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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A Bucheca do Dia de Reis

Gastronomia é cultura

Para o almoço do Dia de Reis, a minha mulher reservou uma bucheca de Travancas, feita pela São, servida com grelos e batatas da terra.


Ao contrário do bucho - butelo, como se diz noutras terras -  em que as costelinhas ou entrecosto são metidos no estômago do reco,  a bucheca é a mesma carne em  sorça (vinha d'alhos), mas curada na bexiga.


O azeite também é transmontano, da Terra Quente.


Cá  por casa, suponho que noutros lares também, a tradição gastronómica ainda é  o que era!




segunda-feira, 9 de maio de 2016

Cordeiro assado em Argemil

Festa gastronómica do São Miguel

Festa em Argemil da Raia não se faz sem cordeiro à mesa.  Que o diga o jovem casal casualmente encontrado a assá-lo no forno do povo, no dia da festa de São Miguel!


À festa do padroeiro da aldeia acorrem familiares e amigos mais próximos.


Que bons costumes gastronómicos preserva Argemil!


Bo apetito, señor matador!

sábado, 30 de janeiro de 2016

O nosso fumeiro

Produção caseira da São
saberes & sabores


A excelência da qualidade dos enchidos transmontanos, de produção caseira, satisfaz o paladar mais exigente  dos consumidores dos centros urbanos. Na zona de Lisboa há lojas  especializadas em produtos de gastronomia transmontana e nas grandes superfícies realizam-se feiras do fumeiro de Trás-os-Montes.  Às vezes, porém, vende-se gato por lebre!



Nas aldeias, a prática ancestral de matar recos e fazer fumeiro não se perdeu. Antigamente, os enchidos eram o sustento da casa ao longo do ano, havendo famílias que, tal como hoje, vendiam parte do fumeiro para complementar o rendimento do agregado familiar.



As alheiras de Travancas levam carne de porco  e, nos últimos anos, há quem, como a Dona Conceição Sá Pinto,  acrescente salsa à sorça, para ficarem mais apaladadas.



Presuntos, salpicões, chouriças, butelos, alheiras,  linguiças e orelheiras  pendurados nos lareiros dão à sua cozinha  a beleza de um céu revestido de irresistíveis iguarias gastronómicas.



O salsichão é um tipo de chouriço, bastante saboroso, oriundo há poucos anos da Galiza e cuja técnica as senhoras da raia serrana já dominam na perfeição.




Desde 2010 que a São participa na feira "Sabores de Chaves - Feira do Fumeiro". Para o certame são convidados produtores cuja produção caseira é genuína e oferece garantias de higiene e qualidade. 
Este fim-de-semana, de 29 a 31 de janeiro, tem lugar a 11ª edição.
Porque não dar um saltinho ao Pavilhão Municipal de Chaves e saborear o fumeiro da  São?







segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

As pencas do Natal

Famosa couve portuguesa

Há muitas variedades de couve: lombarda, galega, tronchuda, coração de boi, roxa, repolho, brócolos, flor, Bruxelas, etc. mas nenhuma é tão apreciada na época natalícia como a penca. Em Trás-os-Montes não há ceia de Consoada em que ela não acompanhe batatas cozidas com bacalhau ou polvo, regados com azeite.


Couval de Travancas com couves do Natal. A penca raiana, embora seja saborosa,  não é famosa como a penca de Mirandela, cujas sementes são certificadas.



A transplantação da penca, ou couve portuguesa, como é designada fora de Trás-os-Montes, é feita em agosto. Deve ser regada, para as raízes se agarrarem à terra, mas sem ser em demasia.







A Brassica oleracea var. costata, nome científico da penca, é uma variedade de repolho fechado que normalmente ultrapassa os quatro kg. Tem caule curto, folhas grandes e largas; cor verde claro e talo carnudo. É bastante rústica e resistente ao frio, aguentando temperaturas até oito graus negativos.









A partir do Advento a couve plantada em agosto começa a ser colhida.


O polvo faz parte da gastronomia transmontana e, tal como o bacalhau, é servido à mesa, acompanhado com batatas e couve penca.


De horta para horta, um olho bem treinado descobre pequenas diferenças entre as pencas. Umas ligeiramente mais escuras, outras com talos mais largos; umas mais fechadas, outras mais abertas, etc..

Mas todas são couve penca, couve do Natal.







domingo, 29 de novembro de 2015

Já há grelos!

                         Nos linhares e na cozinha


Com alheira ou bacalhau 
Bem amargos e verdinhos 
Bela batata e azeite
Sabem tão bem os grelinhos!
                                               
                                                 Mariana

 
Eles aí estão, os nabos temporões! Semeados em agosto,  desde há duas semanas que estão a ser colhidos, para regalo da gente raiota.


Enviados por familiares, emigrantes em França e nas cidades do litoral de Portugal também os saboreiam, matando saudades à gastronomia da terra.


Grelos, sinal de inverno à porta.


sábado, 3 de janeiro de 2015

Bucho da São

Ceia de fim-de-ano
Com sabores transmontanos

De há uns anos para cá é costume em minha casa, na ceia de passagem de ano, não faltar o bucho da dona Conceição - São, como os amigos e vizinhos a tratam.


Bucho, para os não transmontanos, é o nome que se dá ao estômago do porco e é também  o nome de um tradicional enchido em que em vez de tripa se usa o estômago do reco.  Recheado com costelas sorçadas e cebola,  é atado e pendurado nos lareiros para curar ao fumo durante pelo menos duas semanas.


Prato tradicional de bucho cozido com grelos e batatas.


A dona São, como referido em anteriores ocasiões,  produz  todo o tipo de fumeiro, incluindo chouriças de cabaça.


A mirgada, fruta da Terra Quente, apreciada em casa, especialmente por mim.


Na sobremesa da ceia de fim de ano não podia faltar o tradicional arroz doce.

domingo, 27 de julho de 2014

Curgetes na horta

Sopas de regalar, e não só!

Desde há alguns anos que está generalizado, em Travancas, o cultivo e o consumo de curgetes,  legume da família das abóboras, parecido, no formato, com o pepino.


Pela primeira vez plantei meia duzia de curgetes, compradas no mercado de Chaves. É uma planta rasteira como a abóbora, mas  não se esparrama, o caule cresce em altura.


Descasque. Todavia, como é um legume tenro, pode ser consumido com a pele, sem  ser aparada.


Curgetes com salmão, feijões chícharos e batatas no "Rei d'Orelhão", em Lamas de Orelhão, Mirandela. 


Sopa de curgetes, cenouras, batatas  e outros legumes.


Frango refogado com curgetes.


Tostas de curgetes, tomate e queijo mozarella!


Curgete, a descoberta de um legume com  o qual se podem fazer apaladados pratos.
 


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Sabores de Travancas

Na Feira dos Sabores de Chaves

Foto picada da internet
A dona Conceição, esposa do senhor José Pinto, tal como em edições anteriores, representou Travancas na Feira dos Sabores de Chaves, realizada entre 31 de janeiro e 2 de fevereiro.










Embora tenha mais visibilidade por participar nas feiras, a dona São não é a única a fazer fumeiro para venda. Tanto em Travancas como em Argemil, São Cornélio e Roriz há mais famílias que criam recos, matam e fazem fumeiro com o objetivo de complementar o rendimento do agregado familiar.



Entrevistada pela SIC na Feira dos Sabores, deu a conhecer aos telespectadores,  a excelência do fumeiro caseiro feito com carnes de reco criados num anexo da casa, à boa maneira transmontana.



O processo de cura das alheiras, chouriças,  sangueiras e salpicões é feito, como manda a tradição, no lareiros, paus pendurados por cima da lareira. As panelas de ferro continuam a ser usadas para aquecer água, fazer o caldo e cozer batatas para os porcos, ou não fosse Travancas a Capital da Batata!


 
As suas chouriças de cabaça são muito boas mas é o delicioso bucho que faz parte da ementa da ceia de Ano Novo, em minha casa, há vários anos!


O saber e o sabor da genuína gastronomia transmontana na Feira do Fumeiro de Chaves!



sexta-feira, 19 de abril de 2013

Caldeirada de Cabrito à Caçador

Almoço luso-galego em Argemil
 
A caldeirada é um daqueles pratos que se faz, em grandes panelões, quando se quer juntar amigos e familiares à mesa. 
 

Foi o que aconteceu no último domingo, no Bairro das Poulinhas, onde o caçador anfitrião fez as honras da casa, recebendo para almoço, familiares e amigos de Argemil e Arzádegos, do outro lado da fronteira.
 
 
 
Os três caçadores
Promotores do convívio
 
Sr. Carlos
Nomeada, Assobio


Sr. Manuel
Nomeada, Ruço
 

Sr. Domingos
Nomeada, Trampas
 
 
 

Caldeirada bem codimentada e apaladada.
 

O segredo do agradável sabor reside na cerveja e no uísque que tornam a carne mais tenra.
 

Pão, vinho tinto e batata da terra para  acompanhar a caldeirada.


 
 
Flashes
 

 



Amigos  à mesa


 
Unidos pela amizade e pelo prazer de participar em montarias ao javali e ir à caça aos coelhos e às perdizes.


 
Bruno, amigo de JP. Um momento especial para mim, o regresso ao passado.
 
 

 

Até ao encontro de Arzádegos? Porque não!