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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Benção da massa

Costume religioso que se perdeu

Pelas festas do estio, duas senhoras de Águas Frias sobem a Travancas para cozer pão no forno da Casa do Pelicano.



Transmitem saberes a uma geração, nascida e criada no meio urbano, mas desejosa de não deixar morrer tradições, transmitidas de geração em geração.



A dona Maria e a dona Ana, depois de amassarem e revirarem  o pão, rezam orações e fazem cruzes sobre a massa.




São Vicente te acrescente
São Mamede te levede
São João te faça pão


Em honra de Deus e da Virgem Maria,
Um Pai-Nosso e uma Ave Maria



Em nome do Pai e do Filho, etc 


E a massa, depois de levedar e ser metida no forno para cozer, transforma-se em pão, alimento abençoado.
 
 
 
 
 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Pão Nosso

De cada dia...

Primeira fornada



Na antiga loja da burra


Fiz um forno e uma churrasqueira.



Num aniversário, inaugurámos o forno. Despojado de experiência, vali-me da ajuda do meu vizinho Tó Ribeiro. Ele iniciou-me  na arte de cozer pão. Fez uma vassoura de giestas, trouxe lareiro para as brasas, raspadeira e tabuleiro; aqueceu o forno, meteu e tirou o pão, com a sua pá  de madeira.


Sem a ajuda preciosa do Tó e da Juraci, sua esposa, não teria sido possível fazer e cozer o pão, em forno de lenha, com farinha e fermento do padeiro de São Vicente da Raia.


Bôlas de carne. Quem sabe, sabe!



O pão desta fornada, apesar de não ter ficado bem cozido por baixo, é saboroso.  Antes desta primeira cozedura, faltou aquecer o forno umas duas a três horas, para o lastro perder  humidade.

A experiência foi no entanto positiva, e da próxima vez vai correr melhor! Bem hajam Tó e Juraci!




sábado, 13 de março de 2010

Forno do Povo de Cara Nova

Assim dá gosto!


Há dias, falando de fornos,  o Toninho, empresário da construção civil de São Cornélio, disse-me que tinha feito obras de recuperação do forno do concelho em novembro de 2009. Levou-me lá de carro e abriu-me a porta. As obras de restauro feitas agradaram-me bastante. Além de manterem a estrutura primitiva, introduziram comodidades indispensáveis nos nossos dias, como água canalizada, energia elétrica e, imagine-se, luvas! O Toninho, orgulhoso da obra feita, como quem faz um filho, disse-me que tinha sido ele a escolher os mosaicos rústicos assentes no chão. Cá fora, na porta, a Junta afixou o custo da empreitada.



O velho forno do concelho, das grandes fornadas, do tempo em que as famílias eram grandes e muitas as bocas.


À noite, ou de madrugada, punha-se a vez, um qualquer guiço de giesta espetado numa das frestas da porta de madeira.


Quem primeiro cosesse, mais lenha gastava para o aquecer; estando de "pós-quente", bem menos se precisava.

O forno era de todos e a todos servia. Além de cozer o pão, lá se juntavam, à tarde, no tempo do frio, grupos de homens e rapazes, conversando, jogando às cartas. À noite, aí se recolhiam latoeiros, como o Zé dos carneiros, mendigos e ciganos necessitados de abrigo.


Hoje, excetuando o Lar Nosso Senhor dos Aflitos,  poucos o utilizarão; muitos têm forno particular e há o café que funciona como centro de convívio.


Entrada do forno do povo em Junho de 2008...


... e depois de restaurada.
O Toninho disse-me que  o forno de Argemil também vai ser recuperado -  o que acho bem, pois o casco antigo da aldeia é muito valioso. Enveredando por este caminho, de valorização do património edificado comum, Travancas preserva a sua identidade e memória coletivas,  reforçando nos naturais  o sentimento de orgulho, a auto-estima e os laços identitários de pertença à  comunidade.


Texto de Mariana, exceto a introdução e a conclusão.