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domingo, 2 de maio de 2021

Unha cervexa en Arzádegos

De regozijo pela reabertura da fronteira 

Ida e volta ao outro lado da raia.

Devido à pandemia do coronavíirus,  a estrada entre Travancas e Arçádegos esteve  bloqueada com duas vigas de cimento,  entre 31 de janeiro de 2021 e 16 de março. Antes do término, porém,  o fecho foi prolongado até 30 de abril. 

Com o anúncio da reabertura das fronteiras terrestres, as vigas foram retiradas na manhã do dia Primeiro de Maio.


Ontem, Dia do Trabalhador,  por estar a fazer trabalhos agrícolas, não  pude deslocar-me a Arçádegos, mas hoje, mesmo sabendo que em Espanha continua a vigorar o estado de emergência,  fui ao outro lado da raia festejar a liberdade de circulação, sem receio de ser contagiado.


Dia ensolarado e primaveril. De  Travancas ao Vale Grande a estrada é sempre a subir. Para lá da suave paisagem, humanizada por searas e soutos, o olhar estende-se sobre  um majestoso mar de montanhas com quase 360 graus de ângulo.

Passada a fronteira, a estrada serpenteia, em íngreme descida, por giestais, campos cultivados e terrenos atapetados de tojos e urzes floridas.

 

Do alto de Arçádegos avista-se Florderrei Vello,  airosa aldeia situada num outeiro da Serra de Penas Livres, e em cujo topo se perfila a Ermida oitocentista de Nossa Senhora das Portas Abertas.

No local havia um castro celta. Uma lenda pagã diz que o sítio foi lugar de peregrinação das almas dos mortos, transformadas em formigas voadoras no final do Verão.



As relações entre vizinhos raianos, sem contrabando nem contrabandistas, perderam intensidade e o cunho de cumplicidade que as singularizava. 

Em Arçádegos, o comércio vocacionado para os portugueses caiu a pique após a adesão dos dois países ibéricos à CEE em 1986.

 

 

Hoje vai-se de um ao outro lado da raia em passeio, às festas e pouco mais.  Pessoalmente, fiz da "Taberna Entre Nós o poiso onde vou bebericar, petiscar e aproveitar para meter conversa com  algum galego.

A um deles, reformado, perguntei onde era a casa da família do escritor Sílvio Santiago e não me soube responder. Desculpou-se, dizendo que tinha estado na Alemanha muitos anos, como emigrante. Outro, de Travancas não conhecia ninguém, exceto o Toninho Maldonado, por quem perguntou.

 

CERVEXA,  bom pretexto para uma escapadela ao outro lado da raia.

Depois de saborear uma Estrella Galicia, cerveja leve, dei uma volta pela aldeia, à procura das adegas tradicionais.
 


Passadiço  de madeira sobre  o regueiro que nasce na face Norte da Serra de Mairos. Trata-se de uma obra integrada na Rota do Contrabando, caminho recuperado há anos pelo concelho de Vilardevós, municipalidade  a que Arzádegos pertence.

 

Camiño das Bodegas

Numa terra onde não há vinhas, consta terem existido 40  adegas tradicionais, datadas de há mais de 100 anos. Cinco delas, pelo seu valor histórico, foram restauradas pelos proprietários.  

Não havia  vides mas fazia-se e bebia-se à farta o néctar de  Baco com uvas compradas noutras terras galegas e em Portugal. Histórias de borracheiras não devem faltar!


Neste Caminho das Adegas, o mesmo do contrabando,  encontra-se uma harmoniosa fonte de nascente, de linhas sóbrias. O telhado, feito em granito e com grande inclinação, formando  um triângulo com vértice voltado para o alto e cruz ao centro, evoca a imagem, em miniatura, das grandes abadias dos monges cistercienses e das catedrais góticas cujos  pináculos pareciam tocar o céu.


Povoação fértil em água, Arçádegos tem neste momento  as leiras lavradas para o plantio das hortícolas. 

 

A placa toponímica "Portugal  por Trabancas" indica que temos de seguir o caminho para a direita. Às vezes tem que ser!
E a igrexa, afinal, é de Santa Baía ou de Santa Eulália como já tenho lido?

 

Alto de Mairos lá riba. Bem íngreme!
 

 

Marco fronteiriço

P´ra rente, Portugal.


À entrada da Capital da Batata, a placa toponímica saúda os viajantes na língua dos irmáns de fala: Benvidos a Trabancas




quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Aqui não passa

Confinamento encerra fronteira pela segunda vez

Estrada entre Travancas e Arzádegos cortada ao trânsito entre 31 de janeiro a 16 de março.
 
 
 
No confinamento de há um ano houve condutores que contornaram pela direita a viga de cimento colocada na linha da fronteira. Desta vez, porém, a CMC, apoiada pela GNR, para impedir a circulação  de veículos entre as duas aldeias raianas, colocou duas vigas!
 
 
 
Resta averiguar se uma via alternativa, a estrada de Mairos até aos aerogeradores (Portugal) e à Cota  (Espanha),  continua a ser usada para contornar a proibição de circular entre os dois países. 




Mas o confinamento, resultante do estado de emergência,  não se limita ao fecho das fronteiras terrestres.  Na União das Freguesias de Travancas e Roriz, o encerramento dos cafés e a suspensão das missas nas igrejas são uma realidade bem visível.
 
 
 
Em Janeiro, Portugal andou nas bocas do mundo por ser o país com maior taxa de infeções por 100.000 habitantes. Muitos portugueses sentiram-se envergonhados ao verem imagens de dezenas de ambulâncias à espera de vez, para atendimento de doentes nos hospitais.




 
Felizmente a situação está revertida no país e no concelho de Chaves. 
Na freguesia, utentes e funcionários do lar já tomaram a segunda dose da vacina contra a COVID-19 e os maiores de 80 anos começaram a ser vacinados. Um casal de Travancas, infetado por familiares residentes noutra zona, está em casa a recuperar e o senhor Padre Delmino saiu do Hospital e dá pequenos passeios por Mairos.
 
Oxalá a pandemia  fique controlada com a vacinação em curso.




domingo, 14 de fevereiro de 2021

Vacinados contra a Covid-19

 Utentes e funcionários do Lar do Senhor dos Aflitos

Terminou, sem nenhum óbito, o surto no Lar de Travancas. 
 
 
 
 
Utentes e funcionários, incluídos nos grupos prioritários da primeira fase da vacinação, tiveram de esperar que o surto fosse ultrapassado para levarem a primeira toma da vacina, o que ocorreu  na semana passada.  


Alguns utentes foram hospitalizados em Chaves e Vila Real. Um deles, a Júlia, esteve internada no hospital da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso, de onde voltou recuperada.


Em Mairos, tal como no Lar de Travancas, não houve mortes.  Perto, só no Lar de São Vicente da Raia é que faleceu um utente.

Parabéns aos funcionários do  Lar de Travancas.




sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Sozinhos em casa

Natal sem netos

Carta aberta aos flamenguinhos

O nosso pinheirinho não tem luzes como a vossa árvore de Natal  mas, enfeitado  com  bolas coloridas e coberto de  neve branquinha, também é bonito.


Os  flamenguinhos. 

Na verdade, dos vossos quatro costados só dois são belgas; a outra  metade, , é transmontana!

 

Presépio feito pela avó

Descobri onde estão as vossas  peças!


Na Casa do Pelicano, em Travancas, só não temos o Pai Natal à vista; ficou guardado. O Menino Jesus é que não podia faltar.  É  por ele ter nascido  numa manjedoura, como um pobre, que há Natal!  Prendas também! Ele é o alfa e o ómega, o principio e o  fim de tudo.


Pela regra da alternância,  este ano era a  vez do Natal e do Ano Novo serem passados com os avós. Todavia, com a Covid-19 devemos evitar estar juntos, lavar as mãos e colocar máscara, tapando a boca e o nariz para o Coronavírus não entrar no nosso organismo.  Por causa dessa doença ser contagiosa, a avó e eu viemos para Travancas, onde, desde Março,  estamos sozinhos em casa.



Sozinhos, sim, mas não é bem assim porque temos de dar de comer ao Malhado e ao Gato Preto.


Agora até temos mais dois gatinhos. Uma gata vadia pariu uma ninhada e trouxe dois deles para o cabanal - a esperta. Ainda lhes dá de mamar mas quando ponho comida deixa-os comer e fica a observá-los.
 
São tão diferentes que não parecem gémeos. Um é  igual à mãe. O outro tem olhos verdes. Deve ser siamês e sair-se ao pai!


 

Sabeis quem partiu há dias esta talha de barro preto? Foi o Malhado! Supomos agora que costumava saltar para dentro, para passar lá as noites frias de Inverno. É um grande prejuízo, no mínimo 200 euros, mas talhas grandes, de barro típico da região, vai ser difícil encontrá-las nos antiquários.

 

 Consoada


Massa para fazer filhós


Para a ceia da Consoada e almoço de Natal, a avó esmerou-se a cozinhar. Eu  gostei muito do abacaxi e do prato com batatas a murro, polvo e grelos. 

O vinho tinto de Sonim, Santa Valha, um Terras de Salvante de 2012,  estava muito bem apaladado. Escorregava bem. Como se costuma dizer, sabia a néctar dos deuses.


 

Juntos no Skype

Abrindo prendas


Fez-nos tão bem estar convosco; primeiro a ver-vos à mesa da Consoada;  depois, a ver a vossa alegria  abrindo as prendas. 
 
Também gostei de ver e dizer hello no Skype  à Lucienne, a vossa avó belga.


Até o papá e a mamã tiveram prendas! Que bom que a mamã gostou  do perfume que lhe ofereci e não vai trocá-lo.

 


 
É verdade Charlote que disseste à avó que ganhaste cinco livros e duas prendas? Os livros não são prendas? O drone que dei ao Vasquinho faz filmagens? Não vi a prenda que dei ao Juul (inho) nem sei se gostou dela!







 

  Missa de Natal

 

  

Pela televisão assistimos à Missa do Galo numa igreja de Pêro Pinheiro, perto de Sintra. Que coro fabuloso e cânticos divinos! 

Esta tarde fomos, eu e a avó, à missa de  Natal na igreja matriz de São Bartolomeu. Veio um padre novo rezá-la. Chama-se João Miguel, barrosão. O nosso pároco, um velhinho de 82 anos, está   acamado na UCI do hospital por causa da Covid-19.

 

 
Repicar dos sinos a avisar que a missa vai começar.


Um pouquinho da famosa música de Natal Gloria in excelsis Deo  cantada na missa pela gente da aldeia. Esta música, tal como Adeste Fidelis  são conhecidas  no mundo inteiro. Os nomes estão escritos em Latim porque nas igrejas, antigamente, rezava-se e cantava-se em Latim, língua franca usada pelos cristãos de diferentes países para comunicarem entre eles. Hoje  caiu em desuso e para comunicar usa-se  o inglês, como fazem o papá e a mamã.

Adeste Fidelis foi composta  no século XVIII por um compositor português e cantada  pela primeira vez numa festa de Natal na embaixada de Portugal em Londres. Podeis ver e ouvir uma versão infantil. Basta clicar em Adeste Fidelis.


No adro, com máscara anti Covid-19.

O coronavírus só agora chegou a  Travancas mas no Lar do Senhor dos Aflitos já estão infetados muitos velhinhos e funcionários. 

Felizmente os cientistas criaram vacinas  contra a Covid-19 e vamos todos ficar bem.

 

Tarde de Natal
O Sol brilha nas aldeias da raia; mas o frio é intenso, prevendo-se queda de neve nos dias 29 de Dezembro e  a seguir ao  Dia de Reis. 
 
 
 

No princípio deste mês Travancas ficou coberta de branco. 
 
Vós não quereis voltar a Padornelo, na Galiza, para brincar na neve? Lá deve haver muita, dando para escorregar no trenó!


Jardinagem


Passei a manhã de Natal a plantar amores-perfeitos, planta cuja flor resiste ao frio, inclusive a geadas.  

Na floricultura cada seis vasos custam 5 €. Escolho sempre as de flores amarelas e azuis porque são as cores da bandeira da União Europeia.


Num canteiro do pátio  plantei os primeiros bolbos,  de uma encomenda de 250 tulipas vermelhas - tulip apeldoorn - a uma empresa  da Holanda, que chegou há três dias. 


Em Chaves não se vendem em grandes quantidades. Cinco bolbos holandeses custam um euro, mais baratos que em Chaves mas não são tão grandes. 
 
O perigo para os bolbos são as toupeiras. Se não puser  veneno na terra, devoram-os.

 

Como este ano  a plantação é tardia, a casa dos avozinhos estará  rodeada de canteiros  repletos de belas tulipas floridas, lá para Abril e Maio.
 
Também haverá, a partir de Março, narcisos e jacintos porque os bolbos, deixados na terra, de um ano para o outro, já começaram a brotar. 


Flamenguinhos, o avozinho gosta muito de vós mas neste Natal, além de sentir a vossa falta,  lembro-me muito do Gabriel, o bebé da foto, agora com10 anos, filho do vosso falecido tio João Pedro. 

É uma grande tristeza não poder conviver com ele, levá-lo  ao Pão Caseiro para lhe comprar ovos Kinder, e oferecer.lhe prendas no aniversário e no Natal. 

Que será feito dele? Estará bem? Será que precisa do avô? Desculpai não conseguir conter a emoção e lacrimejar.



Post Scriptum

Vasquinho, hoje encontraste erros ortográficos na minha escrita? Um professor não pode dar erros! No outro dia  até fiquei contente com o reparo que me fizeste.  É sinal que estás atento à ortografia.

Juul (inho), então o pinheiro de Natal do avozinho não fica bonito, coberto  de neve? 

Beijinhos aos três.