terça-feira, 7 de abril de 2009

Domingo de Ramos

A tradição ainda é o que era





Reencontro com os “heróis” de vídeos que fiz sobre as nevadas em Travancas e São Cornélio.






A visão de crianças segurando ramos de oliveira, loureiro e alecrim, enfeitados com bolachas e rebuçados, trouxe-me à memória o Domingo de Ramos passado na aldeia onde nasci.
Felizes, eu e os irmãos, íamos, rua abaixo, à Casa Grande, levar o ramo à madrinha e receber, em troca, uma prenda.








Embora a tradição das crianças levarem o ramo à madrinha se vá perdendo, permanece o bonito costume de enfeitá-lo.

















Em Travancas, a bênção dos ramos, seguida de procissão e missa, é uma festa religiosa que junta a comunidade das três aldeias da freguesia: Argemil, São Cornélio e Travancas.


No largo, junto ao lar dos idosos, juntou-se muito povo à espera do senhor padre Delmino para a bênção dos ramos.


















Na tradição católica o Domingo de Ramos marca o fim da Quaresma e o início da Semana Santa. A festa celebra a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, onde ia passar a Páscoa judaica com os discípulos.




Jesus entrou na cidade montado num burro, aclamado pela população como o Messias, o Rei de Israel.









"Hossana ao filho de David”, salva-nos filho de David, gritava o povo sofrido à passagem de Jesus!










Bênção dos ramos pelo senhor padre Delmino












À cerimónia da bênção assistem idosos do Lar do Senhor dos Aflitos.











Procissão rumo à igreja

Celebração da missa na igreja matriz de São Bartolomeu






"Estamos reunidos em comunhão, em nome do Senhor."










"Saudai-vos uns aos outros e fazei-o de todo o coração."




Final da missa:
"Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe."





Ramo de oliveira benzido






Há quem o pendure, quem o guarde pelos diferentes cantos da casa ...



As manifestações religiosas, vistas como um fenómeno social, fazem parte do património humano de uma comunidade local e, como tal, devem ser preservadas, sob pena de, perante a globalização, a comunidade perder a sua identidade cultural.





terça-feira, 31 de março de 2009

Sonho de Emigrante à Venda



Deus Quer,
O Homem Sonha e a Obra Nasce
Fernando Pessoa





Deus quer que o mundo seja melhor e o Homem há muito que sonha com esse mundo.




Para quem emigra, os primeiros sonhos são os que antecedem a partida.


Há uma grande expectativa sobre as novas terras, as pessoas que se vai encontrar, os costumes e a dificuldade com a língua do país de acolhimento. Mas tudo se supera com o espírito guerreiro de conquistar uma vida melhor e a vontade de vencer.




O sonho de muitos emigrantes é voltar à terra para casar, regressar de vez, voltar a viver nessas casas, naqueles cafés, naquelas ruas, naquelas esquinas, naquelas paìsagens...


Foi assim com António*. Decidiu deixar a terra em busca do seu sonho.





Sonhou e a obra nasceu.




Porém, "Para fazer uma obra de arte ... é preciso também viver um grande amor". (Mozart)



Sem constituir família em bases sólidas, o sonho do emigrante morreu. A "maison" ficou inacabada, outros projectos de vida surgiram...












Vende-se






Bem situada no planalto, à saída de São Cornélio ...



A casa de sonho tem largas vistas sobre a Cota de Mairos, Travancas, Castelo de Monforte e as serras do Larouco e do Barroso.




* O nome é ficção, assim como a história. O único facto não imaginado é a localização da casa, por acabar, posta à venda.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Vídeos dos Nevões II

Tenho diversos filmes das nevadas deste Inverno que não estão disponíveis porque só agora estou a aprender a fazer os vídeo-clips e a colocá-los, aos poucos, no blogue. O trabalho de montagem e edição é moroso porque implica escolha de músicas e cortes nas filmagens sem qualidade técnica.
Estes vídeos podem ser vistos, no youtube, em formato de maior dimensão, clicando em canal de eurolusopt ou sobre o título de cada um dos vídeo-clips aqui apresentados.

Brincando na Neve
A criança brinca com o escorrega, na primeira grande nevada.


À Lenha, na Neve

A alegria das crianças, no primeiro nevão do ano, é contagiante.

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Café Central num Dia de Neve

O Café Central, nos dias de nevada, é o espaço para onde convergem os poucos habitantes que não se intimidam com o frio fora de casa. Sem ninguém nas ruas, o vai-e-vem silencioso ao café é o sinal de que a vida na aldeia continua.

Caminhar na Neve

Quando neva as ruas de Travancas cobrem-se de branco e ficam vazias de gente. Porém, os mais resistentes ao frio gelado deixam o calor das casas e caminham sobre a neve até ao Café Central.

Passeio de Tractor na Neve à Cota de Mairos

quarta-feira, 11 de março de 2009

Sabores e Saberes de Travancas

O Fumeiro da 'São'


Na Feira Sabores & Saberes de Chaves, realizada no último fim-de-semana de Janeiro de 2009, encontrei a Dona Conceição, de Travancas, num stand, vestida a rigor, a expor e comercializar o seu saboroso fumeiro.


Não lhe comprei bucho, alheiras, chouriças, nem salpicões porque a encomenda já estava apalavrada há tempos, ainda antes do Dia de Santa Luzia, altura em que já faz frio, e data a partir da qual, tradicionalmente, começa a matança do porco.

Este ano, o frio intenso, bom para curar a carne, até chegou mais cedo, com uma grande nevada, no final de Novembro, como há muitos anos não se via.


Chaves tem fama de ter bom fumeiro mas é nas terras altas do concelho, sujeitas a invernos rigorosos, como Travancas, que o fumeiro é produzido seguindo a sabedoria tradicional, passada de mães, tias, avós e vizinhas, às gerações mais novas.





Na Feira dos Sabores e Saberes provei estes doces de batata feitos pela Dona Conceição. Confesso que fiquei rendido à iguaria.


Desconhecia, inclusive, que da batata se podia fazer bolos. O sabor, que apreciei, resulta, certamente, da arte de saber fazê-los!
Mas a matéria prima também conta, e Travancas, como Capital da Batata, produ-las de qualidade superior.


Quando saí de Travancas, deixei estas serras cobertas de neve mas trouxe comigo produtos da terra.








Tudo que está no prato veio de lá. Os grelos e o chouriço de abóbora são da Dona Conceição. Nesta refeição tudo era bom mas o sabor do chouriço ainda me faz crescer água na boca!