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sábado, 16 de janeiro de 2021

Dona Alzira faleceu

Choremos, choremos, choremos!


Consternação
Morreu a vizinha amiga 
Esta manhã, no hospital de Chaves, vítima de doença  prolongada, pós-operatória
 A sua imagem não morre, ficará na nossa memória
Sentidos  pêsames  aos familiares.
 
 

Devido à Covid-19 não houve velório. Funeral, no Domingo, após missa de corpo presente.


Cortejo fúnebre  para o cemitério de Travancas.  Ao fundo, a Serra do Larouco;  devido às geadas, ainda salpicada de branco, 17 dias após a  nevada de Ano Novo.


Ofício fúnebre celebrado pelo senhor padre João Miguel, em substituição  do senhor padre Delmino, em recuperação  no hospital de Valpaços.


R. I. P.

Requiescat In Pace

Fica em Paz



quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A Bucheca do Dia de Reis

Gastronomia é cultura

Para o almoço do Dia de Reis, a minha mulher reservou uma bucheca de Travancas, feita pela São, servida com grelos e batatas da terra.


Ao contrário do bucho - butelo, como se diz noutras terras -  em que as costelinhas ou entrecosto são metidos no estômago do reco,  a bucheca é a mesma carne em  sorça (vinha d'alhos), mas curada na bexiga.


O azeite também é transmontano, da Terra Quente.


Cá  por casa, suponho que noutros lares também, a tradição gastronómica ainda é  o que era!




sábado, 30 de janeiro de 2016

O nosso fumeiro

Produção caseira da São
saberes & sabores


A excelência da qualidade dos enchidos transmontanos, de produção caseira, satisfaz o paladar mais exigente  dos consumidores dos centros urbanos. Na zona de Lisboa há lojas  especializadas em produtos de gastronomia transmontana e nas grandes superfícies realizam-se feiras do fumeiro de Trás-os-Montes.  Às vezes, porém, vende-se gato por lebre!



Nas aldeias, a prática ancestral de matar recos e fazer fumeiro não se perdeu. Antigamente, os enchidos eram o sustento da casa ao longo do ano, havendo famílias que, tal como hoje, vendiam parte do fumeiro para complementar o rendimento do agregado familiar.



As alheiras de Travancas levam carne de porco  e, nos últimos anos, há quem, como a Dona Conceição Sá Pinto,  acrescente salsa à sorça, para ficarem mais apaladadas.



Presuntos, salpicões, chouriças, butelos, alheiras,  linguiças e orelheiras  pendurados nos lareiros dão à sua cozinha  a beleza de um céu revestido de irresistíveis iguarias gastronómicas.



O salsichão é um tipo de chouriço, bastante saboroso, oriundo há poucos anos da Galiza e cuja técnica as senhoras da raia serrana já dominam na perfeição.




Desde 2010 que a São participa na feira "Sabores de Chaves - Feira do Fumeiro". Para o certame são convidados produtores cuja produção caseira é genuína e oferece garantias de higiene e qualidade. 
Este fim-de-semana, de 29 a 31 de janeiro, tem lugar a 11ª edição.
Porque não dar um saltinho ao Pavilhão Municipal de Chaves e saborear o fumeiro da  São?







segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Sabores de Travancas

Na Feira dos Sabores de Chaves

Foto picada da internet
A dona Conceição, esposa do senhor José Pinto, tal como em edições anteriores, representou Travancas na Feira dos Sabores de Chaves, realizada entre 31 de janeiro e 2 de fevereiro.










Embora tenha mais visibilidade por participar nas feiras, a dona São não é a única a fazer fumeiro para venda. Tanto em Travancas como em Argemil, São Cornélio e Roriz há mais famílias que criam recos, matam e fazem fumeiro com o objetivo de complementar o rendimento do agregado familiar.



Entrevistada pela SIC na Feira dos Sabores, deu a conhecer aos telespectadores,  a excelência do fumeiro caseiro feito com carnes de reco criados num anexo da casa, à boa maneira transmontana.



O processo de cura das alheiras, chouriças,  sangueiras e salpicões é feito, como manda a tradição, no lareiros, paus pendurados por cima da lareira. As panelas de ferro continuam a ser usadas para aquecer água, fazer o caldo e cozer batatas para os porcos, ou não fosse Travancas a Capital da Batata!


 
As suas chouriças de cabaça são muito boas mas é o delicioso bucho que faz parte da ementa da ceia de Ano Novo, em minha casa, há vários anos!


O saber e o sabor da genuína gastronomia transmontana na Feira do Fumeiro de Chaves!



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Gastronomia caseira

Fumeiro do nosso contentamento
 
Enquanto o tempo de  matanças vai continuar por janeiro fora - há quem mate duas vezes ou mais - o primeiro fumeiro já  começa a ganhar cor  nos lareiros, como neste do Nicolau.
 
 
Todavia, rompendo com a tradição, de há uns anos para cá, há quem faça enchidos ... sem fumo!
 
 
Esses chouriços, feitos à moda galega, são feitos com carne picada, da pá e  da perna do reco,   partes tradicionalmente usadas para fazer presuntos.
 
 
 
Fazendo  chouriças. Maria, assim se chama a menina, tirou uns dias de férias para ajudar a família a fazer o fumeiro.
 
 
Couve penca ou portuguesa. Em Lisboa, há quem lhe chame couve de Natal.
 
 
Plantada em setembro e fins de agosto, é colhida, em força, na época do frio.
 
 
 
A couve penca quase sempre acompanha batatas cozidas. Se lhe juntarmos, na matança, as iscas do fígado de porco ou os "rijões", temos uma refeição simples, sem condimentos, mas suculenta  e saborosa.
 
 
Na época das matanças também se colhem nabiças, semeadas depois do São Bartolomeu. Possivelmente, devido às sucessivas geadas,  no princípio do mes, os grelos estão atrasados. No entanto, de espécies mais temporãs, já se colhem alguns.
 
 

Também já se comem alheiras do fumeiro deste ano! Consumidas  com grelos e batatas cozidas, cá da terra, que paladar resiste a tal manjar?
 
 
Bucho ou butêlo, designações transmontanas, para o enchido feito com costelas partidas, sorsadas. Em minha casa, este prato costuma constar da ceia de fim de ano.   Todavia, nunca vi  buchos tão grandes como estes na cozinha do Nicolau!
 
 

Chouriça de cabaça com batatas, nabiças  e feijões chícharros.  Bem bom!
 
 
 
"Presuntos de Chaves" no fumeiro. Que melhor, que estes sabores caseiros da nossa terra?
 
 
 
 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Fumeiro à Nossa Moda

Saberes e sabores da terra


Numa altura em que decorrem, de janeiro a março, feiras do fumeiro em Boticas, Montalegre, Macedo de Cavaleiros, Chaves, Vinhais, Miranda do Douro e noutras terras transmontanas, convém lembrar que as iguarias gastronómicas lá compradas, por alguns de nós, são feitas em aldeias de nomes desconhecidos, por mulheres detentoras de um saber transmitido e aprimorado de geração em geração.






Travancas, terra de montanha, é uma dessas aldeias onde se produz fumeiro de excelente qualidade, para consumo doméstico ou para venda direta ao consumidor.




A dona São é o único caso de produção artesanal em que a venda também é feita na Feira do Fumeiro de Chaves, a realizar de 3 a 5 de fevereiro de 2012.





Graças ao Beto, pude ver a sua mãe, a tia Alzira, a prima Maria e a namorada, de Arçádegos, a fazer o fumeiro "como antigamente" - frisa a mãe, com um sorriso de satisfação e uma pontinha de vaidade, justificada.



E que rico fumeiro elas fizeram! Da primeira vez que as vi a trabalhar, poucos dias depois  da matança, faziam salpicões com a carne do lombo, sorsada - tempêro de vinho, alho e pimentão.



Antes, tinham feito as sangueiras, as bucheiras, as linguiças, os chouriços de calda e encheram os buchos.


Beto, autor da foto
Festa de São Sebastião em Cimo de Vila da Castanheira 

No dia de São Sebastião, 20 de janeiro, voltei para as ver fazer "Alheiras de Mirandela à moda de Travancas". Por isso vim cedo das festas de São Sebastião, em Couto de Dornelas e Alturas de Barroso, concelho de Boticas.



No dia anterior, o pão trigo, encomendado a uma padaria de São Pedro Velho, em Mirandela, especializada no fabrico de pão para alheiras,  com pouco fermento, tinha sido cortado em fatias e guardado em alguidares.


Nos potes, é cozida a carne de porco (couracha, cabeça...)  e o peito de frango caseiro cuja água  é despejada no alguidar sobre o pão, a que se junta a carne bem desfiada e uma pitada de sal.



Calda das alheiras já pronta, a que se acrescentou alho bem picado, refogado em bom azeite da Terra Quente e pimenta doce.



Enchendo as tripas com máquina apropriada, em substituição da antiga funila e do fuso.



Tripas de porco, já cheias, prontas a serem atadas e cortadas.


O mais bonito céu transmontano!
'Alheira à nossa moda', sem lobies para lhe ser atribuído o galardão de uma das Sete Maravilhas da Gastronomia Portuguesa mas um  regalo para os olhos e uma delícia para o paladar.


Anterior matança do porco em Travancas da Raia. Clicar em:

Matança do reco - A tradição ainda é o que  era








quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Tempo de Matanças'11

Já se comem alheiras novas


As matanças, iniciadas em novembro,  continuam na freguesia, embora haja quem tenha ido à Castanheira comprar a ceva morta, chamuscada e pronta para o desmanche. Não é o caso da dona São que, como faz fumeiro para vender, voltou a matar três porcos; e não se fica por aqui!



Quando fui a sua casa buscar o fumeiro encomendado,  tinha à lareira dois potes de ferro.



Num, cozia o bucho ou butelo, envolvido num pano, para proteger o recheio, onde predominam as costelinhas.




Noutro estava o balho, cortado aos bocados,  a ser rijado. Fritos na própria gordura, os rijões, bem tostadinhos, ficam prontos a satisfazer o apetite dos mais exigentes.




Entretanto, o senhor Zé Pinto já tinha preparado uns aperitivos de soventre e passarinha (baço) muito apetitosos.



Em casa da senhora Áurea, também se petiscou depois da matança, com boa pinga a acompanhar.




'Pão de alheiras' - Pão trigo, com menos fermento.





Lareiros de alheiras a secar
As alheiras são feitas com pão amolecido em água de cozer as carnes -  couracha e outras, bem desfeitas, temperadas com bom azeite, onde se refogaram uns dentes de alho. Há quem ponha também carne de galinha nas alheiras, uma das maravilhas da gastronomia transmontana.


Salpicões, alheiras, linguiças, bucheiras, butelos e salsichões à espanhola!


Alheira já no prato... uma delícia!