domingo, 7 de junho de 2020

1ª Missa do Desconfinamento

Celebrada no Largo São Bartolomeu

No passado dia 31 de maio teve lugar no Largo de São Bartolomeu, a primeira missa do desconfinamento.



Ouvir os sinos repicarem, para a chamada dos fiéis, depois de ficarem quase três meses em silêncio, foi uma emoção de jubilo.


Os fiéis, à volta de 60, espalharam-se a toda a vasta volta do largo, sem uso de máscaras, mas evitando ajuntamentos  e...


... e preservando o distanciamento social.


O coreto serviu de altar mor.  Para ele subiram três senhoras, além do senhor padre Delmino.


Sinfonia da missa ao ar livre: Cantemos ao Senhor, chilreio de passarinhos e cucu, cucu! Uma missa, diria solene, que ficará para a história destes  tempos de pandemia.

Uma das duas leituras da missa -  Carta de São Paulo aos coríntios.


O Evangelho ouvido atentamente. David, o único que vi com máscara.


 



Colecta da comunidade


 
Oração do Pai Nosso.


Consagração do pão e do vinho


  
Distribuição da comunhão


Vinde à mesa do Senhor








Final da1ª  missa do desconfinamento  - dever cumprido

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Desconfinamento

Novas regras de higiene

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Depois de estar dois meses encerrado, devido à declaração dos estados de calamidade e de emergência, por causa do Covid-19, o Café Central, de Travancas, reabriu dia 18 de maio, data de início da segunda fase do desconfinamento.


Como outros vizinhos, retomando velhos hábitos...


... também eu me aventurei, sem usar máscara, a frequentar a esplanada do Café Central.


Até estes dois amigos, de Mairos, subiram à Capital da Batata, para experimentar a liberdade de deslocação readquirida.



Embora os moradores, na generalidade, não usem máscaras, mesmo a jogar cartas, o Betinho, quanto a ele, cumpre as regras impostas pela Direção Geral de Saúde, limpando mesas e cadeiras com gel e disponibilizando-o à entrada do café, para desinfecção das mãos dos clientes. 

São as novas regras de convivialidade e de distanciamento social que todos teremos de cumprir, incluindo eu próprio, para nos defendermos do inimigo invisível.

sábado, 16 de maio de 2020

Ser jovem na pandemia

 Junta de Freguesia dá trabalho
Tiago Batista, de Argemil da Raia

Emigrante em França, está há dois meses com a família. Regressa quando terminar o confinamento  no país e o patrão o chamar.



Em tempos de pandemia, a Junta de Travancas e Roriz, depois de proceder à desinfeção das quatro aldeias, para evitar a propagação da COVID-19,  emprega jovens  à jeira para aparar as ervas da via pública.



Tiago é um deles. Veio para Argemil desde que a sua empresa de colocação de cozinhas em toda a França parou devido à pandemia. O dinheiro que recebe da Junta é um extra bem-vindo. Tiago não tem curriculum vitae  à  mão mas, otimista, diz que sabe podar castanheiros.


Este é o Ricardo, filho do falecido senhor Celestino. Trabalha na construção civil, sector em crise,  mas ao Sábado faz uns extras para a Junta  que o ajudam no sustento  da família.



Encontrei-o com um aspirador, numa rua onde já tinha passado o Tiago com a roçadora.




Mora há mais de um ano na minha rua mal nos vemos. Quando o vejo passar com a família e um carrinho de bébé penso que com a  sua vinda Travancas ganhou em juventude e tem menos uma casa vazia. Aliás, famílias jovens seriam bem-vindas. E quem sabe se o tele-trabalho não provocará essa desejada reviravolta demográfica?



terça-feira, 5 de maio de 2020

Sei um ninho

Mas não  guardo segredo

Dia 7 de Abril encontrei num cipreste um ninho de passarinho com quatro ovos brancos, salpicados de pintas.  Mas, ao contrário do poema "sei um ninho", de Miguel Torga, só guardei segredo enquanto os ovos estiveram a ser chocados e os passarinhos não voaram.



Nos dias seguintes voltei ao ninho e, como  ao aproximar-me,  não via a mãe  voar de lá cheguei a recear que os ovos não chocassem devido ao frio. Um dia, porém, vi-a. Dia 15, ao fim da tarde, encontrei três passarinhos e um ovo. Dia 16, às 14 horas, os passarinhos eram quatro a abrir o bico enorme à espera de alimento. Sem penas, tinham a pele protegida por uma camada de pêlos.


A mãe piava no alto das árvores próximas, saltando de galho em galho. Afastei-me, para não  a assustar. Pouco depois entraram no ninho dois passarinhos, um  a seguir ao outro, fêmea e macho provavelmente.


Conselho de Thijs Valkenburg, técnico da associação RIAS.
Nesta fase das crias, será importante não haver distúrbios regulares, uma vez que os progenitores podem deixar as crias se não se sentem confortáveis. Uma espreitadela de 3 em 3 ou 4 em 4 dias poderá fazer. mas se for evitável será o melhor.


Dia 26 de Abril. Perderam a pelugem e  as asas ganharam penas. Excrementos no rebordo do ninho.


30 de Abril. Último dia das crias no ninho.Visita encurtada por receio de que algum deles  caisse e fosse comido pelo gatinho, animal a que dou de comer e às vezes me acompanha, como se fosse um  cão.


Dia 1 de Maio. Quando me aproximei os passarinhos levantaram voo nunca mais os voltando a ver. O  ninho parece abandonado, sem vestígio de que pernoitem nele. Sobreviveram?


Como se chamam estes passarinhos? O técnico a quem pedi informação, baseado na estrutura do ninho e na coloração dos ovos disse que era ninho de verdilhão. Contudo, depois de ver a foto que tirei à fêmea ou macho, disse tratar-se de chamariz ou milheirinha


Cipreste onde foi feito o ninho



sexta-feira, 1 de maio de 2020

Dia do trabalhdor

Dia de trabalho

Primeiro de Maio, em Lisboa.



Dia do Trabalhador, na aldeia



Contrastes...





sábado, 25 de abril de 2020

Viva a Liberdade

A cantar a Grândola à janela


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

                                       Sophia de Mello Breyner Andresen



 Salgueiro Maia, Capitão de Abril, 1944-1992.

Foi ele, militar sem medo, quem, partindo de  Santarém na madrugada de 25 de Abril, à frente de uma coluna de blindados e 240 soldados da Escola Prática de Cavalaria, marchou sobre Lisboa, montou cerco aos ministérios no Terreiro do Paço e forçou a rendição de Marcelo Caetano no quartel da GNR situado do Largo do Carmo.



O povo de Lisboa, liberto dos grilhões obscurantistas que silenciavam a sua voz há 48 anos, saiu à rua para saudar os soldados, colocando cravos vermelhos nos canos das espingardas. A música de José Afonso, Grândola Vila Morena, tocada na Rádio Renascença às zero horas da madrugada de 25 de Abril de 1974, serviu de senha aos militares do Movimento das Forças Armadas para  iniciarem as operações de derrube da ditadura com o objetivo de Democratizar, Desenvolver o país e Descolonizar, pondo fim à guerra colonial de 13 anos.


Dois estudantes  universitários foram condenados  em 1961 a sete anos de prisão por, no Dia do Estudante, terem feito um brinde à liberdade numa esplanada da Baixa lisboeta.  Passados 46 anos da madrugada libertadora, o povo português vive em democracia, sem medo de ser preso por gritar em público  "VIVA A LIBERDADE".



Em Travancas, terra raiana e de gente solidária com  os do contrabando de sobrevivência, com os que emigravam a salto, com os opositores ao Salazarismo e com os democratas espanhóis que fugiam aos franquistas durante a Guerra Civil,  uma menina, hoje com mais de 70  anos, apanhou da professora porque dois familiares, um tio e o avô paterno do Presidente da Câmara Municipal de Chaves, nas eleições fraudulentas para Presidente da República, em 1958 haviam votado no General Humberto Delgado, candidato oposicionista. 



A celebração do DIA DA LIBERDADE, sem concentrações e desfiles, fez-se nas redes sociais. Às 15 horas, em todo o país, incluindo Travancas, se cantou à janela a  Grândola Vila Morena  e A Portuguesa.




Contudo, a propósito deste dia de celebração dos valores de liberdade, igualdade e fraternidade, há nódoas na nossa democracia que me entristecem.

Que regime  democrático e igualitário é este em que:

-  A filha do próprio capitão Salgueiro Maia teve de emigrar para sobreviver, trabalhando no Luxemburgo como empregada de limpeza em lares de  idosos, alguns infetados pelo coronavírus.

- Há dias, um morador de Argemil  com menos de 50 anos de idade respondeu-me, cabisbaixo, que não leu no telemóvel o meu SMS porque não sabia ler, alegando que na idade de ir à escola  o padrasto o mandava trabalhar.

  - O Presidente da República, professor Marcelo Rebelo de Sousa,  num ato louvável de caridade cristã, sente necessidade de no aniversário do 25 de Abril ajudar a distribuir refeições aos que vivem marginalizados na rua. 

 4º - A Assembleia da República não autoriza a deputada independente Joacine Katar Moreira, eleita numa lista partidária que obteve 60.575 votos, a discursar na casa da democracia no Dia da Liberdade.  Citando Voltaire, filósofo francês, "Posso não concordar  com o que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de dizê-lo"



quarta-feira, 22 de abril de 2020

1ª Vítima do Coronavírus

Enterrada em Travancas

O senhor Manuel Batista,  natural de Argemil, faleceu no Porto,  onde vivia, vitimado pela COVID-19.


Embora em Argemil não more ninguém da família Magno, o corpo do autor do livro Sentença Iníqua  foi enterrado  no dia 22  de Abril  no cemitério de Travancas, onde a família Magno tem mausoléu.



domingo, 12 de abril de 2020

Páscoa Feliz ´20

Confinamento em casa
Páscoa feliz com folar transmontano



Primavera, estação das flores e do renascimento para uma vida nova



Coronavírus lá fora, Papa Francisco no lar.



Meu lírio roxo do campo
Criado na Primavera


Olhai como crescem os lírios do campo:  (...) Eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. 
In Sermão da Montanha
Evangelho segundo São Mateus 6,24-34


 Sagrada Eucaristia, alimento de Vida