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Solidariedade
Hoje por eles, amanhã por nós
Feliz Dia de Reis
Capital da Batata
Os pastores, apascentando os rebanhos ao ar livre, parecem levar uma vida bonita, de harmoniosa convivência com a natureza. Mas a labuta é dura e imagem que a sociedade deles faz é a de pessoas que exercem uma profissão humilde.




Depois de adorá-Lo, ajoelhados, os pastores "voltaram glorificando e louvando o Altíssimo por tudo o que tinham ouvido e visto como lhes tinha sido anunciado". 
Quadras com pastores cantadas nos Reis
Somos pastores, vimos da serra
Adorar o Deus do céu e da terra;
Um Deus-Menino nós adoramos,
E a Virgem-mãe a quem amamos
Pastores, pastoras
Vamos todos a Belém
Adorar o Deus-Menino
Que a Nossa Senhora tem!
Avante, pastores, avante,
Vamos todos à porfia.
Vamos ver o Deus-Menino
Filho da Virge-Maria
Mensagem de Natal
A estrela mostra o caminho àqueles que, tal como as crianças, sabem ver o que não se pode observar. Simbolicamente significa que para vermos, devemos olhar com os olhos do coração.
Miguel Torga dizia o mesmo, que podemos ver em Trás-os-Montes um "Reino Maravilhoso" desde que "os olhos não percam a virgindade original, diante da realidade e o coração, depois, não hesite".
Era assim. Depois da ceia, bem tarde, quando tudo se acomodava, juntava-se o grupo que saia para a noite. Com um barbeiro de meter medo, bem agasalhados, a luz baça do lampião indicando o caminho, lá iam com a alma em festa.

Como não lembrar algumas vozes de alguns cantadores dos Reis: o Carlos e o Zé Roque, o Acúrcio, o João Caseiro, o Berto que tão bem fazia o “cima”, o “ti” Zé Manuel e o Chico Pinto. 
Que dizer daquela noite em que cantaram os Reis ao Ti Martinho e beberam aguardente por uma cafeteira…

Ou então, uma outra noite em que um grupo de estudantes quis fazer levantar da cama a D. Esperança e o Sr. Rodrigues que os receberam com biscoitos e vinho do Porto. Foi uma risota pegada durante a cantoria, porque a espera foi longa e tinha-se-lhes acabado o reportório.


Às vezes, os donos da casa tardavam a abrir. Então eram delicadamente pressionados:
“Se nos querem dar os Reis,
Não nos estejam a demorar,
Nós somos de muito longe,Temos jornada para andar!”
Outras vezes, mais raras, nem abriam. Então vinha o descante:
“Estes Reis que nós cantamos,
Tornamos a descantar;
Estes barbas de farelos,
Não têm nada p’ra nos dar!”
Mas quando abriam, os cantadores eram bem recebidos. Aqueciam-se, comiam, bebiam, recebiam os “Reis”:
“Daqui de onde estou bem vejo,
A faca estar a saltar,
Para cortar a chouriça,
Que os senhores nos querem dar!”
Depois, mais aconchegados, continuavam a cantar e por último, despediam-se:
“Despedida, despedida,
Como a deu a cereja ao ramo;
Fiquem com Deus, meus senhores,
Queira Deus que de hoje a um ano!”
Era assim… Cantavam-se os Reis em Travancas…
Texto de “Mariana”
Fotos de euroluso
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