segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Branca é a Noite

As nevadas não param ...


Depois da última nevada há dias, a neve voltou a Travancas pela sétima vez este Inverno.

Não estava na aldeia quando começou a nevar na tarde de Domingo do dia 25 de Janeiro. Tinha ido à Feira do Fumeiro em Montalegre no Sábado e só regressei hoje ao fim do dia.







Embora do Alvão e do Vale de Chaves avistasse, emocionado, a beleza da Serra da Padrela e do Vale Grande cobertos de neve, ao chegar à encosta de Mairos, a neve tornou-se um problema, dificultando-me a circulação. Como era abundante, receei não poder passar da albufeira de Mairos para cima.




À saída de São Cornélio. quando vi carros parados na estrada, um tractor em manobras e um camião espanhol, carregado de leite, imobilizado na valeta, temi o pior. Receei ficar imobilizado na estrada ou ter de voltar para trás.





Com muita dificuldade, circulando em cima da neve, cheguei a Travancas por volta das 18 horas.






Durante o serão a neve voltou a cair engrossando a camada de brancura.

















Não há barulho, não há pegadas nem se vê ninguém. Só o latido do cão quebra o som do silêncio na noite alva e gélida.


















Os farrapos de neve , grandes, caídos silenciosamente, são um tónus para o espírito.




Forno do povo
Se não chover durante a noite, derretendo a neve ...





... as obras em casa vão ficar de novo paradas por um dia ou mais porque os pedreiros não podem vir, barrados pela neve e pelo gelo!



Na Segunda-feira ...

Travancas vai acordar isolada ...











terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Mais uma Nevada!!

Mais uma vez fui bafejado pela sorte de me encontrar em Travancas durante uma nevada.
A frequência e intensidade com que as neves têm caído desde o fim de Novembro fazem recordar os tempos em que os Invernos eram mais frios e longos nas terras altas de Trás-os-Montes.


Nevou dia 20 de Janeiro de 2008 desde a uma da madrugada até por volta das 11h da manhã.
Aqui ficam algumas das imagens que captei durante as duas horas em percorri a aldeia à procura da beleza proporcionada pelo manto de neve.





O Zé Alberto e a esposa, a pensar na família, em França


























À procura da neve descobri este bonito recanto










Casa de sportinguista com certeza






Casa de benfiquista, sem dúvida, a desejar Feliz Natal



























Estrada transitável pouco tempo depois da neve ter parado de cair





















Nunca esta casa me pareceu tão bonita como agora, sob a neve










Sr. Américo Alves




Técnicos das Águas de Portugal. Será que a água vai deixar de ser do povo?




















O fiel amigo






Limpeza da neve à porta de casa











Padeiro de Tronco não teve problemas em chegar a Travancas, apesar da neve










Bonita árvore de azevinho

Cantar dos Reis

Em Travancas Cantavam-se os Reis


De seis a vinte de Janeiro, cantavam-se os Reis em Travancas. Era uma tradição bonita que pouco a pouco se foi perdendo.

“Aqui então os Reis à porta,
Dispostos p’ra lhos cantar;
Se os senhores nos dão licença,
Vamos-lhos a começar!”


Era assim. Depois da ceia, bem tarde, quando tudo se acomodava, juntava-se o grupo que saia para a noite. Com um barbeiro de meter medo, bem agasalhados, a luz baça do lampião indicando o caminho, lá iam com a alma em festa.


Cantavam às portas de vizinhos e de amigos, quer do povo, quer de fora.

“Quem lhes vem cantar os Reis,
Da sorte que as noites estão,
Certo é que lhes quer bem,
Da raíz do coração.”


Com vozes afinadas, ferrinhos e concertina, devem-se as Boas Festas, acordando a quem a sono solto dormia,

“Boas Festas, Boas Festas,
Boas Festas vimos dar
Que nasceu o Deus Menino
Em Belém, p’ra nos salvar!”

Como não lembrar algumas vozes de alguns cantadores dos Reis: o Carlos e o Zé Roque, o Acúrcio, o João Caseiro, o Berto que tão bem fazia o “cima”, o “ti” Zé Manuel e o Chico Pinto.



Que dizer daquela noite em que cantaram os Reis ao Ti Martinho e beberam aguardente por uma cafeteira…



Ou então, uma outra noite em que um grupo de estudantes quis fazer levantar da cama a D. Esperança e o Sr. Rodrigues que os receberam com biscoitos e vinho do Porto. Foi uma risota pegada durante a cantoria, porque a espera foi longa e tinha-se-lhes acabado o reportório.










Às vezes, os donos da casa tardavam a abrir. Então eram delicadamente pressionados:

“Se nos querem dar os Reis,
Não nos estejam a demorar,
Nós somos de muito longe,Temos jornada para andar!”

Outras vezes, mais raras, nem abriam. Então vinha o descante:

“Estes Reis que nós cantamos,
Tornamos a descantar;
Estes barbas de farelos,
Não têm nada p’ra nos dar!”
Mas quando abriam, os cantadores eram bem recebidos. Aqueciam-se, comiam, bebiam, recebiam os “Reis”:

“Daqui de onde estou bem vejo,
A faca estar a saltar,
Para cortar a chouriça,
Que os senhores nos querem dar!”

Depois, mais aconchegados, continuavam a cantar e por último, despediam-se:

“Despedida, despedida,
Como a deu a cereja ao ramo;
Fiquem com Deus, meus senhores,
Queira Deus que de hoje a um ano!”










Era assim… Cantavam-se os Reis em Travancas…

Texto de “Mariana”
Fotos de euroluso