Mostrar mensagens com a etiqueta Património edificado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Património edificado. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 10 de novembro de 2015

O Lar dos Tenreiros

Uma casa com História

Bonita carranca na casa pertencente aos descendentes de Ângelo Tenreiro, professor em Mairos, nos finais do século XIX, natural de Argemil e filho do vigário da paróquia de Travancas.


 Domus da família Tenreiro há várias gerações

A porta carral, encimada pela cruz, não engana. Estamos diante de uma casa de lavrador abastado, propriedade de um eclesiástico. Embora na padieira de granito não conste o ano, trata-se de uma casa construída há mais de dois séculos, entre o final do século XVIII e o princípio do século XIX.


Segundo o erudito Abade de Baçal, deve ter sido mandada construir pelo vigário da Paróquia de Travancas, Padre Domingos Manuel Alves da Rocha Raposo Tenreiro, pai de Ângelo Tenreiro, professor em Mairos.



Ângelo Augusto Tenreiro, pai dos atuais herdeiros, jaz no cemitério de Travancas
N 23-09-1922
F 23-07-1994


Dona Francina, além de viúva e mãe, faz parte da direção do Lar do Senhor dos Aflitos, instituição de apoio a idosos. 


A casa dos Tenreiros fica lá no fundo do povo, no Bairro do Canto, onde, próximo à Ribeira do Real, se encontram lameiros de erva tenra e alguns dos mais férteis linhares de Argemil da Raia.



Ir até ao fundo do povo é mergulhar na história de uma isolada aldeia de montanha e imaginá-la, até há 50 anos atrás, sem ruas empedradas, privada de automóveis, eletricidadde, telefone, iluminação pública,  recuperadores nas lareiras, casas de banho, água quente canalizada, fogão a gás, máquinas de lavar roupa, frigoríficos e televisores! No último meio século houve mais transformações, em profundidade e variedade, que em todas as outras épocas!


É recuar no tempo e imaginar Argemil na Idade Média, com casebres de telhados colmados e habitada por cabaneiros que se vestiam com roupa de burel e alimentavam à base de pão centeio e castanhas.

Até há poucos séculos os serranos desconheciam o milho,  o arroz, a laranja e a banana. A batata, trazida do Peru para a Europa pelos castelhanos, só começou a ser cultivada em Trás-os-Montes no início do século XIX.




Apesar do coração ficar dorido com a visão de tantas casas em ruínas e desabitadas, ninguém imagina o bem-estar físico e espiritual que sinto sempre que me embrenho pelo núcleo histórico de Argemil.

O património arquitectónico, quase intacto, acalenta a esperança de que o casario venha a ser restaurado no futuro, por mecenas, por novos habitantes ou por descendentes de emigrantes, regressados às raízes.  



O Herdeiro 

Chama-se Aníbal, como o célebre estratega cartaginês que combateu os Romanos nas Guerras Púnicas. No entanto, a guerra de Aníbal Tenreiro é outra; passa por restaurar e preservar o património de uma família de gerações de lavradores  cuja linhagem conhecida remonta à época dos déspotas iluminados.


A diáspora também não poupou os Tenreiros. Um deles, de um ramo emigrado para o Brasil, em 2010 deixou um comentário no blogue: "Meu nome é Angelo Maldonado Tenreiro, nasci em Travancas, com 14 anos fui para Angola e há 35 anos estou no Brasil". Será parente dos Tenreiros de Argemil? Clicar aqui para ver o  comentário completo.



O senhor Aníbal é um homem de compleição robusta, habituado ao trabalho do campo. Apesar da sua natureza reservada,  dá a conhecer o pátio interior, já alterado, da centenária casa rural...


...onde também vive a mãe.



Casa dos Tenreiros, casa com história...
...onde, como noutras  casas da raia, foragidos da guerra civil espanhola  terão ficado escondidos. Em 6 de janeiro de 1945, a casa, então pertença de Américo Tenreiro, e a de Manuel Aguieiras, foram revistadas por um pelotão de mais de vinte elementos do exército e da guarda-fiscal, fortemente armados, à procura de democratas espanhóis que fugiam aos fuzilamentos fascistas, às ordens do general Francisco Franco.



Casa dos Tenreiros... uma casa bem transmontana.




Preciosidades dignas de figurarem  num museu etnográfico das aldeias de montanha.



Bela carranca de  granito para, presumidamente, na sua origem, ter a função de bica.



O espaço onde a carranca se encontra, inapropriado para a função de bica, sugere que terá vindo de outro lugar qualquer e que terá sido encaixada na parede com finalidade decorativa. 




Substituídos por tratores, desapareceram os carros puxados por juntas de bois. Quem não recorda com saudade a melodiosa chiadeira que faziam pelas ruas de Argemil? Um dos últimos desses carros de bois é guardado pelos Tenreiros com o zelo que os crentes devotam a uma relíquia.




Casas do Bairro do  Canto e domínios dos Tenreiros. Quem resiste a tamanha beleza?




sábado, 17 de outubro de 2015

Ricardo, o 'maçom' de Roriz

E o enigma da cruz egípcia 

Um dos símbolos mais sagrados do Antigo Egito, a cruz ansata ou cruz Ankh, esculpido numa fonte de Roriz, remota aldeia de montanha, junto à raia, intrigou-me. 



Partindo do pressuposto de que não seria obra de trolha mas de mestre pedreiro, conhecedor de símbolos esotéricos egípcios, indaguei desde quando é que a cruz da vida estava na fonte. Quando soube que datava de 2005, portanto, sem  valor histórico como o albergue de peregrinos de Santiago, não fiquei desiludido.



Pelo contrário, quis conhecer o Ricardo, moço de Roriz, autor da cruz egípcia, feita no âmbito de um  exame de aplicação prática de competências, adquiridas num curso de desenho projetista.



"Gosto muito de mistérios antigos... a cruz simboliza a vida, as águas do Nilo..."



O Ricardo não saiu da aldeia; faz parte de uma associação que, embora  já tenha organizado um torneio de futebol, está parada. A falta de jovens é um dos  problemas que aponta para a inércia da associação. A solução, para a revitalizar, talvez passe por incluir jovens de outras aldeias  da União das Freguesias de Travancas e Roriz. Porque não?



Antiga escola primária onde traçou os primeiros desenhos. Dotado de sensibilidade artística, acredita que "a arte responde às nossas perguntas" e que "às vezes as grandes oportunidades aparecem disfarçadas atrás de tarefas árduas".
É assim o Ricardo, tão misterioso como a arte da Terra de Mênfis.



Na união das duas freguesias já tínhamos em Argemil um promissor pintor, o Luís; Agora, no "Ricardo, Coração de Leão" de Roriz, podemos ter um 'rei' arquiteto, mestre na arte de desbastar a pedra, usando o malho e o cinzel. 


"Para mim é gratificante ser reconhecido pelas pessoas da terra"
Quem lhe dá então a mão, para poder mostrar o seu valor  e, assim concretizar o louvável sonho  de ser mestre pedreiro, arquiteto de obras emblemáticas, como os templos de Salomão e de Luxor?  




sexta-feira, 29 de maio de 2015

SOS Albergue de Peregrinos de Roriz

Património cultural edificado em perigo?

Na minha última passagem por Roriz,  em 10 de maio de 2015,  encontrei o antigo albergue de peregrinos de Santiago em obras e fiquei apreensivo, temendo que o edifício mais emblemático da freguesia, em termos históricos e culturais,  sofra danos irreparáveis.


As obras tanto podem valorizar um património único na União das Freguesias de Roriz e Travancas como podem descaracterizá-lo, como acontece tantas vezes, quando não se tem o sentido da História e se trata o legado dos antepassados como sendo velharia.


É urgente que quem tem autoridade para zelar pelo património edificado traga tranquilidade aos que defendem a preservação do antigo albergue de peregrinos, enquanto bem cultural da comunidade e que a todos deveria encher de orgulho.


Clicar aqui para ver a postagem  Roriz no Caminho de Santiago feita em 15 de março de 2014, na qual dava conta da descoberta deste importante marco das rotas jacobeias no território de Travancas e Roriz.


sábado, 2 de maio de 2015

Casas da cultura do granito

Património degradado, recuperado e à venda

Moradia de Argemil à venda, incluindo em anúncio na internet.


São casas de granito, como esta de São Cornélio, feita em propianho...

E outras, feitas de tijolos, que há anos não encontram comprador.


Apesar de se fazer alguma reconstrução,  o casario antigo permanece abandonado...


...por falta de adaptação às novas condições de vida



...e ao elevado custo da reconstrução.


Casa ou armazém com porta carral, da cultura do granito, em cuja parede é visível o excesso de cimento  nas juntas a cobrir a rusticidade da pedra.


Velhas habitações de granito, elementos identitários da nossa cultura...


Jóias do nosso património edificado, quem as salva?




sábado, 14 de setembro de 2013

Boas-vindas à União de Freguesias

Roriz junta-se a Travancas


A freguesia de Roriz, extinta em 2013, no âmbito da reforma administrativa, foi agregada a Travancas, formando uma nova freguesia, denominada União das Freguesias de Travancas e Roriz.
 
 
 
 
 
Se em Travancas a agregação foi pacífica, assegurado no início do processo que a aldeia continuaria como sede da Junta de Freguesia, em Roriz,   alguns moradores continuam inconformados com a extinção da histórica freguesia que, antes de pertencer a Chaves, esteve integrada, até 1853, no concelho de Monforte de Rio Livre.
 
 

A freguesia de Roriz, -já vem do tempo do arroz quinze! Os da câmara é que fizeram isto, roubaram-nos; Fomos lá fazer barulho, chamámos-lhes gatunos!
 
 


Os partidos que aprovaram a legislação são poupados nas críticas, mas aponta-se o dedo aos políticos, nomeadamente aos do elo mais fraco da hierarquia do poder.  O senhor Antero Luís Ginja, presidente da junta de freguesia, pelo Partido Socialista, é o bode expiatório da frustração de alguns.



 
Discreto e afável, o senhor Ginja  andou a mostrar-me o centro histórico da aldeia. No final da visita ofereceu-me um interessante vídeo sobre Roriz e  fotocópia de um texto, através do qual vim a saber que em Roriz tinha havido um albergue para os peregrinos de Santiago.
 
 
 
 
 
 

Roriz, no recenseamento de 2011, tinha 164 habitantes, mais que Travancas, tomada isoladamente. A união das duas freguesias tem 564.




A típica varanda, trouxe-me saudades da casa onde nasci, numa aldeia da Terra Quente.


Pia batismal da igreja paroquial no adro,  transformada em floreira.



 
Roriz tem um rico património arquitetónico edificado em granito,
 


 
Embora haja casas em ruínas,  o centro histórico da aldeia está relativamente bem preservado,
 



 

Forno comunitário. Há outro.
 
 


Capela do Senhor dos Milagres cuja festa se celebra no primeiro domingo de agosto.



Roriz e Travancas, na mesma unidade administrativa, vão reforçar as boas relações de vizinhança.!