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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Os nossos Reis Magos

Dia de Reis no Lar da Terceira Idade
 


Um rei e duas rainhas!







 


A feminização dos utentes do Lar  é notória. Muitas senhoras e meia dúzia de homens. 

















Convidados pelo senhor padre Delmino, na missa de Domingo,  alguns vizinhos  deslocaram-se ao  Lar da Paróquia onde, dialogando com utentes, desempenharam importante função de relações públicas.









É chegado o momento  de se cantarem os reis.














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Solidariedade
Hoje por eles, amanhã por nós








Lanche de Dia de Reis













Feliz Dia de Reis



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Aqui estão os reis à porta

Rei dos reis


Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, guiados por uma estrela, chegaran a Jerusalém  uns magos vindos do Oriente.




Sentiram imensa alegria; e, entrando na casa, viram o menino  com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no; e, abrindo os cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra. 
Evangelho segundo S. Mateus, 2, 1-12


Ouro, incenso e mirra eram presentes preciosos, dados a reis, sacerdotes e profetas. Na tradição bíblica, o ouro simboliza a realeza de Jesus, Rei dos judeus. O incenso, fumo purificador do templo,subindo ao céu, simboliza a espiritualidade do Mestre ou Rabi. E a mirra, resina usada desde o Egipto, nos embalsamentos, simboliza a imortalidade, a ressurreição depois da morte no Calvário.

Até meados do século XX, o costume de dar prendas aos meninos na época do Natal, tal como os reis magos deram a Jesus, salvo uma ou outra exceção, era inexistente nos meios rurais. A partir dessa altura, a emigração e os meios de comunicação de massa trouxeram hábitos de consumo urbanos, às aldeias.

Entretanto, o dia 6 de janeiro deixou de ser feriado religioso,  e a entrega das prendas, que até então se fazia no Dia de Reis, foi-se perdendo, passando, aos poucos, a ser feita no Natal.



Outras tradições natalícias que se têm vindo a enrraízar nas últimas décadas, são os costumes de enfeitar o pinheiro de Natal e fazer o presépio, tanto dentro da igreja e em lugares públicos, como na privacidaade dos lares. A origem do presépio é no entanto antiga. O primeiro apareceu em 1223, em Itália, feito por São Francisco de Assis.



 
Na cultura globalizada e descristianizada em que vivemos mergulhados, os presentes não são entregues às crianças por reis magos ou pelo Menino Jesus, mas pelo Pai Natal, "Père Noel" ou "Santa Claus", sucessores de São Nicolau, nascido na Turquia, Ásia Menor. Nesta cultura consumista já não são apenas as crianças a receber presentes.  Faz-se a troca generalizada de prendas entre adultos.

Longe vão os tempos em que se ia a pé, de Travancas a Arçádegos, no país vizinho, comprar muñecas e caramelos para dar às crianças no Dia de Reis.  O texto "Boas Festas, dão-me os Reis"  escrito por Mariana, é o testemunho de alguém que era criança, em meados do século XX.



 
Nesta época de janeiro, as tradições mais antigas dos meios rurais, com algum risco de se perderem  irreparavelmente, são os costumes de "Ganhar os Reis" e cantar as Janeiras ou "Cantar os Reis", como se diz em Trás-os-Montes.

 

Aqui estão os reis à porta
Dispostos para cantar
Se os senhores nos dão licença
Nós os vamos começar



Mas, com tanta falta de gente, ainda se cantam os reis em Travancas?
Que falta faz uma Associação Cultural que dinamize e recupere estas ricas tradições!
Argemil, Travancas, Roriz e São Cornélio, por todos, vamos a isso?





Boas Festas, dão-me os Reis?

Era assim...

...ganhavam-se,  davam-se e cantavam-se os Reis, a partir do dia 6 de janeiro, por terras do Alto Tâmega.
E havia sempre que dar. Tal como os Reis Magos presentearam o Menino, também às generosas gentes transmontanas não faltou nunca que deixar nas saquitas  humildes das crianças ganhadoras e cantadoras dos Reis -  castanhas, figos, nozes, chouriças...
Em terras raianas, tudo se confundia e misturava: a língua, as gentes, as tradições...
 
Como recordo com saudade aquele 25  de dezembro em que o Menino Jesus nos deixou a mim e à minha irmã um bilhete, dentro de um soquinho, com latinha amarela na biqueira!
Dizia mais ou mmenos isto: "Como a neve está muito alta, o Menino Jesus não pode viajar. Mas no dia de Reis vou a Arzádegos, levar os presentes aos meninos; passo por Travancas e deixo-vos os Reis."
Acreditámos piamente. Se a letra nem era igual à dos pais, não havia que duvidar!
No dia seis, lá estava a boneca de papelão, espanhola, claro, para a minha irmã, e uma caixa de galletas todas coloridas, para mim!

 Hoje, como então, apetece repetir:
"Boas Festas, darão-me os Reis?"


 Texto escrito por Mariana


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Darão-me os Reis?



Travancas, seis de janeiro, décadas de sessenta, cinquenta, quarenta do século vinte e muito, muito tempo antes...

A aldeia acordava bem cedo. Não havia escola e a criançada calcorreava as ruas, com tapetes de estrumeiras ásperas, indiferente ao ar gélido da manhã.


Levavam as casas a eito - "Boas Festas, darão-nos os Reis?" E lá vinham umas castanhas, uns figuitos, uns rebuçados, uma ´croa´, com sorte, até uma chouricita pequena.




Era o princípio da festa que até os adultos contagiava.
- "Darás-me os Reis?" - ouvia-se entre familiares, vizinhos e amigos que se iam encontrando...

- Estão bem ganhos! Aparece em minha casa logo à noite! Ou então, surgia, outra resposta bem brejeira, bem ao jeito transmontano:

- Isso querias tu! Mas ollha que já mijei!




Era assim. Hoje, as casas cheias de crianças estão vazias. As crianças de então são avós que ouvem, como eu já ouvi hoje:

- Que é isso de ganhar os reis?

Então fica a vontade enorme de repetir:

- Boas festas, darão-me os Reis?



Ainda não nevou este inverno! Aquecimento global, reespondem-me.

Texto: Mariana
Fotos de arquivo

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Os Pastores na Festa de Natal

E nas quadras cantadas nos Reis

Os pastores, apascentando os rebanhos ao ar livre, parecem levar uma vida bonita, de harmoniosa convivência com a natureza. Mas a labuta é dura e imagem que a sociedade deles faz é a de pessoas que exercem uma profissão humilde.
Já na Antiguidade era assim, mas foi a eles que um anjo anunciou o nascimento do Salvador e, segundo a tradição cristã, foram eles os primeiros a chegar à manjedoura com oferendas ao Menino e a cantarem-Lhe hinos de louvor.


A esses nómadas - homens, mulheres e crianças - que deambulam solitários nas serras ao redor de Travancas, ao sabor das variações climatéricas, deixo aqui a minha homenagem e admiração pelo trabalho que desenvolvem. Ver também a postagem Ainda há Pastores.


"Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo.


Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor.
Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura».



Imediatamente juntou-se ao Anjo uma multidão de anjos celestiais que louvava a Deus, dizendo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».


"Quando os anjos se afastaram deles em direcção ao Céu, os pastores disseram uns aos outros: "vamos então até Belém e vejamos o que aconteceu e o que o Senhor nos deu a conhecer". Foram apressadamente e encontraram Maria, José e o Menino, deitado na manjedoura.

Depois de adorá-Lo, ajoelhados, os pastores "voltaram glorificando e louvando o Altíssimo por tudo o que tinham ouvido e visto como lhes tinha sido anunciado".




Quadras com pastores cantadas nos Reis

Somos pastores, vimos da serra
Adorar o Deus do céu e da terra;
Um Deus-Menino nós adoramos,
E a Virgem-mãe a quem amamos

Pastores, pastoras
Vamos todos a Belém
Adorar o Deus-Menino
Que a Nossa Senhora tem!


Avante, pastores, avante,
Vamos todos à porfia.
Vamos ver o Deus-Menino
Filho da Virge-Maria


Mensagem de Natal
A estrela mostra o caminho àqueles que, tal como as crianças, sabem ver o que não se pode observar. Simbolicamente significa que para vermos, devemos olhar com os olhos do coração.
Miguel Torga dizia o mesmo, que podemos ver em Trás-os-Montes um "Reino Maravilhoso" desde que "os olhos não percam a virgindade original, diante da realidade e o coração, depois, não hesite".




terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Cantar dos Reis

Em Travancas Cantavam-se os Reis


De seis a vinte de Janeiro, cantavam-se os Reis em Travancas. Era uma tradição bonita que pouco a pouco se foi perdendo.

“Aqui então os Reis à porta,
Dispostos p’ra lhos cantar;
Se os senhores nos dão licença,
Vamos-lhos a começar!”


Era assim. Depois da ceia, bem tarde, quando tudo se acomodava, juntava-se o grupo que saia para a noite. Com um barbeiro de meter medo, bem agasalhados, a luz baça do lampião indicando o caminho, lá iam com a alma em festa.


Cantavam às portas de vizinhos e de amigos, quer do povo, quer de fora.

“Quem lhes vem cantar os Reis,
Da sorte que as noites estão,
Certo é que lhes quer bem,
Da raíz do coração.”


Com vozes afinadas, ferrinhos e concertina, devem-se as Boas Festas, acordando a quem a sono solto dormia,

“Boas Festas, Boas Festas,
Boas Festas vimos dar
Que nasceu o Deus Menino
Em Belém, p’ra nos salvar!”

Como não lembrar algumas vozes de alguns cantadores dos Reis: o Carlos e o Zé Roque, o Acúrcio, o João Caseiro, o Berto que tão bem fazia o “cima”, o “ti” Zé Manuel e o Chico Pinto.



Que dizer daquela noite em que cantaram os Reis ao Ti Martinho e beberam aguardente por uma cafeteira…



Ou então, uma outra noite em que um grupo de estudantes quis fazer levantar da cama a D. Esperança e o Sr. Rodrigues que os receberam com biscoitos e vinho do Porto. Foi uma risota pegada durante a cantoria, porque a espera foi longa e tinha-se-lhes acabado o reportório.










Às vezes, os donos da casa tardavam a abrir. Então eram delicadamente pressionados:

“Se nos querem dar os Reis,
Não nos estejam a demorar,
Nós somos de muito longe,Temos jornada para andar!”

Outras vezes, mais raras, nem abriam. Então vinha o descante:

“Estes Reis que nós cantamos,
Tornamos a descantar;
Estes barbas de farelos,
Não têm nada p’ra nos dar!”
Mas quando abriam, os cantadores eram bem recebidos. Aqueciam-se, comiam, bebiam, recebiam os “Reis”:

“Daqui de onde estou bem vejo,
A faca estar a saltar,
Para cortar a chouriça,
Que os senhores nos querem dar!”

Depois, mais aconchegados, continuavam a cantar e por último, despediam-se:

“Despedida, despedida,
Como a deu a cereja ao ramo;
Fiquem com Deus, meus senhores,
Queira Deus que de hoje a um ano!”










Era assim… Cantavam-se os Reis em Travancas…

Texto de “Mariana”
Fotos de euroluso