando tonalidades avermelhadas e púrpura até caducarem.

 

 

 

 

O chão, coberto de folhas mortas, assemelha-se então a um magnífico  tapete colorido!

 

 

Árvore ornamental - Liquidambar da América -   cujas folhas outonais vão do vermelho vivo ao amarelo.

 


 

É uma das árvores de folhagem caduca minhas preferidas. À saída de Chaves ornamenta a estrada N2, coqueluche dos motards.


 

Na Barragem do Vale das Tábuas, na divisa com Mairos, a Junta desta freguesia está a plantar árvores de folha caduca  com o objetivo de  ornamentar uma zona de lazer com vista para a Serra da Cota.


 





O  fruto dos frutos é mais que um fruto porque é o único que alimenta e simboliza ao mesmo tempo

Miguel Torga




quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Nevada no Outono

Neve chega mais cedo este ano

Neve, pouquinha e de pouca duração, mas ainda assim o suficiente para satisfazer, como ao senhor Amaral, as saudades dela, caiu em Travancas e em todo o Planalto da Bulideira nesta manhã de 14 de novembro de 2019.


Veio mais cedo este ano. Desde o  raiar do dia que nevou com grande intensidade por diversas vezes, mas nevadas de curta duração, intercaladas  por bátegas frias. 


 A neve pegava mas pouco tempo  depois derretia, exceto nos locais mais abrigados e altos.



Foi a minha cara-metade que  às 7h 30´ me despertou para me dar a boa nova: -Vem ver, está a nevar em Travancas!


E eu levantei-me à pressa para, parafraseando Augusto Gil na  Balada da Neve, ver a neve a cair  "Branca e leve, branca e fria que há tanto tempo não via".


Abri a janela e, como criança feliz,  deixei-me estar a vê-la cair em farrapos, silenciosa. Ouvia o coração falar: Como ela  é bela! e um sentimento de  nostalgia "Que saudades, Deus  meu!"  se apossava de mim.



Depois, alvoroçado, sem me lavar e tomar o pequeno-almoço, peguei  na máquina fotográfica e subi até ao alto da Rua da Roçada...



... onde os carvalhos e castanheiros que plantei no Vale da Bouça ainda estavam, como numa paleta de cores, cobertos de folhas de diferentes tonalidades de verdes, castanhos, vermelhos e amarelos. 




O manto de brancura e a folhagem multicolorida despertaram em mim emoções e sentimentos de  bem estar, tranquilidade  e paz de espírito.

Perante esta maravilhosa paisagem, proporcionada pela Natureza, como não acreditar numa inteligência superior ou Deus criador?


Como é lindo o Outono! O Altíssimo seja louvado por meus olhos desfrutarem deste Éden.



Quando voltar ao pó da terra, e acreditando que há vida no Oriente Eterno, a minha morada no Olimpo será este rincão raiano !



Nunca presenciei nevadas antes do dia 28 de novembro!  



Este ano, porém, uma massa de ar polar, oriunda da Islândia, trouxe a neve duas semanas mais cedo.









Foi pouca, é certo, mas seria bom augúrio de virem outras mais nesta estação fria...

... não se desse o caso das alterações climáticas provocadas pelo Homem  fazerem temer que deixe de nevar em Travancas nos próximos anos.


Travancas, Terra Fria transmontana até quando?





quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Cores de Outono´17

Outonalidades na Roçada


Com o fim do estio o verde das  folhas caducas  cede  lugar a tonalidades que vão do amarelo, ao castanho e ao vermelho.


Um espectáculo!



Cerejeiras no outono



O contraste entre  o verde das nabiças e a diversidade de cores das parreiras.



O amarelo das cabaças. Na Terra Quente chamam-se  botelhas.


Os cravos da Índia, onde predominam as cores amarela., laranja e verde,  conservam-se floridos, sem especial cuidado, até à chegada das geadas de novembro. 



As heras enfeitam de verde os muros, e de vermelho no outono. 


São das primeiras plantas a anunciar o fim do estio.


O carvalho, o nacional, por se encontrar por todo lado, é uma árvore bonita que bem poderia ser usada como símbolo  de Trás-os-Montes.


Contemplar  o  chão de um souto na altura da apanha das castanhas é tonificar  o corpo com coloridas sensações.


Quando morrer, que seja  no Outono!


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Outonalidades raianas

                            Como não ficar encantado!

 Souto de Roriz

Um elixir para o espírito! Depois da apanha das castanhas, os castanheiros ganham tonalidades em que predominam os amarelos e os castanhos torrados. O chão, coberto de um manto de folhas mortas, fica esplendoroso, tanto sob as primeiras névoas como estando iluminado pela luz suave dos raios solares de outono.


Bairro das Poulinhas, Argemil, iluminado pelas cores do outono. Ao alto, do lado de trás do posto de vigia florestal, passa a raia, junto à qual estão as casas esborralhadas de Palheiros, marco da memória  raiana perdido num giestal.


Bucolismo. O senhor José, pastor de Roriz,  ao rebusco das castanhas, no lugar de Montouto, autorizado depois do Dia de São Martinho.


Pastores da raia - Dadim


Guardadores de rebanhos, os pastores, nem sempre reconhecidos no seu devido valor, são a imagem simbólica do Bom Pastor bíblico. São criaturas divinas!


Nas Guerras da Restauração, entre 1640 e 1668, desenrolaram-se  algumas escaramuças fronteiriças que redundaram em saques, destruição de culturas e casas incendiadas, em ambos os lados da raia galaico-transmontana.


 Travancas

Ficou para a história que, numa dessas escaramuças, nos campos de Montouto, os portugueses, na perseguição aos espanhóis, em debandada, lhes limparam o sebo no alto da Cota de Mairos, tendo o lugar, desde então,  passado a ser conhecido, por Alto da Escocha.



Boleto ou tortulho - variedade de cogumelo bastante procurada pelos apreciadores e rentável para quem os anda a apanhar.


Habitante de Argemil, aos níscarros,  em souto de Roriz.


São Vicente da Raia


 Alto do Montouto


Travancas. Uma águia no poste?


A barragem do Vale das Tábuas, entre São Cornélio e Mairos, com cores outonais, graças aos carvalhos americanos, plátanos e outras árvores de jardim que a  bordejam.


Os dióspiros maduros são amarelos; a casa é cor-de-rosa, até parece um palácio, mas São Cornélio fica tão longe de Belém!


Tapete de folhas caducas no souto de São Cornélio. Caminhar por ele é caminhar em harmonia com a  natureza. Nessa alquimia, de transformação das forças telúricas em nós, uma sensação de bem-estar físico, mental e espiritual nos invade, vitalizando-nos de energia cósmica.



Amanita muscaria - cogumelo venenoso, de cor garrida. Encontra-se com facilidade!



Outra imagem do souto de São Cornélio cujos castanheiros se destinam à produção de madeira.


São Cornélio não tem tanta produção de castanha como Roriz, Argemil e Travancas mas acompanha a maré em curso, de plantação de novos soutos nas terras da raia.


Como não ficar encantado com as outonalidades raianas!