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quinta-feira, 31 de outubro de 2019

O tempo das castanhas

A mesma rotina, ano após ano

Normalmente as castanhas, aqui na freguesia, começam a pingar no final da primeira quinzena de outubro. A época termina um mês depois.




Este ano a época começou mais tarde, no mínimo uma semana.



Produção fraca. Num ouriço, onde deveria haver três ou mais castanhas, há duas.





quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Já há castanhas novas!

Chegou o outono!

   Já começaram a pingar as castanhas. Não é mentira! 


 O espírito de partilha -de um vizinho vai permitir que no próximo domingo  faça um magusto em família..





quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Muita Castanha e boa

Preço inferior ao da última campanha

Boa colheita, sinónimo de maior rendimento?  Pode não ser porque o preço da castanha não é determinado pelo produtor.


Nas terras altas da raia já há dez dias que se anda na apanha da castanha.


Este ano fiz a minha estreia, tendo apanhado várias cestas no primeiro dia. Todavia, se andasse à jeira, o patrão ficaria satisfeito com a minha produtividade? Para encher a cesta, com cerca de 10 kg, demorei sempre mais de uma hora!


O senhor Fernando, a dar uma volta nos castanheiros que tem perto da capela do Senhor dos Aflitos, ensinou-me a identificar as variedades judia e longal.



Hoje esteve um lindo dia  de sol de outono. No regresso de ida a Chaves, despachar castanha para o pessoal de Lisboa, passei por São Cornélio e  Roriz. Na primeira aldeia não encontrei ninguém a apanhar castanhas. Em Roriz, no ano passado, neste grande souto não as havia, devido à doença que tinha atacado os castanheiros. Como vi o trator encostei o carro à berma.


Aproximei-me. E quem foi que encontrei na apanha da castanha? A tia e a mãe do Ricardo, o "maçom" de Roriz!


O souto é do povo - ou da Junta? A família trá-lo de renda, a meias.  Em Roriz, tal como em Argemil, há terrenos baldios que são geridos pelas associações de compartes.


"O Ricardo foi para a Suíça". Que pena, pensei eu. Mais um jovem sem esperança de viver  feliz na sua terra. Perde Portugal, ganha a Suiça com mão de obra jovem, disponível para o trabalho, sem ter gasto um cêntimo na sua formação. 


Nem só castanhas se apanham nos soutos. "Gosta de níscaros?". Pelo-me por eles! A mãe do Ricardo, uma simpática senhora que já conhecia, ofereceu-me os que tinha no balde. Mas, como não sei prepará-los, tenho de perguntar ao Delmar ou à Juraci! De certeza que sabem!



Quando regressei a Travancas encontrei o Betinho na pesagem das castanhas. Há cada vez mais famílias  a tirar nelas o rendimento que as batatas deixaram de dar.


Este ano, embora o fruto dos frutos, como Miguel Torga se referia à castanha, já  tenha sido vendido a 2 euros o kg, no momento o preço varia entre 1,80 a judia e 1,10 a longal.  No ano anterior a mais cara chegou a ser vendida a 2,50 euros!



O intermediário de Chaves já tinha o camião quase cheio de sacos de castanha.  Não é o único a vir à montanha comprar castanha. Segundo ele, em São Vicente da Raia, situada a uma cota mais baixa, há pouca. A elevada produção não é geral, portanto!

Estimativas 
Argemil = 20 000 kg
São Cornélio = 2.500 kg
Travancas = 10 000 kg
Roriz = ?


Os magustos são a seguir!
Também estão aí as feiras da castanha em Carrazêdo de  Montenegro e em Vinhais.  Olá, Rural Castanea!  O pessoal de Travancas da Raia vai aí no domingo!




terça-feira, 25 de novembro de 2014

Pouca castanha e miúda

Preço atenuou prejuízo  aos produtores

Feito o balanço da época que terminou, da apanha da castanha, o ano de 2014 fica marcado pela elevada quebra da produção em Trás-os-Montes, nomeadamente nos soutos acima dos 800 metros, como é o caso das aldeias do planalto que vai da Bolideira a Travancas.


Até ao início da campanha, conforme referido em anterior postagem, os agricultores desconheciam a razão pela qual, a partir de agosto, as folhas dos castanheiros começaram a secar e os ouriços deixaram de se desenvolver.


Das quatro aldeias da freguesia, Roriz é aquela que tem mais soutos e, por isso, é aquela onde o prejuízo foi maior. Em alguns soutos, as quebras de produção, superiores a 90%, afetaram o rendimento de famílias que dependem da venda da castanha.


Precipitação elevada e temperatura amena favoreceram o desenvolvimento da septoriose do castanheiro, fungo que dá à folha uma cor acastanhada e amarelada ao rebordo. Ataca também o pedúnculo do ouriço, apodrecendo-o e impedindo o fruto de se desenvolver.





No mercado consumidor, no entanto não faltou castanha à venda.


De menor calibre  e com bicho, a castanha era vendida no Leclerc a 3,99 euros.


Em Roriz, Travancas, São Cornélio e Argemil, houve produtores que venderam o quilograma da castanha a 2€20, a 2€50, a 3€ e a mais. No ano anterior o preço médio no produtor andou à volta de 1€30.


Além de miúda, grande parte da castanha, mesmo selecionada, tinha morrão.


Bela paisagem de Travancas e da Cota de Mairos, avistada de um souto Roriz.


Para o Ministério da Agricultura compensar os produtores, vai a Câmara Municipal de Chaves fazer o levantamento dos prejuízos?





sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Festa do Cordeiro em Roriz

Paga por negociante de castanha

No passado dia 1º de dezembro houve festa na aldeia vizinha que, como se sabe, faz parte da  União de Freguesias que junta Travancas e Roriz.


O convívio gastronómico não foi para  comemorar a Restauração da Independência, infelizmente o feriado foi extinto, mas para selar o bom relacionamento entre produtores e comprador de castanha.


Desde há vinte anos que o final da campanha da castanha é festejado desta forma. Em data aprazada, os de Roriz poem a mesa e o negociante de Rebordelo arca com a despesa.


À volta dela, no salão da Associação Cultural   e Recreativa, juntaram-se produtores de castanha, comprador e alguns convidados, para festejar um contrato que a todos  satisfaz e a ambas as partes interessa dar continuidade.


Para a festa foram assados três cordeiros no forno do povo.


Pão, vinho tinto e refrigerantes completavam  a refeição, servida em regime de self.-service.






Enquanto Travancas produz  em pouca quantidade, Roriz, rodeada de soutos, produz mais de 60 mil quilogramas de castanha. São vários os produtores  cuja colheita é superior a 5 toneladas de castanha, principalmente de variedade judia, paga a a mais de 2 € por kg..


Negociante de castanha com o senhor Antero Ginja, presidente da anterior Junta de Roriz e membro da atual Assembleia da União de Freguesias.


A confraternização  à volta da mesa prolongou-se pelaa tarde fora.



No próximo ano cá nos voltaremos a encontrar,  parecem dizer,  pelo ar de satisfação, representantes de produtores e de comprador de castanha.


Forno do povo, onde foram assados os cordeiros da festa

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A Apanha da Castanha

Ouro da agricultura

Travancas, freguesia  situada à mais alta altitude, no concelho de Chaves, está  integrada na Terra Fria transmontana, região  de maior produção de castanha em Portugal.
 

Na apanha, não se pagam jeiras. O trabalho é feito por familiares, vizinhos e amigos. Nesta época  do ano, há quem venha à terra ao fim de semana ou tire férias, para as apanhar.


No  outono, quando a castanha fica madura, os ouriços arreganham-se, deixando-as cair. As primeiras começam a pingar em outubro, com a chuva e o vento.


São muitas as famílias que nas aldeias da freguesia - São Cornélio, Roriz, Argemil e Travancas - se dedicam à apanha.
 
 
O objetivo é vender a castanha aos intermediários que sobem ao Planalto de Travancas, à procura do fruto. A castanha transmontana tem saída nos mercados consumidores porque tem fama de ser de boa qualidade.
 
 
No passado, comercializava-se alguma castanha mas não havia tanta procura como agora.  O aumento é induzido pela indústria de chocolate  e pelo consumo de doces e bolos de castanha.
 
 
 
Nesse tempo era descascada para dar aos recos e  a de melhor qualidade destinava-se principalmente a ser consumida. Quem  não se lembra do caldo de castanha, da castanha cozida ou assada nos magustos?
 
 
Atualmente, na União Europeia, há escassez de castanha, estimando-se que seja necessária a plantação de 40 mil hectares de souto, nos países produtores - Espanha, Portugal, França e Itália.


A variedade de castanha judia, a de maior calibre, é também a de maior rendimento. Os intermediários estão a pagá-la a 2 € ao produtor, por 1 kg. Ao consumidor, porém, nos centros urbanos, é vendida a 4€ ou mais.
 
 
A castanha longal, também com forte produção na freguesia, apesar de ser mais saborosa que a judia, tem menor valor comercial porque é de calibre inferior. Sendo de menor procura por parte dos consumidores, os intermediários estão a comprá-la a 1,25 €.
 

Nos últimos anos, aumentou a plantação de castanheiros na União de Freguesias de Travancas e Roriz. A tendência é para a área de soutos se expandir, correspondendo ao aumento da procura de castanha e ao bom  preço pago ao agricultor. Atualmente, produzir castanhas é mais rentável que produzir batata ou centeio
 

Será a castanha o ouro dos agricultores transmontanos?  O senhor João, de Argemil, no seu souto, está na expetativa de apanhar uma tonelada. Como diz, e bem, a castanha não dá trabalho e não carece de adubos como a batata e o centeio. Basta apanhá-la!